Por dentro da exposição “Com a palavra D. Leopoldina, Imperatriz do Brasil”.

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Entre os dias 14 de outubro de 2014 e 26 abril de 2015, o Museu Histórico Nacional (situado na Praça Marechal Âncora, Rio de Janeiro-RJ) inaugurou uma exposição destinada a contar a história de uma das personagens mais ilustres da história do Brasil: A Imperatriz Dona Leopoldina, esposa de D. Pedro I e mãe de D. Pedro II, antecipando assim as comemorações do bicentenário da chegada da arquiduquesa ao país. Com curadoria da historiadora Solange Godoy, a exposição “Com a palavra D. Leopoldina, Imperatriz do Brasil” reuniu cerca de 200 peças ligadas à soberana e ao período em que ela viveu (1797-1826), incluindo retratos e cartas de Leopoldina ao marido e à família. Todavia, como muitos não tiveram a oportunidade de comparecer à amostra, o Rainhas Trágicas traz algumas imagens da mesma. As fotos que se seguem são da autoria de Lívia Oliveira.

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Detalhe da tela de Georgina de Albuquerque, retratando a Imperatriz Leopoldina presidindo uma sessão do Conselho de Estado.

Detalhe da tela de Georgina de Albuquerque, retratando a Imperatriz Leopoldina presidindo uma sessão do Conselho de Estado.

A Imperatriz Leopoldina era quase uma cientista amadorna. Adora a mineralogia e a geologia. Ao aportar no Brasil, em 5 de novembro de 1817, se encantou com a fauna e a flora locais, chegando a enviar muitas espécies de animais para sua família na Áustria. Para caracterizar esse aspeto da soberana, a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense emprestou bonecos de tucanos, cobras e onças que foram utilizados no desfile do carnaval de 2014.

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“O fio condutor da exposição são trechos da vasta correspondência escrita por Leopoldina, que abrange desde a sua infância até a última noite de sua vida, quando já tinha consciência de sua morte iminente, num total de mais de 1.000 cartas conhecidas. Com caráter didático e lúdico, a exposição é aberta com o módulo “A Imperatriz Leopoldina no imaginário popular” apresentando como ela é percebida hoje, através da nomeação de locais, cidades e instituições; emissão de selos, moedas e medalhas; tema de músicas e de enredos, como os da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, customização de bonecos playmobil e obras de artistas contemporâneos, como Clécio Penedo”. – Museu Histórico Nacional

Litografia de Jean François Badoureau, retratando a Imperatriz Leopoldina.

Litografia de Jean François Badoureau, retratando a Imperatriz Leopoldina.

Customização de bonecos playmobil, feitos de forma a retratar o desembarque da princesa real no Rio de Janeiro, segundo litografia de Debret.

Customização de bonecos playmobil, feitos de forma a retratar o desembarque da princesa real no Rio de Janeiro, segundo litografia de Debret.

Para Solange Godoy, “Num mundo obcecado pelo novo hábito ou gesto de cristalizarmos a nossa imagem só ou acompanhada, em muitos momentos do cotidiano, tornou-se natural querermos nos ver dentro do mundo em instantâneos. Parece que de certo modo trocamos a observação do que é ou de quem está a nossa volta. Não basta ver, não vale o esforço de observar, é essencial registrar visualmente a nossa inserção na realidade retratada. Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena, arquiduquesa da Áustria, princesa de Portugal e Imperatriz do Brasil preocupara-se desde a infância em se retratar em suas cartas, mais de mil, e seus diários. Havia uma preocupação constante em retratar o ambiente social e político. O espaço arquitetônico e a natureza ao seu redor referenciam sua forma de retratar o mundo”.

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Apesar de não terem pertencido à imperatriz Leopoldina, os vestidos à cima servem para ilustrar a moda de seu tempo. Ela não era uma mulher vaidosa e procurava se vestir com modéstia, conforme ela mesma escreveu nas sua “Resoluções”, espécie de regras que ela pretendia adotar na sua vida de casada. A maioria das roupas que ela trouxe consigo, por sua vez, se mostravam inadequadas para o clima tropical do Brasil.

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Na imagem podemos observar um copo de vidro que teria pertencido à Dona Leopoldina.

Na imagem podemos observar um copo de vidro que teria pertencido à Dona Leopoldina.

Fac-Similes das cartas escritas pela imperatriz Leopoldina.

Fac-Similes das cartas escritas pela imperatriz Leopoldina.

Dona Leopoldina era uma leitora e escritora voraz. Suas cartas nos dão o testemunho de sua ativa participação no processo de emancipação política do Brasil, além de descortinar aos olhos do indivíduo os medos e as alegrias da soberana. Muitas das missivas eram endereçadas à sua irmã mais velha, Maria Luísa. Em uma delas, queixava-se dos destinos das princesas que eram dadas em casamento a um príncipe estrangeiro para selar uma aliança política. Diz ela que: ” Nós, pobres princesas, somos tais quais dados que se jogam e cuja sorte ou azar depende do resultado”.

Perfil da Imperatriz Leopoldina, executado por Jean-Baptiste Debret.

Perfil da Imperatriz Leopoldina, executado por Jean-Baptiste Debret.

Confira abaixo mais algumas imagens da exposição. Em breve atualizaremos essa galeria com mais fotos. Fique ligado(a)!

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 Agradecimentos especiais à Lívia Oliveira, por nos enviar as imagens!

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3 comentários sobre “Por dentro da exposição “Com a palavra D. Leopoldina, Imperatriz do Brasil”.

  1. Muito enriquecedora essa exposição! Resgata a memória de uma personagem brilhante da nossa história! Parabenizo a página “Rainhas Trágicas” pelo importante e belo trabalho que faz, reavivando a memória da Imperatriz Leopoldina!

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  2. Eu tive a chance de visitar a exposição em um horário muito tranquilo, em que pude observar tudo com calma. Foi uma exposição muito bonita, com elementos raros e significativos. A intenção de recriar ambientes que pudessem remeter ao dia a dia de Dona Leopoldina foi algo muito especial.
    No entanto, já que falei de raridades, a falta de mais objetos, e principalmente, de representações iconográficas da Imperatriz, foi muito sentida para mim. Seria interessante ver outros retratos, mesmo que cópias, mais retratos de seus filhos também, para conhecer melhor essas personagens de nossa história.
    De qualquer forma, foi um modo singelo, mas muito digno de homenagear nossa Leopoldina.

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