Elizabeth II do Reino Unido: uma vida em 10 objetos!

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Elizabeth II do Reino Unido é possivelmente a mulher mais famosa do mundo e também uma das mais longevas. A maioria das pessoas de hoje nasceu quando ela já era rainha, sempre com uma expressão séria no rosto, coroado por uma vasta cabeleira branca. Quantas histórias aqueles fios não escondem? Desde 1952, quando ascendeu ao trono após a morte de seu pai, o rei George VI, Elizabeth tem ajudado na administração dos países que fazem parte da Comunidade de Nações Britânicas, encontrando-se com líderes políticos de todas as partes do mundo. Qualquer aparição da monarca cria uma aura de excitação e expectativa. Muitos ficam horas, às vezes dias, sentados esperando para ver passar a carruagem transportando aquela mulher pequena, que carrega na cabeça uma coroa bastante pesada. A rainha parece saída de um universo que aos poucos vai deixando de existir, embora ela se agarre com força às insígnias de seu poder. Nessa matéria, selecionamos 10 objetos, expostos em museus e pontos turísticos, que contam um pouco da história da monarca mais longeva da história da Grã-Bretanha.

1) BRINQUEDOS

Nascida em 21 de abril de 1926, a princesa Elizabeth (ou Lilibeth como era carinhosamente chamada pela família) era filha do príncipe e futuro rei George VI com Elizabeth Bowes-Lyon. Passou a maior parte de sua vida de criança em St. Paul’s Walden Bury, propriedade da família real em Hertfordshire. Vivia num encantado idílio eduardiano, enquanto seu avó, George V, era o soberano. Cercada de gramados e de serviçais, ela e sua irmã, a princesa Margaret, permaneciam praticamente isoladas do resto das pessoas, numa fase bastante importante na história do país, marcada pelo movimento sufragista, greves de sindicatos e importantes debates políticos. Enquanto isso, a garota desfrutava de passeios e brincadeiras pelo mato, com esconde-esconde, cavalinho, bolas iluminadas com luz de velas, piadas e cantorias familiares. Dessa fase, existe uma bela coleção de bonecas, carrinho de vime e jogo de chá rosa que pertenceram à rainha na infância. Os objetos ficaram em exposição no Palácio de Buckingham em 2014.

2) VESTIDO DE CASAMENTO

Em 20 de novembro de 1947, a princesa Elizabeth se casou com o príncipe Philip da Grécia e da Dinamarca, numa cerimônia solene ocorrida na abadia de Westminster. Preocupada com os mínimos detalhes do evento, a jovem procurou o estilista Norman Hartnell para compor o seu vestido. Defensor máximo das roupas românticas e extravagantes na Inglaterra, Hartnell teria grande influência na imagem da rainha durante os seus primeiros anos. Para o casamento, ele criou uma belíssima confecção de seda e tule cor de marfim, com bordados de estrelas e botões de flor de laranjeira e cachos de contas cristal. Quase 10 mil pérolas também enfeitavam o vestido. Tudo isso para causar uma grande impressão. Afinal, um casamento real era uma espécie de vitrine, com milhões de pessoas admirando de dentro e de fora da abadia o que a princesa estaria usando na ocasião. O momento em que a cerimônia ocorreu, contudo, não foi dos mais auspiciosos. A Inglaterra acabava de sair da Segunda Guerra Mundial com uma grave crise econômica.

