Museu Imperial de Petrópolis é reconhecido pela UNESCO (MOW)!

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

A Cidade de Petrópolis, cujo nome deriva da união entre Pedro (do latim Petrus) mais o grego Pólis (Cidade), constitui-se num dos maiores pontos turísticos do Rio de Janeiro. Localizada na região Serrana, fora construída pelo segundo Imperador do Brasil para servir de refúgio do calor escaldante da capital. Entre os muitos edifícios históricos, o que mais se destaca é o Palácio Imperial, antiga morada de D. Pedro II e de sua família, que a partir de 1943 se transformou em museu, por decreto do presidente Getúlio Vargas. Muita da decoração original ainda está preservada, como os estuques, pisos em pedras nobres, candelabros, além da própria mobília, fundamental para a reconstituição dos cômodos antes habitados por seus imperiais hóspedes. Nesta última semana, a importância desta instituição fora ainda mais amplificada, devido à inserção do “Conjunto relativo às viagens do imperador d. Pedro II pelo Brasil e pelo mundo” no Registro Memória do Mundo pela UNESCO (MOW). Uma honraria que, por sua vez, constitui-se no reconhecimento da relevância de tais de documentos, em âmbito internacional.

Caderneta de Viagem de D. Pedro II com suas anotações (foto: divulgação).

Caderneta de Viagem de D. Pedro II com suas anotações (foto: divulgação).

O acervo do museu é geralmente composto de peças ligadas à monarquia brasileira, tal como as jóias da coroa, incluindo o colar de ouro, esmeraldas e rubis que outrora pertencera à Imperatriz D. Leopoldina, além das ametistas presenteadas à Domitila de Castro, Marquesa de Santos, por seu nobre amante. Entre outros itens, podemos encontrar uma incrível coleção de pinturas, como a famosa Fala do Trono, executada por Pedro Américo, e também o último retrato de D. Pedro I, de autoria de Simplício de Sá. Não obstante, um dos objetos que mais chama a atenção é a coroa de D. Pedro II (criada por Carlos Marin), assim como seu trono e demais elementos que integravam seus trajes majestáticos. Além disso, o museu possui uma biblioteca com um impressionante acervo bibliográfico, com mais de 50 mil volumes, entre os quais muitas obras raras. Destarte, o edifício contempla um impressionante arquivo de mais 250 mil documentos, que remontam até o século XIII, e vão até o XX. Entre eles, as 44 cadernetas de viagem de D. Pedro II.

Comitiva do Imperador D. Pedro II na Necrópole de Gizé (Egito) em 1871.

Comitiva do Imperador D. Pedro II na Necrópole de Gizé (Egito) em 1871.

O Segundo Imperador do Brasil esteve fora do país em três ocasiões antes da abolição da monarquia em 1889: em 1871, 1876 e 1887, onde marcara presença em exposições tanto na Europa como nos Estados Unidos e visitara muitos países que antes só conhecera através dos livros e relatos de viajantes. Tivera contato com novas tecnologias, a exemplo do Telefone, criado por Graham Bell, com quem chegara a entrevistar-se. Em cada uma dessas excursões, ele deixava um vívido relato escrito de suas experiências, o que, por sua vez, demonstra o seu interesse pelas novidades científicas e naturalísticas que herdara da personalidade de sua Sereníssima mãe, a Imperatriz D. Leopoldina. Segundo o Diretor do Museu Imperial, Maurício Vicente Ferreira Jr.,

“São registros de pessoas e coisas que ele viu, como os desenhos das Pirâmides do Egito, ou correspondências com grandes intelectuais, como Alfred Nobel, Louis Pasteur, Victor Hugo, Henry Wadsworth Longfellow, entre tantos outros. A importância desse reconhecimento se deve à riqueza desses dados e informações da visão de um observador a seu tempo que registrou isso. Ele tinha uma visão do século 19 de um observador privilegiado, um erudito”

Além das cadernetas do Imperador, que incluem anotações, textos, cartas e desenhos, na mencionada coleção também se podem encontra os 10 diários da Imperatriz D. Teresa Cristina, importante fonte de pesquisa sobre a vida desta personalidade quase apagada pela historiografia brasileira.

Caderno de Desenhos das viagens de D. Pedro II (Foto: Divulgação).

Caderno de Desenhos das viagens de D. Pedro II (Foto: Divulgação).

O arquivo de 2210 documentos, doados ao Museu em 1948 por Sua Alteza o Príncipe D. Pedro Gastão de Orleans e Bragança (bisneto de D. Pedro II), contempla ainda os diários de Viagem da Condessa de Barral (possível amante do monarca) e do Barão do Bom Retiro, integrantes da comitiva de D. Pedro II.  No acervo, que faz parte da série “Viagens do Imperador – 1840-1913”, além dos itens já citados, encontram-se algumas curiosidades como os livros de visita, de contabilidade da Mordomia da casa Imperial do Brasil, fotografias, jornais, panfletos, demais periódicos e etc. Após o reconhecimento da UNESCO (primeiro Museu do Brasil a receber tamanha honraria), o Museu Imperial de Petrópolis, com a ajuda de outras instituições, já prepara um novo dossiê sobre a Guerra do Paraguai batizada de “Iconografia e cartografia da Guerra do Paraguai em instituições brasileiras”. O conjunto de documentos deverá ser submetido pela UNESCO já em Agosto, para fazer parte da sessão Memória do Mundo da América Latina (MOW LAC).

Abaixo, um vídeo mostrando o interior do Museu Imperial de Petrópolis:

Bibliografia:

SCHWARCZ, Lília Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. – 2ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Sites de Referência: G1 e Veja Rio

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