Por: Renato Drummond Tapioca Neto
Hoje em dia, temos a ideia de um quarto como ambiente reservado e aconchegante, no qual os sujeitos podem se sentir mais à vontade. Tal compreensão se desenvolveu com o triunfo da burguesia, após os processos revolucionários do século XVIII. Contudo, no antigo regime monárquico, os cômodos ocupados por reis e rainhas eram tudo, menos privados. Eram locais onde a etiqueta da corte eram observados nos mínimos detalhes. Gestos que atualmente podem parecer banais, como acordar, fazer o asseio matinal, tomar o desjejum, trocar de roupa, ler um livro, vestir uma camisola ou se deitar para dormir eram feitos diante dos olhos de milhares de nobres. Estes, por sua vez, consideravam um privilégio participar de tais momentos, investidos de um caráter cerimonial. Os quartos das rainhas eram espaços onde o casal cumpria suas funções conjugais, sempre com o objetivo de perpetuar a linhagem real, jamais o prazer. Até mesmo parir era um ato público, como forma de garantia de que a criança era mesmo filha da gestante. Os instantes que antecediam a morte das soberanas também contavam com a presença de suas damas de companhia e de membros da nobreza, sempre obedecendo uma hierarquia sem fim de títulos e cargos.
Dessa forma, os quartos ocupados pelas rainhas eram lugares públicos e geralmente compostos por uma câmara de dormir, com uma balaustrada protegendo o leito ricamente decorado com um dossel; uma sala de visitas, onde recebiam cortesãos e enviados estrangeiros; uma biblioteca; um cômodo para guarda-roupas; uma sala de banho e asseio; e um quarto para os guardas que deveriam proteger a esposa do rei. Tais ambientes eram também uma expressão da identidade de cada monarca e se tornaram uma manifestação simbólica de seu corpo político. Conforme esclarece Michelle Perrot:
Lugar de espetáculo, palco, centro e instrumento de poder, o quarto do rei não tem na verdade nenhum papel íntimo. Nele o rei se levanta e se deita, mas pouco dorme. Logo que está oficialmente deitado, seu camareiro-mor o conduz quase toda noite aos aposentos da rainha, com sua espada e seu urinol, que depois coloca na saleta, sobre uma poltrona. O rei respeita o “dever conjugal” como o fará Luís XV nos primeiros anos de seu casamento com Maria Leszcynska, com quem terá nove filhos. De manhãzinha, o camareiro-mor vai buscá-lo com o propósito de o levar ao seu quarto para a cerimônia do despertar. […] Esta falta de intimidade existe para todos os cortesãos, o que a princesa palatina, tão chocada com a diferença de culturas, deplora em Versalhes e ainda em Marly: “Não temos apartamento, a não ser para dormir e nos vestir, mas no momento que isso é feito, tudo é para o público” (PERROT, 2011, p. 39).
Não obstante, os quartos das rainhas também já foram alvo de fofocas, calúnias e de atos violentos, como o que aconteceu na câmara de dormir de Maria Antonieta, na madrugada de 6 de outubro de 1789, quando foi invadida por uma turba de revolucionárias, que destruíram a decoração e a cama com o dossel de estado. Esses ambientes foram palco de acontecimentos que mudaram o curso da história e hoje sobreviveram para dar um valioso testemunho do passado. Nessa matéria, selecionamos algumas imagens de quartos ocupados pelas mais icônicas soberanas do antigo regime e quais segredos de alcova estes ambientes podem nos contar:
ANA BOLENA

