D. Carlota Joaquina é capa da edição de Setembro da Revista de História da Biblioteca Nacional

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Carlota Joaquina Teresa Caetana de Bourbon e Bourbon segue como uma das rainhas mais controversas tanto da história de Portugal, quanto da história do Brasil. Esposa do rei D. João VI e mãe do imperador D. Pedro I, a imagem que a posteridade guarda de Carlota é a de uma mulher amargurada, lasciva e mestra na intriga, que acima de tudo desejava a coroa para si, a despeito de seu marido. Entretanto, contrariando essa perspectiva pra lá de reducionista, a edição nº 96 da Revista de História da Biblioteca Nacional, com organização de Carolina Ferreo, compilou um dossiê sobre este icônico personagem, ressaltando muitas de suas qualidades, tais como a generosidade, força e independência, que ela soube manter por toda a vida. Filha do rei Carlos IV da Espanha e de Maria Luiza de Parma, Carlota Joaquina recebeu uma excelente educação, que, por sua vez, qualificavam-na como uma regente em potencial, não fosse às conspirações em que se envolvera para assumir o trono. Não obstante, devido ao fato de ser adepta do regime absolutista, em um universo cada vez mais liberal, a crônica da época não poupou palavras ao descrevê-la como a mulher maquiavélica que conhecemos hoje.

Revista de História da Biblioteca Nacional n° 96

Capa da edição nº 96 da Revista de História da Biblioteca Nacional (imagem: Carlota Joaquina, infanta de Espanha, rainha de Portugal, por Mariano Salvador Maella, 1785).

Com uma matéria de 19 páginas, a revista traz em si contribuições elementares para o estudo acerca de D. Carlota Joaquina, lançando questionamentos indispensáveis para se repensar a participação desse personagem nos eventos que marcaram a península ibérica no início século XIX. Não obstante, os textos são assinados por pesquisadores como Francisca Lúcia Nogueira de Azevedo, que é autora do livro Carlota Joaquina na corte do Brasil, e Juliana Gesuelli Meirelles, autora de Imprensa e poder na corte Joanina: a gazeta do Rio de Janeiro. Já sobre o papel da esposa de D. João VI na revolta de D. Miguel e seus sonhos frustrados de governar, a edição ainda contem textos indispensáveis, como os de Flávio Ferreira e Flávio José Gomes Cabral. Interessante também são os pequenos boxes distribuídos ao longo das páginas, que apresentam de forma breve o perfil de outras rainhas que fizeram história, tais como Isabel I da Castela, Elizabeth I da Inglaterra e Catarina II da Rússia. Sabendo da importância deste incrível material, o portal Rainhas Trágicas traz para você, nosso leitor, os scans das 19 páginas do dossiê Carlota Joaquina em ótima resolução. Para fazer o download, basta CLICAR AQUI. Aproveitem!

ps. Ao baixar o arquivo, por favor, deixe um comentário nessa postagem. Grato.

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4 comentários sobre “D. Carlota Joaquina é capa da edição de Setembro da Revista de História da Biblioteca Nacional

    • D. Carlota pode até ter tido um comportamento sexual nada recatado, porém não podemos resumi-la a isso! Ela foi uma mulher de opiniões políticas fortíssimas e sem medo de sofrer as consequências de seus atos. Uma mulher que foi corajosa e determinada a ponto de preferir o exílio à abdicar de seu poder absolutista merece muito respeito.

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  1. Oi, Enzo!
    Discordo totalmente de você, me desculpe.
    Carlota Joaquina pode ter se destacado como uma das mais “fortes e corajosas” rainhas – em termos de obstinação e vontade de levar a coroa – mas não foi um exemplo… digamos assim, de bom caráter. Não, os historiadores, pesquisadores e biógrafos (de ontem e de hoje) são praticamente unânimes em afirmar: A rainha tinha uma tonelada de defeitos de caráter.
    Além, é claro, da famosa feiúra (afirmada e reafirmada por todo tipo de gente, de diplomatas a criados), Carlota era manipuladora, egoísta, cruel, irascível, impaciente, mãe descuidada e desnaturada, desleixada com a higiene, vingativa, ambiciosa, materialista… e por aí vai! Só para citar algumas das suas “características”. 😦

    Segundo os cronistas da época, ela não tentava sequer esconder seu ódio ao marido, ao Brasil e ao filho D. Pedro, preterido por D. Miguel (o seu queridinho). Só o fato de ela repudiar e repelir os filhos já mostra o quão infame era o seu perfil psicológico.

    Então não nos resta muito o que comentar dessa criatura malfadada, feia por dentro e por fora.

    O que ela fez de bom? Talvez tenha criado com amor Dom Miguel… mas nem isso pode redimi-la, já que o filho mimado a abandonou quando já não precisava mais dela. Tanto é que ela morreu sozinha e infeliz, enquanto Miguel subia ao tão sonhado trono português.

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