220 anos da morte de Maria Antonieta: o que mudou?

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Maria Antonieta de Habsburgo-Lorena ainda hoje é considerada um dos maiores ícones da cultura popular. Rainha da França entre 1774 a 1792, ela foi decapitada em 16 de outubro de 1793, em meio à fase do terror da revolução que assolou aquele país, quatro anos antes. Desde então, sua imagem vem passando por uma série de transformações, em que ora ela é reverenciada como mártir, ora como símbolo da moda, e também como a grande responsável pela miséria do povo. Ao perguntar para as pessoas o que elas sabem sobre a última rainha da França, muitos com certeza se lembrarão da icônica frase que, por sua vez, ficou intrinsecamente ligada à figura dela: “se não têm pão, que comam brioches”. Esse mito, como tantos outros, constitui-se no perfeito exemplo de como uma mentira, se contada mil vezes, pode se tornar uma verdade. Nesse caso, é interessante notar que 220 anos depois de morta, a esposa de Luís XVI consiga ainda reunir em torno de si um círculo composto tanto por admiradores quanto por detratores. Em tese, questionam-se: porque ela gastava incontáveis somas de dinheiro com festas, roupas e joias, e deixava o povo à míngua? Essa pergunta é muito fácil de responder.

Maria Antonieta em 1762, por Jean-Etienee Liotard (1762)

Maria Antonieta, por Jean-Etienee Liotard (1762)

Com efeito, para melhor compreender o comportamento desta trágica soberana frente às necessidades do seu país, é preciso olhar com mais atenção para sua infância, quando ainda era uma arquiduquesa da Áustria e não tinha outra preocupação, além de suas bonecas. Maria Antonieta era filha de ninguém menos que Maria Teresa (conhecida como a Grande), soberana do Sacro Império Romano-Germânico e rainha da Hungria e da Boêmia. Ela, juntamente com seu marido, Francisco Estevão, comandava um vastíssimo império, tendo uma prole considerável de filhos (16 no total). Dessa forma, em meio a assuntos de Estado e funções de mãe, seria difícil dar a devida atenção para a educação das crianças, de modo que, para isso, designou preceptores para cada uma delas. Estes, por sua vez, eram nada menos que servos dos arquiduques e arquiduquesas¹, devendo, portanto, obediência a eles, inclusive quando os pais não estavam de corpo presente.

Quando o contrato de casamento entre Maria Antonieta (que na época se chamava Antoine) e Luís Augusto (mais tarde Luís XVI) foi assinado, a Imperatriz percebeu que a educação de sua filha mais nova havia sido desleixada. Então, veio da França o Abade Vermond para instruir a garota de acordo com a etiqueta francesa. Entretanto, Vermond constatou que seria muito difícil educar a então Delfina, uma vez que, desde pequena, permitiu-se que ela fizesse tudo o que queria, sem, contudo, imporem-se limites aos seus caprichos. Não que ela fosse desinteressada. Pelo contrário. Mas era uma menina impaciente e muito fácil de se distrair com qualquer coisa. Sendo assim, seria muito complicado fazer uma princesa, que nasceu no berço mais dourado da Europa, aceitar ordens, quando cresceu no pensamento de que as pessoas estavam ali unicamente para lhe servir.

Maria Antonieta era uma menina doce, carinhosa e alegre, mas o ambiente para qual ela iria não. A França sob o reinado de Luís XV, especialmente a corte de Versalhes, era o lugar mais decadente e perigoso para uma menina de 14 anos, sozinha, sobreviver sem sequelas morais. Quando as bodas oficiais entre ela e o Delfim tiveram lugar, em 1770, Antonieta logo se viu no centro do furacão de mexericos envolvendo sua pessoa. Naqueles tempos, a grande estrela do palácio era Madame Du Barry, a amante do rei. Uma mulher de baixa extração social que, graças ao seu relacionamento com o monarca, foi elevada à patente de condessa. A nobreza antiga, que odiava a favorita, não tardou em usar a Delfina para derrubar aquela dama. Antonieta, que ainda estava tentando se adaptar àquele universo de etiquetas, viu nisso a oportunidade de ser aceita no círculo de cortesãos, mal sabendo que com isso estava se envolvendo em perigosas intrigas que lhe depreciariam aos olhos preconceituosos dos franceses, que nunca aceitaram por completo o fato de uma austríaca ser sua futura rainha.

Maria Antonieta como Delfina da França, por Joseph Krantzinger (1771).

Maria Antonieta como Delfina da França, por Joseph Krantzinger (1771).