Diferentes ângulos do quarto de Ana Bolena, no castelo de Hever.
Possível quarto ocupado por Ana Bolena, no castelo de Hever, em Kent (Inglaterra). Tendo nascido possivelmente no ano de 1501 na propriedade de Blickling Hall, em Norfolk (próximo do dia de Santa Ana, em julho), Ana Bolena era a segunda filha de Sir Thomas Bolena com Elizabeth Howard (filha do duque de Norfolk). Em 1505, com a morte do pai de Sir Thomas, William, a família se mudou para o castelo, onde viveu até o ano de 1539, quando a propriedade passou para a Coroa após a morte do pai de Ana Bolena. Durante esse período, Ana permaneceu boa parte de sua infância em Hever, até ser enviada para o continente, onde recebeu uma educação primorosa na corte da arquiduquesa Margarida da Áustria, em Bruxelas, e depois na corte da rainha Claude de Valois, na França. De volta à Inglaterra em 1522, ela se envolveu amorosamente com Henry Percy, filho do conde de Northumberland. Como aquela relação incomodou ao cardeal Wolsey, chanceler do reino, Ana fora banida da corte inglesa para Hever, de onde só retornou em 1526.
Dois anos depois, quando seu caso com o rei Henrique VIII já era de conhecimento público, ela contraiu a chamada “doença do suor”, precisando ficar acamada no lar ancestral de sua família até a convalescença. Em 1983, a propriedade foi adquirida pela Broadland Properties, que fez alguns reparos no edifício do século XIII. Assim, o quarto de Ana Bolena recebeu móveis entalhados em madeira de carvalho, incluindo uma cômoda e um aparador. As paredes também foram decoradas com retratos póstumos da rainha, cortinados e um esboço original feito por Hans Holbein, o Jovem, que se acredita ser uma representação de Sir Thomas Bolena. Igualmente interessante é a porta em madeira de carvalho, que dá acesso a uma escadaria circular, próxima da cômoda com o painel de cortinas em veludo carmesim, que servem de moldura para o retrato da mãe da rainha Elizabeth I. O castelo de Hever também possui uma das maiores coleções de arte do período Henriquino, como dois livros de oras que pertenceram à segunda esposa do monarca, contendo sua assinatura e frases rabiscadas por ela nas margens dos textos sagrados.
CATARINA DE MÉDICI

Quarto de Catarina de Médici, no Château de Chenonceau.
Catarina de Médici entrou para a história da França como uma das rainhas mais prolíficas. Ao todo, ela engravidou 10 vezes, entre 1543 e 1555. Contudo, demorou uma década para que ela apresentasse os primeiros sinais de uma gestação, desde sua chegada, em 1533. Isso porque seu marido, Henri, duque de Orléans, futuro rei Henrique II, devotava todo seu afeto para a amante, Diane de Poitiers. Foi a própria Maîtresse do monarca que teria passado alguns segredos para a rainha, sobre como conseguir engravidar do marido. A partir do nascimento do primeiro filho, o futuro rei Francisco II, Catarina engravidou praticamente uma vez por ano. Após a morte do rei em duelo de justa, em 1559, Catarina passou a cultivar a vida de viúva na intimidade do belíssimo Château de Chenonceau. Até hoje, seus aposentos privados no Palácio se encontram preservados, com as pareces cobertas por ricas tapeçarias, a cama com dossel em cima de um estrado, tendo ao lado uma tela representando uma cena da mitologia greco-romana. Trata-se, porém, de uma reconstrução, contendo móveis que remontam ao período em que Catarina ocupou o ambiente. Antiga propriedade da Coroa e utilizado como residência real, Chenonceau é banhado pelo rio Cher). Também conhecido como Château des Dames, o prédio foi construído em 1513 por Katherine Briçonnet e sucessivamente embelezado por Diane de Poitiers e depois por Catarina de Médici.
MARY STUART

Quarto de Mary Stuart, no Palácio de Holyroodhouse.
Rainha da Escócia pelo nascimento, rainha da França pelo casamento e pretendente ao trono inglês, Mary Stuart se tornou o epítome da soberana trágica. Tendo se casado três vezes, a rainha tinha um quarto diferente em cada um dos Palácio Reais da Escócia. Possivelmente, foi nesse cômodo no Palácio de Holyroodhouse onde ela consumou seu segundo matrimônio, com Henry Stewart, Lorde Darnley, em 29 de julho de 1565. Seu único filho sobrevivente com ele, o rei James VI, nasceu no castelo de Edimburgo. Três meses após o assassinato de Darnley, em 1567, ela se casou em terceiras núpcias com James Hepburn, IV conde de Bothwell. Alguns pesquisadores especulam que Hepburn teria violado a rainha em seu próprio leito, forçando-a assim a se casar com o possível assassino do rei consorte, para salvar sua honra. Dessa união, Mary engravidou novamente de gêmeas, mas a gestação não vingou. Naquele mesmo ano, a soberana foi derrotada por uma coligação de lordes rebeldes, liderados pelo seu meio-irmão bastardo, o conde de Moray, e então forçada a abdicar da coroa em favor do pequeno príncipe James. O teto de carvalho do quarto da rainha em Holyrrodhouse é ricamente entalhado com padrões intricados, assim como os móveis, e nele podemos ver as iniciais dos pais da soberana, o rei James V e a rainha Marie de Guise. Já a tela na parede sobre a cômoda, adquirida pela rainha Vitória no século XIX, trata-se de uma releitura de “A Adoração dos Magos”, pintada por volta de 1530-50, por artista desconhecido.
ANA DE ÁUSTRIA

