O Escândalo da Rainha: O Martírio de Maria Antonieta – Parte III

PARTE III – “O rei está morto. Vida longa a Luís XVI”

por: Renato Drummond Tapioca Neto

Até agora, pudemos sentir o drama de uma jovem forçada a abdicar a morada de sua pátria para se casar com um rapaz indiferente e ter que suportar as conversas enfadonhas e maldosas das damas francesas ao seu respeito. Porém, já havia se habituado aos costumes da corte e aos poucos tentava fazer de sua existência um pouco menos apática. Até que o inevitável aconteceu: em dez de maio de 1774, Luís XV falecera de um forte ataque de varíola e na manhã do dia seguinte todos se dirigiram aos aposentos do Delfin, para saudar o novo Rei da França, proclamado Luís XVI e a nova Rainha, Maria Antonieta. Quanto a Madame Du Barry, esta fora convenientemente despachada da corte, pois o clérigo do palácio não poderia ouvir a confissão do Rei tendo ele uma amante. A partir desse ponto, as coisas começariam a mudar para a nossa querida Marie, pois sendo Rainha não mais se submeteria à disciplinadora Condessa de Noailles ou a qualquer convenção burocrática, estando ela livre para agir como bem entendesse e escolher novas damas de companhia. É quando entra em cena a extrovertida Madame de Polignac.

Maria Antonieta trajando vestido de corte - Jean-Baptiste Gautier-Dagoty (1775)

Maria Antonieta como rainha da França, por Jean-Baptiste Gautier Dagoty (1775).

Yolande Martine Gabrielle de Polastron, a Condessa de Polignac, descendia de uma família de nobres desafortunados que viram na moça uma chance de ascender economicamente.  Aos dezoitos anos se casara com Jules de Polignac, capitão do exército, com quem teria um total de quatro filhos. Ela e a nova Rainha da França se tornaram íntimas em 1775, quando a irmã de seu marido promovia uma festa para a realeza. Maria Antonieta encantara-se imediatamente pela figura da Condessa e para que esta fosse aceita na corte de Versalhes, a Rainha concedeu altas pensões e novos títulos para a família de Polignac. Nas palavras de Evelyne Lever:

Com seu rosto angélico que poderia haver inspirado Rafael, seus grandes olhos azuis e ingênuos, seu sorriso inocente e voz melodiosa, essa mulher de 26 anos fascinara a rainha com sua graça despreocupada. Madame de Polignac não era admirada por possuir inteligência incomum ou por palavras espirituosas, mas suas observações sempre eram adequadas. De temperamento estável e prazenteiro, tinha uma maneira agradável de contribuir para a conversa sem ser intrometida e sem ofuscar os demais. Sensível, indolente, extremamente franca, era sempre perfeitamente natural (LEVER, 2004, p. 100).

A nobreza palaciana não via com bons olhos a amizade das duas, tendo em vista a maculada reputação de Yolande, inflamada por supostos casos extra-conjulgais e farras abundantes. Entre as famílias mais desapontadas com a nova dama da Rainha, estava a Noailles, já que Maria Antonieta dispensara a Condessa, que por quatro anos lhe dedicou atenção, por companhias mais jovens. Dessa forma, era de se esperar que a “Madame Etiqueta” passaria para o time de opositores de sua graça, a Rainha da França.

Duquesa de Polignac

A duquesa de Polignac, por Mme. Vigée le Brun

Estava formado, então, o trio que animaria os bailes de mascarada parisienses, composto pela Rainha e pelas suas duas melhores amigas, a Princesa de Lamballe e a Condessa de Polignac (ela dava preferência a esse tipo de festa, pois, estando disfarçada, evitaria qualquer tipo de formalidade). O Rei não se incomodava em deixá-la ir sem ele, pois gostava de acordar cedo e não queria interromper sua rotina. Livre do fado de ter que submeter-se a alguma regra, Maria passou a gastar descontroladamente com tudo o que lhe coubesse: de reformas nos jardins de Versalhes a jóias com preços exorbitantes e vestidos de alta costura, fazendo-a aproximar-se gradativamente da derradeira imagem de mulher fútil e egoísta. Mas, para a contrariedade daqueles incansáveis críticos da revolução, é com prazer que uma das mais célebres biógrafas de Maria Antonieta, Antonia Fraser (que também escreveu o icônico “As seis Mulheres de Henrique VIII”), nos mostra que a Rainha mantinha diversas obras de caridade e demonstrava interesse na resolução do problema da fome que se agravava ha muito tempo no país. Porém, isso não impediu que continuasse com o consumo exorbitante de novas roupas e adereços. E assim, se evidenciava outra grande característica atribuída à nossa querida austríaca.

Referências Bibliográficas:

FRASER, Antonia. Maria Antonieta. Tradução de Maria Beatriz de Medina. 4ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2009.

LEVER, Evelyne. Maria Antonieta: a última rainha da França. Tradução de S. Duarte.  1ª edição. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s