3) VESTIDO DA COROAÇÃO

Em 6 de fevereiro de 1952 falecia o rei George VI. Na ocasião, Elizabeth e Philip estavam em viagem oficial pela Austrália e a Nova Zelândia, passando pelo Quênia, quando um telegrama dando a notícia chegou. A outrora princesa adotou o mesmo nome como rainha, passando a ser conhecida a partir de então como Elizabeth II do Reino Unido. Sua coroação, porém, só aconteceu um ano depois, em sinal de respeito pelo monarca falecido. Ocorrida no dia 2 de junho de 1953, foi sem dúvidas o evento mais importante na vida da soberana. À medida que o dia ia se aproximando, ela treinava os ritos da complicada cerimônia no salão de bailes do Palácio de Buckingham, usando um lençol para substituir o manto de quase dois metros e a Coroa, para se acostumar com seu peso. O evento foi transmitido para o mundo todo, arrecadando milhões para a receita do Estado. O vestido que a soberana utilizou, focalizado nos mínimos detalhes pela câmera, foi também desenhando por Norman Hartnell. A peça é bordada com emblemas florais que representam os países da Comunidade de Nações.

4) A COROA IMPERIAL

Uma das joias que simbolizam o poder do monarca é a Coroa Imperial de Estado, usada por Elizabeth II após a sua coroação, bem como em suas aparições no Parlamento. A versão atual foi feita em 1937 e destinada ao pai da soberana, com base na que foi usada pela rainha Vitória em 1838. Com 31,5 cm de altura e pesando 1,06 Kg, a peça possui uma armação de ouro, prata e platina, decorada com quatros flores de lis e quatro cruzes. É incrustada com 2.868 diamantes, 273 pérolas, 17 safiras, 11 esmeraldas e 5 rubis. Entre as pedras famosas então a safira de Eduardo, o Confessor, o rubi de Eduardo, o príncipe Negro, e o diamante Cullinan II, que tem 317 quilates.

5) COLAR DA ORDEM DA JARRETEIRA

Assim como a Coroa Imperial de Estado, o Colar da Ordem da Jarreteira (uma das mais antigas do mundo) é uma das insígnias do poder de Elizabeth II. Confeccionada em ouro puro, a corrente do colar apresenta placas esmaltadas com um desenho de rosas, separadas por nós de ouro. Geralmente usado sob os ombros, a joia possui um pingente representando São Jorge, montado sob um cavalo brando e matando o dragão. Foi usado pela soberana durante a sua coroação, bem como nos dias de desfile de Ordem e nas aberturadas do Parlamento.

6) A MALETA VERMELHA

Todas as semanas, desde o início do seu reinado, acontece uma audiência formal entre a soberana e seu primeiro-ministro ou primeira-ministra. Esse evento, por sua vez, não é filmado, gravado ou muito menos documentado e poucos sabem do teor dessas conversas. A história de seu relacionamento com os homens e mulheres que assumiram esse cargo só pode ser contada a partir de documentos públicos, diários, depoimentos e observações. Muitos dos servidores que trabalharam com a rainha dizem que ela tem uma memória extraordinária, além de ser muito inteligente. Conforme os anos se passam, ela acabou se tornando uma espécie de biblioteca humana que os premiês mais jovens podem consultar. Todos os dias, Elizabeth II recebe uma maleta vermelha com seu brasão e monograma, contendo uma série de documentos que precisam ser analisados e assinados por ela e então devolvidos para o ministério.

7) BRITANNIA

Ancorado no cai de Leith, em Edimburgo, se encontra o Britannia, o famoso iate real através do qual Elizabeth e seu marido, Philip, viajavam pelos países da Comunidade de Nações. Na época de sua construção, durante a década de 1950, a Inglaterra passava por uma situação difícil, provocada pelo pós-guerra e pela Guerra Fria. Pesando quase 6 mil toneladas e com 2 motores de turbina, o iate foi planejado para que pudesse ser convertido em hospital, caso ocorresse um novo conflito armado. Apresenta um estilo escandinavo limpo, sem muitos adornos e com cadeiras e camas simples e confortáveis, embora seja bem iluminado. A bordo do Britannia, a família real viajou de Glasgow, na Escócia, recebendo vários líderes da Comunidade, até o dia 11 de dezembro de 1997, quando o iate fez sua última viagem a Portsmouth. Atualmente, ele pode ser visitado pelo público.