Quarto de Ana de Áustria, rainha da França, no Château de Fontaineableau.
Antes da construção do Palácio de Versalhes, na segunda metade do século XVII, a família real francesa residia nos belíssimos Palácios do Louvre (atual sede do famoso Museu) e nos Château do Vale do Loire, como Chambord e Fontainebleau. Neste último, ainda se encontram preservados os imponentes aposentos de Ana de Áustria, rainha consorte de Luís XIII e mãe de Luís XIV. Seus primeiros anos na corte francesa, porém, foram bem difíceis, principalmente por causa da ausência de herdeiros. Não obstante, ela tinha desentendimentos com sua sogra, Maria de Médici, e precisava lidar constantemente com a apatia do marido. Apenas em 1638, após uma série de abortos, ela conseguiu dar à luz ao futuro Luís XIV. Dois anos depois, nasceu Felipe, duque de Orléans. O parto tardio de dois garotos gerou rumores de que o rei talvez não fosse o pai dos meninos e sim o amigo pessoal da rainha e futuro Primeiro Ministro, o cardeal Mazarin. Entretanto, Luís XIII nunca questionou a paternidade das crianças. Em 1643, quando ele morreu, a coroa passou para a cabeça do seu filho de 5 anos. A rainha foi então nomeada regente, conseguindo proteger o trono de seus rivais e negociou o casamento de sua sobrinha, Maria Teresa (filha do rei Felipe IV) com o primo, para selar a paz com o reino vizinho. Ana de Áustria faleceu em 20 de janeiro de 1666, aos 65 anos.
MARIA ANTONIETA

Fotografia do quarto de Maria Antonieta, no Palácio de Versalhes.
A jovem Maria Antonieta da Áustria teve um susto muito grande quando se mudou para a corte de Versalhes, aos 14 anos, em 1770. Após a cerimônia de casamento, toda a corte seguiu para o quarto do casal, para vê-los sendo despidos e as cortinas do dossel da cama, fechadas. Esperava-se que o matrimônio fosse consumado naquele momento. Anteriormente, aqueles aposentos haviam sido ocupados pelas rainha Maria Teresa da Espanha e Maria Lezsczynska. Em cartas para a mãe, a imperatriz Maria Teresa do Sacro-Império, ela se queixava de que tinham que passar o rouge diante dos olhos do mundo todo. Isso porque, no Palácio do Rei Sol, todas as nobres tinham o privilégio de ver a rainha despertar, tirar sua chemise e se vestir. A entrega de cada objeto feita a Antonieta, porém, era considerada um direito da mulher de maior título presente ali no quarto. Essa cerimônia do despertar era chamada de Lever. Ao final do dia, havia a cerimônia do coucher, quando as vestes eram retiradas e a soberana preparada para se deitar, à espera do marido. As funções conjugais nunca eram cumpridas no quarto de Luís XVI e sim no de sua esposa. Dessa forma, quando o rei era vestido com o roupão e se dirigia ao leito da esposa, toda a corte ficava atenta. De manhã bem cedo, o monarca era despertado por seu valete e reconduzido ao seu próprio quarto, localizado no coração do Palácio.
Maria Antonieta e Luís XVI demoraram cerca de sete anos para consumar sua união. Quando a rainha deu à luz sua primeira filha, em dezembro de 1778, batizada de Maria Teresa Carlota, toda a corte estava apinhada no quarto. A experiência foi tão estressante para a soberana que, na ocasião do parto de seu segundo filho, em 1780, ela foi assistida apenas pelos médicos e damas de companhia. Foi nesse local que, na madrugada do dia 6 de outubro de 1789, a rainha começou a ouvir uma gritaria que parecia se aproximar cada vez mais. Uma de suas damas abriu as portas da antecâmara e encontrou um guarda bastante ferido e com o rosto ensanguentado. Este gritou para a serviçal: “Senhora, salvai a rainha; querem assassina-la”. De forma frenética, as damas vestiram Maria Antonieta e correram para os aposentos do rei, através de uma escada secreta anexa aos seus aposentos. Mal Antonieta e suas damas haviam deixado o quarto e um grupo de invasores, depois de matar dois guardas, penetrou no recinto e “perfuraram a grande cama da rainha com suas lanças, fosse para garantir que ela não estava ali escondida, fosse como ato simbólico de desafio” (FRASER, 2009, p. 327). Hoje, o quarto de Maria Antonieta em Versalhes é uma reconstituição de como teria sido o ambiente, durante a vida de sua ilustre ocupante.
CHÂTEAU DE FONTAINEBLEAU

