O Escândalo da Rainha: O Martírio de Maria Antonieta – Notas do autor

“… Poucos dias depois, todos haviam escutado que existiu uma rainha chamada Maria Antonieta que, em seu tempo, foi a deusa da graça e do bom gosto, e que, depois, foi a rainha castigada e punida com todas as dores. Só anos depois, a posteridade arrependida devolveu àquela grande mulher o seu esplendor, colocando-a no cenário da História Universal como uma das mais importantes e ilustres personagens.

“Maria Antonieta de Habsburgo-Lorena, rainha da França, havia passado à imortalidade histórica.”

Escolhi as palavras finas de C. Verdejo em sua obra, Figuras (capítulo: Maria Antonieta), para manifestar a minha emoção ao relatar para vós, meus leitores, o grande impacto que a história da vida dessa incrível mulher teve sobre mim. Não foi minha intenção provocar cisões entre aqueles que defendem os ideais da revolução de liberdade, igualdade e fraternidade, assim como os seus motivos, e sim abordar a figura de Maria Antonieta, defendendo-a das acusações inescrupulosas feitas a seu respeito. Na minha opinião, ela foi nem vítima, nem vilã. É sincero o testemunho de que, na primavera de sua idade, fora uma mulher extravagante. Todavia, se pararmos para analisar, a futilidade foi a única saída encontrada por ela para fugir dos problemas e pressões aos quais era obrigada a passar dentro de um mundo e de uma sociedade tão corrupta quanto jamais houvera, não tendo medo de sua sentença e provando que até na morte era uma Rainha, pois o verdadeiro mártir não é aquele que rejeita o seu destino, mas que anda com ele de mãos dadas nessa longa jornada que é a vida.

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Maria Antonieta, por Mme. Vigée le Brun.

Para escrever sobre a última rainha da França absolutista, fiz uma árdua leitura do mega-seller “Marie Antoinette, The Journey”, escrito por aquela que considero a melhor historiadora da monarquia européia, Antonia Fraser. Sobre a moda e os costumes da corte de Versalhes, recomendo o livro de Caroline Weber “Rainha da Moda”, ao qual a autora traça um perfil do comportamento de Maria Antonieta através de seu vestuário. Porém, o que me levou a pesquisar sobre a vida da Rainha da França, dotando-me de compreensão para o grande dilema por ela enfrentado, foi o filme dirigido por Sofia Copola. Depois da pesquisa, perguntei-me como seria a vida da Arquiduquesa se a Imperatriz Maria Teresa não providenciasse o casamento dela com Luís XVI. Provavelmente se casaria com um Duque e morreria de forma tranquila e sem importância. Mas a sorte prega peças naqueles bravos destemidos que, como Maria Antonieta, são grande por natureza. Ela tinha que ir para a França e provocar as pessoas, viver a vida que viveu. Do contrário o mundo perderia uma de suas maiores transformadoras. Espero que sua trajetória tenha passado algo de bom para os que leram esta série de posts, da mesma forma que me passou. Até a próxima.

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O autor: Renato Drummond Tapioca Neto

Referências Bibliográficas utilizadas ao longo da série:

FRASER, Antonia. Maria Antonieta. Tradução de Maria Beatriz de Medina. 4ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2009.

HOBSBAWM, Eric J. A era das revoluções, 1789-1848. Tradução de Maria Tereza Teixeira e Marcos Penchel. 32ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.

LEVER, Evelyne. Maria Antonieta: a última rainha da França. Tradução de S. Duarte.  1ª edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

MELLO, Leonel Itaussu Almeida; COSTA, Luís César Amad. Revolução Francesa. In: História moderna e contemporânea. 5ª edição. São Paulo, 2001.

PRICE, Munro. A queda da monarquia francesa: Luís XVI, Maria Antonieta e o barão de Breteuil. Tradução de Julio Castañon Guimarães. – Rio de Janeiro: Record, 2007.

VERDEJO, C. Maria Antonieta. In: Figuras. 1ª edição. Provença, 93 – Barcelona, Espanha: Ramón Sopena, 1973.

WEBER, Caroline. Rainha da Moda: como Maria Antonieta se vestiu para a Revolução. Tradução de Maria Luiza X. De A. Borges. 1ª edição. Rio de Janeiro: Zahar, 2008

Filmografia:

“Marie Antoinette” (2006), Columbia Pictures Home Entertainment

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