8) O CONJUNTO DE ÁGUAS-MARINHAS BRASILEIRAS

A maioria das tiaras usadas pela rainha Elizabeth II do Reino Unido eram legados de rainhas e princesas do passado, mas algumas delas foram escolhidas a dedo ou encomendadas pela própria monarca. Uma delas é o famoso conjunto de águas-marinhas, ou “tiara brasileira”, que começou apenas com o colar e um par de brincos, dados de presente pelo presidente Getúlio Vargas em nome do povo brasileiro em 1953. A soberana gostou tanto das peças que logo demonstrou interesse em criar uma tiara para combinar. Ao longo dos anos, o conjunto foi crescendo, à medida que o governo brasileiro oferecia novas pedras do mesmo gênero para a soberana. Durante a primeira (e única) visita da rainha ao Brasil, em 1968, por exemplo, o governador de São Paulo lhe deu um ornamento de água-marinha e diamante, que foram aplicados na confecção do conjunto. Hoje em dia, a “tiara brasileira” está entre as joias favoritas da soberana. É usada por Elizabeth principalmente em encontros com chefes de Estado do nosso país. 

9) O DIADEMA DE ESTADO DE GEORGE IV

Uma das joias mais caras e importantes da coleção de Elizabeth II é o diadema de Estado que foi originalmente feito para o rei George IV, na primeira metade do século XIX. Ao longo dos anos, a peça foi usada por uma sucessão de monarcas, como a rainha Vitória, que foi retratada com o diadema pelos hábeis pinceis de Franz Winterhalter. Sua estrutura de ouro e prata mede 7,5 cm de altura por 19 de de diâmetro. É decorada com 1.333 diamantes, com uma base de pérolas naturais e inclui um diamante amarelo incrustado na cruz pátea frontal. Elizabeth usou o diadema na sua procissão de coroação e em algumas aberturas do Parlamento. Quando não é requisitada pela monarca, a peça pode ser vista pelo público na Galeria da Rainha, no Palácio de Buckingham.

10) MOEDA COMEMORATIVA

Moeda de prata no valor de 20 libras contendo as efígies da soberana desde a sua coroação.

No dia 9 de setembro de 2015, a rainha Elizabeth superou sua tataravó, Vitória, como a monarca que por mais tempo ocupou o trono da Grã-Bretanha. Para comemorar a data, a casa da moeda do Reino Unido lançou uma moeda de prata no valor de 20 libras (aproximadamente 120 reais), onde aparece as cinco efígies da rainha que estamparam moedas britânicas desde a sua coroação, em 2 de junho de 1953. Além de soberana do Reino Unido, Elizabeth II reina em outros 15 países, incluindo o Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Jamaica. Andrew Gimson, autor do livro “Kings and Queens: Brief Lives of the Monarchs since 1066” disse que o reinado de Elizabeth “será recordado como um feito impressionante, [por] permanecer de maneira segura no trono ao longo de um período de tremendas mudanças sociais e econômicas”. Depois de ter aguentado várias crises que abalaram a estabilidade e o prestígio da monarquia (como a morte da princesa Diana), Elizabeth II permanece como uma monarca muito querida aos olhos do público e não dá sinais de que pretende abdicar trono, quebrando assim mais um tabu dentro da sociedade ocidental: de que idade avançada não é parâmetro para se medir competência!

Fonte da montagem da capa da matéria. ERA IMPERIAL

Bibliografia consultada:

MARR, Andrew. A real Elizabeth: uma visão inteligente e intimista do papel de uma monarca em pleno século XXI. Tradução de Elisa Duarte Teixeira. São Paulo: Editora Europa, 2012.

3 comentários sobre “Elizabeth II do Reino Unido: uma vida em 10 objetos!

  1. Uma vida dedicada a seu país, e até limitada pelas regras a uma rainha e seus descendentes. Sempre bem posta e dedicada, apesar da idade. Parabéns, texto completo e elucidativo.

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