Quarto das rainhas da França do Château de Fontainebleau.
Um quarto menos conhecido de Maria Antonieta é o do Château de Fontainebleau. Embora nunca tenha ocupado oficialmente o ambiente, uma vez que residia em Versalhes, ele foi preparado de acordo com o status de uma rainha da França, incluindo a balaustrada que separa a esposa do rei daqueles que compareciam às tradicionais cerimônias do Lever e do Coucher. Na verdade, este quarto no Palácio de Fontainebleau foi utilizado por todas as rainhas e imperatrizes da França, de Maria de Médici no início do século XVII até Eugénia de Montijo, na segunda metade do século XIX. Ao longo dos anos, cada soberana deu um toque particular para embelezar os aposentos. A cama, por exemplo, foi encomendada por Maria Antonieta, mas só ficou pronta em 1797, quando a rainha já tinha falecido. Quem acabou inaugurando-a, entretanto, foi a imperatriz Joséphine, que também mandou redecorar todo o ambiente, com novos papeis de parede, conforme podemos ver na fotografia em destaque. Assim, o quarto acabou chegando aos dias de hoje mais como uma expressão do gosto da primeira imperatriz dos Franceses, do que como uma representação da última rainha da França absolutista.
RAINHA CHARLOTTE

Quarto onde morreu a rainha Charlotte de Mecklemburgo-Strelitz, no Palácio de Kew.
Detalhe do quarto da rainha Charlotte de Mecklemburgo-Strelitz no Palácio de Kew, com destaque para a poltrona onde a soberana morreu, em 17 de novembro de 1818. A esposa do rei George III foi uma das consorte reais mais prolíficas da história do Reino Unido, tendo gerado 15 príncipes e princesas. A numerosa prole era criada na Buckingham House, atual Palácio, na época conhecido como “casa da rainha”. Por ocasião de sua morte, Charlotte tinha 74 anos e sofria de hidropsia, o que lhe causava inchaço e provocava bastante dor. Ela havia se retirado para Kew, na esperança de uma recuperação em meio à natureza que cerca o Palácio. Infelizmente, ela contraiu uma pneumonia e acabou falecendo, deixando seu marido viúvo. O caixão da soberana foi chumbado e depois colocado sobre um estrado na sala de jantar, localizada no andar de baixo. Ali, a rainha Charlotte foi velada com luminárias enviadas diretamente da Torre de Londres. O ambiente estava todo envolto em seda preta.
Durante 10 dias, os visitantes foram admitidos para prestar seus últimos tributos em memória da monarca. O funeral, por sua vez, aconteceu no dia 2 de dezembro, na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor (onde Charlotte se encontra atualmente sepultada, ao lado do marido). Apesar do frio e do mau tempo, milhares de pessoas se aglomeraram ao redor do Palácio para testemunhar a jornada final da rainha. Afinal, Charlotte serviu como Consorte Real por quase 58 anos, sendo a mulher que por mais tempo ocupou esse posto na história do Reino Unido. Durante o reinado de sua neta, Vitória, os apartamentos da rainha no Palácio de Kew foram mantidos tal como eram em seu tempo de vida, de acordo com as ordens da monarca reinante. Próximo da lareira ao lado da cama com dossel, uma placa sinaliza ao visitante o desejo da rainha Vitória, enquanto sobre a poltrona preta uma fita (amarrada por uma das damas de companhia da esposa do rei George III), diz: aqui morreu a rainha Charlotte, em 17 de novembro de 1818.
QUARTO NO CASTELO DE WINDSOR

Cama usada por Napoleão III, durante sua visita ao castelo de Windsor com a imperatriz Eugénia de Montijo, em 1855.
“Uma cama para um Imperador”. Quando Napoleão III visitou a rainha Vitória pela primeira vez no castelo de Windsor, em 1855, ele foi instalado em acomodações especialmente preparadas para um soberano. No quarto reservado ao monarca, ele dormiu numa cama que originalmente havia pertencido a George IV, tio de Vitória, que costumava ficar na residência do falecido rei, a Carlton House (Londres), desde a década de 1780. O leito foi redecorado para Napoleão com as cores de seu brasão: púrpura e verde. Magníficas plumas foram colocadas no topo do dossel, forrado com seda. Atualmente, a cama do rei, que mede 194cm × 260cm, pode ser vista no castelo de Windsor.
ELSABETH DA ÁUSTRIA

