“Marie-Antoinette”: a nova série biográfica sobre a última rainha da França absolutista!

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

A vida de Maria Antonieta se tornou objeto de interesse público a partir do primeiro momento em que ela, com apenas 14 anos de idade, cruzou a fronteira do Sacro-Império com a França para se casar com o herdeiro do trono francês, o delfim Luís Augusto. A partir de então, as pessoas queriam saber o que ela vestia e como se penteava; quem compunha seu círculo íntimo de amizades e o que se passava por trás das portas fechadas dos seus aposentos no Palácio de Versalhes. Isso deu margem para que uma incipiente imprensa começasse a exagerar nas tintas, vendendo pasquins com fofocas sobre a jovem rainha. Em termos comparativos, Antonieta experimentara no último quartel do século XVIII as delícias e as amarguras que o status de celebridade confere aos astros do cinema e da música nos tempos de hoje. Contudo, em 200 anos, o interesse pela última rainha da França absolutista não diminuiu. Pelo contrário! Pareceu se intensificar a cada geração, com a escrita e publicação de novas biografias, romances e produção de documentários e filmes, com especial destaque para o de Sofia Coppola, lançado em 2006. Agora, uma nova série em oito capítulos sobre a vida da esposa de Luís XVI foi gravada pela emissora francesa Canal+, trazendo a atriz russa Emilia Schüle no papel principal.

Emilia Schüle como Maria Antonieta na nova série biográfica sobre a última rainha da França absolutista.

Lançada pela Banijay Studios da França, em parceria com a CAPA Drama, Les Gens e o Canal+ francês, a série “Marie-Antoinette” foi escrita e produzida por ninguém menos que Deborah Davis, indicada ao Oscar 2019 de Melhor Roteiro Original pelo filme “A Favorita” (o mesmo que rendeu a Olivia Colman o prêmio de Melhor Atriz, por seu papel como a rainha Anne da Grã-Bretanha). A série foi co-escrita ao lado de Louise Ironside (“The Split”), Avril E. Russell (“All on a Summer’s Day”) e Chloë Moss (“Run Sister Run”). Dirigida por Pete Travis (“Bloodlands”) e Geoffrey Enthoven (“Children of Love”), o enredo pretende focar na adolescência da delfina que, recém-chegada a uma corte cujos costumes eram muito mais protocolares que os de Viena, se vê engolfada por um mundo repleto de intrigas palacianas, traições e xenofobia. Apelidada pejorativamente de “A Austríaca” (em francês, “L’Autrichienne”, que funcionava como um jogo de palavras que também significava “l’autre chienne”, ou seja, a outra cadela), Maria Antonieta era vista com suspeita inclusive por seu marido, cujos tutores lhe incutiram desde cedo a crença de que ela era na verdade uma espiã a serviço do Imperador da Áustria, seu irmão José II.

Maria Antonieta permanece até hoje como um dos maiores ícones da história ocidental!

Como a história nos monstra, as diferenças entre Luís XVI e Maria Antonieta contribuíram sobremaneira para que aqueles dois jovens (ela com 14 anos e ele com 15 no início do casamento) demorassem 7 anos para consumar de fato a união, ameaçando assim a estabilidade da aliança franco-austríaca. A ausência de herdeiros nascidos do matrimônio era um dos assuntos mais comentados entre as cortes de Versalhes e a de Viena. Da Áustria, a Imperatriz Maria Teresa enviava cartas virulentas para a filha, responsabilizando-a por não conseguir engravidar. Essas pressões de ambas as partes colaboraram para que a jovem Antonieta encontrasse na moda um refúgio para sua difícil situação. Assim, ela não poupou criatividade (nem dinheiro) para revolucionar o guarda-roupas real, o que contribuiu para que se criasse em torno dela uma imagem de rainha frívola e gastadeira, a famosa “Madame Déficit”, que aparecia nos panfletos distribuídos nas ruas de Paris. Até hoje, o poder negativo que essa propaganda teve sobre as representações póstumas de Antonieta é tão forte, que muitos ainda acreditam ser ela a autora da frase: “Se não tem pão, que comam brioches”. A historiografia, porém, vêm contribuindo bastante para desconstruir esse e muitos outros mitos ligados à sua persona.

A série tem como cenários locais associados à vida de Maria Antonieta, como o Palácio de Versalhes.

Com efeito, as filmagens para a nova série do Canal+ ocorreram em locais associados com a vida de Maria Antonieta, não apenas o Palácio de Versalhes, como também o belíssimo château de Vaux-le-Vicomte, Lésigny, nos Champs, Voisins, incluindo algumas cenas dentro dos estúdios Bry-sur-Marne. “Com cenários e performances excepcionais, ‘Marie-Antoinette’ continua ganhando força em todo o mundo. Esta série narra a vida de uma jovem rainha única, enquanto ela transita pelo mundo muitas vezes sombrio e manipulador de Versalhes”, disse Kell Hoddinott, vice-presidente de vendas da Banijay Rights para Austrália e a Nova Zelândia. A BBC, por sua vez, acaba de negociar os direitos de reprodução da nova série não só para esse dois países, como também para o Reino Unido. Chrissie Carras, uma das chefes de serviços de marca da BBC Studios, comentou: “Estamos muito satisfeitos em trazer esse drama épico para o público australiano. É uma história fascinante que manterá o público fascinado do começo ao fim”. Seja de forma negativa ou positiva, o certo é que Maria Antonieta imprimiu seu rosto em uma época, reinventando a corte mais convencional da Europa à sua própria imagem e criando assim um ícone que sobrevive até os dias de hoje!

Fontes: Banijay, Reserva Cinéfila, TBI, Variety – Acesso em 05 de julho de 2022.

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