Por outro lado, para deixa-la mais à vontade, Luís XV fazia quase todas as vontades da jovem. Esse foi um erro gravíssimo! Enquanto a Imperatriz Maria Teresa exortava a filha a assumir uma posição mais firme e conservadora, Antonieta começava a descobrir o mundo de possibilidades que o rei lhe botava nas mãos. Como a maioria das jovens de 16 anos, que cresceram no meio da riqueza, ela começou a esbanjar dinheiro com vestidos e acessórios, sem ter noção de que seus inimigos (notadamente os seguidores de Madame Du Barry) estavam usando esse comportamento para argumentar o quão ela era indigna de sua posição. Destarte, essa situação só viria a piorar quando em 1774 ela e seu marido subiram ao trono da França, tendo eles 18 e 19 anos, respectivamente. Ou seja, dois jovens inexperientes no meio de uma maré de interesseiros e falsos bajuladores.

Do mesmo modo que seu avô, Luís XVI continuou a patrocinar os divertimentos de Maria Antonieta, para, dessa forma, afastar o possível interesse dela pelos assuntos políticos. De acordo com a lei sálica, datada do século XIV, uma mulher jamais poderia herdar a coroa francesa. Mas isso não impediu que muitas rainhas assumissem a regência por seus filhos, como é o caso de Carina de Médicis (1519-1589) e Ana d’Áustria (1601-1666). Entretanto, não era a intenção do rei e dos seus ministros xenófobos terem no seu círculo uma estrangeira defendendo os interesses de sua mãe e irmão, o Imperador José II. Dessa forma, o meio mais eficaz que o rei encontrou para manter a mente da esposa ocupada, foi lhe dar dinheiro para que ela gastasse com o que quisesse, mesmo sabendo que os cofres públicos estavam em déficit.

Todavia, diferentemente do que muitos dizem, se fosse dada a Maria Antonieta a oportunidade de se envolver em questões administrativas, talvez não se mostrasse tão frívola, como prova uma carta que ela enviou à mãe, em 1774:

“… Do pouco que entendo de política, parece que as coisas no momento estão muito difíceis e que o falecido rei [Luís XV] deixou o país em muito mal estado. É impossível satisfazer a todos num país em que o povo é tão volúvel e impaciente a ponto de querer ter tudo de uma só vez…” (apud HASLIP, 1989, p. 84).

É possível perceber por esse pequeno trecho da correspondência da rainha da França para a Imperatriz Maria Teresa que ela, apesar do pouco conhecimento que tinha da situação da França, notou uma das maiores características do povo: a impaciência. Foram essas mesmas pessoas que, movidas pela sua sofreguidão, cobraram de uma jovem de 18 anos uma maturidade que ela ainda não tinha e que, devido aos seus caprichos alimentados pelo próprio marido, só muito tardiamente iria adquirir uma consciência do seu papel. Mas, quando isso aconteceu, o tempo já havia se esgotado.

Após a materinade, Maria Antonieta mudou o estilo de suas roupas. De juvenis e provocantes, para trajes mais conservadores, como podemos observar neste retrato pintado por Elisabeth Vigée Le Brun (1786).

Maria Antonieta em trajes mais sóbrios, por Elisabeth Vigée Le Brun (1786).

Antonia Fraser, autora da biografia mais popular de Maria Antonieta nesta última década, ressalta como aquela mulher, outrora extremamente vaidosa e coquete, mudou seu comportamento após o nascimento da sua primeira filha, em 1778. Com efeito, assim como acontece com a maior parte das mulheres, a maternidade mudou o modo como Antonieta via as coisas: ela passou a se vestir com maior sobriedade (o que pode ser comprovado pelos seus retratos pintados durante a década de 1780) e a se preocupar com a educação dos filhos. Porém, sua fama nas ruas de Paris já não era das melhores, devido à circulação de inúmeros panfletos clandestinos em que a rainha protagonizava verdadeiras orgias sexuais, inclusive com suas melhores amigas. Os responsáveis por tais calúnias eram os membros da nobreza antiga que, após a ascensão de Luís XVI, se ressentiram com família real por esta distribuir favores a cortesãos novos em vez de dar atenção àqueles duques e marqueses, cuja ascendência remontava no mínimo há dois séculos.

Sendo assim, é possível perceber que a chama que insuflou o ódio da população contra a rainha não estava entre o terceiro estado, mas sim no seio da própria corte de Versalhes. Foi graças a isso que reviveram a famosa frase do brioche. De acordo com Antonia Fraser,

“… Esta história foi contada pela primeira vez a respeito da princesa espanhola que desposou Luís XIV cem anos antes da chegada de Maria Antonieta à França; continuou a ser repetida atribuída a uma série de outras princesas durante todo o século XVIII. Como clichê jornalístico muito prático, talvez nunca morra…” (FRASER, 2009, p. 13-14).

