Um verdadeiro deleite: jardim privado de Maria Antonieta em Versalhes está sendo restaurado!

Um dos traços mais curiosos da personalidade de Maria Antonieta é o seu interesse por jardinagem e paisagismo. A rainha fez dos parques de Versalhes o laboratório de suas inspirações mais criativas, contratando arquitetos e jardineiros para dar vida às suas ideias mirabolantes. Grande parte dessas criações podem ainda ser vistas, como as modificações que ela fez no Petit Trianon, a aldeia-modelo que construiu nas dependências do seu palacete (Le Hameau de La Reine), e os jardins privados que construiu para desfrutar de maior intimidade com sua família e amigos. Mais conhecido como Le Bosquet de la Reine, ou o Queen’s Grove, os jardins da esposa de Luís XVI passarão agora por um intenso processo de restauração, comissionado pela curadoria do palácio de Versalhes, para deixa-lo mais próximo da época em que a soberana costumava passear por suas aleias.

Plantado originalmente numa área de cerca de quatro acres por Luís XIV, o rei-sol, entre os anos de 1665-66, um vasto labirinto de pequenos arbustos tinha sido criado para deleite do soberano. Porém, durante o reinado de seu tataraneto, esse estilo já havia caído de moda e então a rainha ordenou que modificações fossem feitas. Fascinada pelos jardins paisagísticos ingleses, concebidos por Capability Brown, que incluíam caminhos sinuosos e belas cenas, Maria Antonieta pediu ao arquiteto Michel-Barthélémy Hazon que projetasse um novo modelo, que substituísse as árvores plantadas em sentido reto e os desenhos lineares da época de Luís XIV.

No jardim desenhado por Michel-Barthélémy, a área era entrelaçada por bancos e costuradas por várias trilhas, que levavam a diversas árvores frutíferas, arbustos e canteiros plantados com uma variedade de rosas, tulipas, crisântemos, jasmins e amores-perfeitos. Espécies escolhidas porque floresciam em diferentes épocas do ano, de modo que a beleza das flores nunca deixasse de emprestar seu encanto ao local. Havia também um praça central, plantada com tulipas em fileiras retas, como se fossem soltados prestando continência àqueles que tinham o prazer de passar por aqueles caminhos.

O desenho original dos jardins de Maria Antonieta.

Além disso, o planejamento do jardim oferecia sol e sombra em igual medida, e tantas trilhas que era quase impossível ao visitante passar duas vezes pelo mesmo caminho. A estatuária de mármore foi preterida à de bronze, pois esta refletia melhor a beleza do local, apresentando um discreto tom de verde graças à incidência da luz sobre as folhagens. A edificação do jardim demorou três anos e foi concluída em 1778. Após a Revolução Francesa, porém, ele ficou abandonando e a relva tomou conta de suas dependências, destruindo quase tudo que havia sido construído nas décadas anteriores. Grande parte da coleção de estátuas foi removida e levada para o palácio do Louvre, transformado em museu por Robespierre.

Em 1830, quando o rei Luís Felipe de Orleans (filho do duque que havia votado a favor da execução de Luís XVI) se tornou rei dos franceses, Versalhes estava em tal estado de abandono que até se cogitou a possibilidade de demolir o palácio. O monarca, ao contrário, ordenou que o edifício com cerca de 2.300 quartos fosse restaurado. Processo esse que, diga-se de passagem, continua até os dias de hoje. Interditado desde o dia 13 de março desse ano, como parte de uma ação do governo francês para conter a aglomeração de pessoas em decorrência da nova pandemia de coronavírus, os jardins da rainha agora receberão os devidos cuidados de paisagistas e historiadores.

Faz tempos que o Le Bosquet de la Reine está na lista de locais para serem restaurados. Suas reformas deveriam ter começado no ano de 1999, quando uma tempestade e ventos furiosos devastaram os terrenos do palácio em dezembro daquele ano. A equipe de manutenção de Versalhes traçou então um plano de reconstituição do bosque. Mas estes deveriam ser recuperados no modelo original, de 1666, com seus labirintos e aleias, ou como eram nos dias de Maria Antonieta? As discussões perduraram por anos, até que o modelo da rainha prevaleceu. Cerca de 1,8 milhões de euros foram destinados para a sua reconstrução, que começou no início deste ano.

Fontes:

The Architect’s Newspaper – Acesso em 19 de abril de 2020.

The New York Times – Acesso em 19 de abril de 2020.

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