Quarto da imperatriz Elisabeth da Áustria, no Hofburg.
Fotografia do bourdoir privado da imperatriz Elisabeth da Áustria, mais conhecida como Sissi, no Palácio Hofburg, em Viena. As paredes com forro carmesim são decoradas com fotografias emolduradas dos parentes e amigos que a soberana mais gostava. Tanto personalidades de sua família na Baviera, quanto de indivíduos da família Habsburgo pelos quais a soberana tinha afeição, especialmente seus sobrinhos. A imperatriz Elisabeth da Áustria, ao contrário das outras rainhas até aqui mencionadas, valorizava a sua privacidade e detestava todo o cerimonial da corte, o que incluía a presença de várias damas e nobres nos seus aposentos. Ela e o imperador Francisco José foram mais de quatro filhos. Após o nascimento da última, a arquiduquesa Maria Valéria, em 1868, a imperatriz sentiu cada vez mais necessidade de se distanciar de todo o protocolo dos palácios imperiais e começou a fazer longas viagens pelo continente. Ela retornava para seus aposentos no Hofburg apenas em determinadas temporadas, quando se via, por força do protocolo, a cumprir seus deveres como soberana consorte.
VITÓRIA EUGÊNIA DE BATTENBERG

Quarto da rainha da Espanha, Vitória Eugénia de Battenberg.
Quarto da rainha Vitória Eugénia de Battenberg, consorte do rei Afonso XIII da Espanha, no Palácio Real de Madrid. O ambiente é ricamente decorado em estilo romântico, com a magnífica cama com dossel ocupando todo o centro do cômodo. Querubins aparecem no topo do leito, segurando as cortinas em tons de rosa. Todo o ambiente é decorado pela cor favorita da rainha, com detalhes em branco e dourado. O teto, por sua vez, foi pintado para parecer uma extensão do céu. Para que Victoria pudesse se casar com o rei Afonso XIII em 1906, seu tio, o rei Edward VII do Reino Unido, teve que elevar o status da sobrinha, retirando assim maiores empecilhos que inviabilizassem o matrimônio. Uma vez que a noiva era membro de uma casa principesca de menor grau, os Battenberg, Vitória Eugénia recebia até então o tratamento de Sua Alteza Sereníssima. Edward VII, por sua vez, lhe concedeu o tratamento de Sua Alteza Real. Para além disso, outro obstáculo precisava ser removido: Vitória teria que se converter ao catolicismo e abandonar a religião protestante na qual ela havia sido educada. Vitória Eugénia e Afonso XIII se casaram no dia 31 de maio de 1906, na Igreja Real de São Jerônimo, em Madri. Infelizmente, ela acabaria se tornando uma rainha pouco querida pelos súditos. Seus hábitos e gostos eram muito diferentes daqueles cultivados pelos espanhóis.
Referências Bibliográficas:
CADBURY, Deborah. Queen Victoria’s Matchmarking: the royal marriages that shaped Europe. New York: Public Affairs, 2017.
CRAVERI, Benedetta. Amantes e rainhas: o poder das mulheres. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
CURZON, Catherine. The Real Queen Charlotte: Inside the Real Bridgerton Court. Great Britain: Pen & Sword History, 2022.
FRASER, Antonia. Mary queen of Scots. New York: Delta, 2001.
FRASER, Antonia. Maria Antonieta. Tradução de Maria Beatriz de Medina. 4ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2009.
FRIEDA, Leonie. Catarina de Médici: poder, estratégia, traições e conflitos – a rainha que mudou a França. Tradução de Luis Reyes Gil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2019.
GOLDSTONE, Nancy. The Rival Queens. Nova Iorque: Back Bay Books, 2015.
HAMANN, Brigitte. The reluctant empress: a biography of empress Elisabeth of Austria. 4ª ed. New York: Ullstein, 1997.
IVES, Eric W. The life and death of Anne Boleyn: ‘the most happy’. – United Kingdom: Blackwell Publishing, 2010.
PERROT, Michelle. História dos quartos. Tradução de Alcida Brant. São Paulo: Paz e Terra, 2011.