Contudo, esse comportamento, diga-se de passagem, ignorante por parte de Maria Antonieta não combinava com ela, como foi possível de ser observado a partir do trecho de sua carta, citada anteriormente. Não obstante, durante os anos da revolução, ela finalmente despertou de seu longo sono de inércia, ou, como Stefan Zweig diz, ela foi forçada pelas circunstâncias a adotar uma postura mais firme, quase heroica. Afinal, seria preciso muita coragem para enfrentar uma enorme população sedenta por sangue, que invadiu os portões de Versalhes em 05 de outubro de 1789, exigindo a cabeça da rainha, saindo com a honra e dignidade intactas.

Maria Antonieta em trajes de viúva, segundo obra de Alexandre Kucharski.

Maria Antonieta em trajes de viúva, segundo obra de Alexandre Kucharski.

“É no infortúnio que melhor sentimos o que somos”, disse Antonieta durante os últimos anos de sua vida, e ela estava certa. De acordo com o historiador inglês Munro Price, a rainha manteve uma política à parte da de Luís XVI entre os anos de 1790 e 1792, conferenciando pessoalmente com emissários estrangeiros e negociando com as demais potências europeias para que ajudassem a família real, cativa no Palácio da Tulheiras, em Paris. Mas, como a própria rainha disse que seu “destino era trazer desgraça”, nenhuma de suas ações resultaram em benefício para seus filhos e marido. Com efeito, dificilmente uma pessoa que, durante toda a vida permaneceu afastada da política, seja por interesse pessoal ou pela vontade alheia, conseguiria se sair bem em uma situação de tensão, e Maria Antonieta é a prova disso. Muitas pessoas ao recordarem seu nome, e ligarem-na ao despotismo da monarquia francesa, se esquecem de que, não fosse pela incompetência do rei e de seus ministros, o resultado dos acontecimentos poderiam ter tomado um curso distinto. O papel de uma rainha consorte não incluía a interferência da mesma na administração do governo, a menos que fosse solicitada a isso.

Outro ponto interessante para pensarmos é que, como rainha e esposa, a única pessoa a quem ela devia obediência era a Luís XVI, de modo que cabia apenas a ele o poder de pôr um basta nas extravagâncias da mulher. Não digo com isso que a culpa é somente dele. Muito pelo contrário. Maria Antonieta por anos foi negligente quanto às suas funções de soberana, preocupando-se em se livrar do tédio que era sua vida em Versalhes, e nada mais. Por outro lado, as acusações levantadas contra ela durante seu julgamento entre os dias 14 e 15 de outubro de 1793 são a mais pura amostra da perversidade humana. Ao analisá-las, dificilmente o observador que tenciona ser imparcial poderá acreditar que a ci-devant rainha poderia ter sido capaz de cometer incesto com o próprio filho de oito anos de idade. Quanto a isso, a própria acusada vociferou: “… a natureza se recusa a responder tal acusação feita a uma mãe. Apelo a todas as mães que possam estar presentes aqui” (apud. LEVER, 2004, p.336).

Após essa reação, houve uma mudança de clima no corpo de espectadores do julgamento, composto na maioria por mulheres. Se antes queriam ver a ruína daquela a quem chamavam de Madame Déficit, agora tomavam-lhe o partido, pois aquela acusação tocava no âmago materno de cada uma delas. Mas como o julgamento de Maria Antonieta nada mais foi do que uma encenação, cuja intenção desde o princípio era culpá-la por todo tipo de crime, (inclusive de ter criado os próprios panfletos que a difamavam para que, assim, sua família na Áustria se apiedasse de sua situação), ela foi condena à morte pela guilhotina. Todavia, diferentemente de Luís XVI, que teve uma carruagem fechada para levá-lo ao patíbulo, a ela estava reservada uma simples carroça para prisioneiros comuns. Se antes havia sido adorada como uma deusa no palco da corte, nada mais tinha restado do seu brilho de outrora: seu cabelo, antes louro, esbranquiçou-se em menos de dois anos, sendo tosado para que o pescoço da vítima livre para a lâmina da guilhotina; ela, que tinha o maior guarda-roupa da Europa (ocupava três cômodos do palácio de Versalhes), nas horas finais dispunha apenas de um simples vestido branco e uma touca, conforme ficou registrado no rascunho de David.

Maria Antonieta sendo transportada à guilhotina (rascunho feito do natural, por Jacques Louis-David).

Maria Antonieta sendo transportada à guilhotina (rascunho feito do natural, por Jacques Louis-David).

Maria Antonieta enfrentou a morte com dignidade, diferentemente de seus algozes, Hébert e Robespierre. Após a restauração dos Bourbon, em 1815, começou um verdadeiro culto à imagem da rainha mártir, algo que permaneceu durante quase todo o século XIX. Entretanto, a partir do século XX, surgiu um interesse maior sobre a vida privada da soberana, especialmente acerca do seu possível relacionamento com o conde sueco Fersen. A partir daí, uma Antonieta mais humana e apaixonada surgiu aos olhos da posteridade. Dependendo do ponto de vista de cada pessoa, ela ainda continuará a ser ícone da moda, femme fatale, leviana, mulher, mãe, culpada, inocente, etc. E essa visão multifacetada, por sua vez, é o elemento mais interessante da história daquela mulher que viveu e amou intensamente, assim como muitos de nós. Nesse caso, é preciso então saber olhar para o passado e reconhecer em personagens como essa, uma pessoa humana e, portanto, passível de defeitos. A grande diferença, e também o ponto principal da questão, é que ela não está mais aqui para se defender.

Referências Bibliográficas:

FRASER, Antonia. Maria Antonieta. Tradução de Maria Beatriz de Medina. 4ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2009.

HASLIP, Joan. Maria Antonieta. Tradução de Eduardo Francisco Alves. – Rio de janeiro: Zahar, 1989.

LEVER, Evelyne. Maria Antonieta: A última rainha da França. Tradução de S. Duarte. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

PRICE, Munro. A queda da monarquia francesa. Tradução de Julio Castañon Guimarães. – Rio de Janeiro: Record, 2007.

ZWEIG, Stefan. Maria Antonieta. Tradução de Medeiros e Albuquerque. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.

Texto escrito para a sexta edição da Revista Leiteratortura.


¹ Título que designava os filhos e filhas do Sacro Imperador Romano-Germânico
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11 comentários sobre “220 anos da morte de Maria Antonieta: o que mudou?

    • Olá, Rafael!
      Maria Antonieta foi uma das rainhas que mais teve sua história retratada pelo cinema. Dentre os filmes mais conhecidos, o dirigido por Sofia Copola (2006) é maravilhoso, e teve como inspiração para o roteiro a biografia escrita por Antonia Fraser. É muito difícil encontrar alguma produção midiática que não tenha certo teor de invenção, mas esse filme em particular é muito interessante, pois faz uma verdadeira festa à memória da rainha. Você pode conferir uma resenha dele clicando nesse link: https://rainhastragicas.com/2012/11/02/o-universo-colorido-do-filme-maria-antonieta-2006/

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  1. Já anteriormente lhe tinha respondido aos seus comentarios, conhece a historia dos Capetos ultimos Reis de frança, e o seu sucessor ao trono Louis xvii, desaparecido em 1795, da concierge, para Portugal??? “CAPETO” significa encapotado por DEUS, linhagem Sagrada, do REI CLOVIS I, ano 496, mas infelizmente manchada pelo REI FILIPE BELO seculo XIV com a extreminação da ordem dos templarios, purificação essa que teria que ser feita quinhentos anos depois, na revolução Francesa XVIII, e 220 anos após com uma benção de DEUS, “O ESPIRITO SANTO , SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS .LOUIS XVII que está destinado a (reaparecer como melquisdec REI do Mundo ) Na figura de Cristo,.e será o REI de Toda A TERRA da ERA DE AQUARIA POR MILÈNIO. A linhagem CAPETO Primerios Reis de França, descendencia Santo Graal (Jesus Cristo,Maria Madalena, Casa de Davi…..! Virgem Maria em Fátima Portugal 1917 “POR FIM O MEU IMACULADO CORAÇÂO TRIUNFARÀ” “2000 Anos” como está nas escrituras sagradas.

    cumprimentos.

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    • Já lhe respondi em comentários anteriores que Luís Carlos não sobreviveu, morrendo provavelmente na torre do templo (ele nunca foi para a Conciergerie). Isso foi provado pelos exames de DND que fizeram no coração dele. Destarte, muito obrigado pelo interesse!

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  2. Nossa nunca vir nada escrito com tanta clareza de Maria Antonieta , desde os meus dez anos quando ouvir falar de Maria Antonieta que fui pesquisar sobre ela tinha me apaixonado por essa rainha tão bela e de gosto exótico ,mas quando ia me a profundando as pesquisas só via acusações, todavia nunca deixei de admirar a bela monarca , sou um grande admirador da soberana ,sempre me inspiro em sua pessoa (Maria Antonieta), Parabéns pelo site !

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