Príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, falece aos 99 anos!

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Na madrugada de sexta-feira, dia 9 de abril de 2021, uma triste notícia se abateu sobre o seio da Família Real britânica: a morte de um de seus membros sêniores, o príncipe Philip, duque de Edimburgo, aos 99 anos. O marido da rainha Elizabeth II passava por problemas de saúde desde o início do ano, tendo se internado no hospital Edward VII para tratamento. Após um procedimento cirúrgico, ele retornou para casa. Na ocasião, o palácio de Buckingham havia noticiado que Sua Alteza se recuperava bem, mas recentemente uma nota foi emitida em nome da soberana, confirmando o óbito: “É com profunda tristeza que Sua Majestade A Rainha anuncia a morte do seu amado marido, Sua Alteza Real O príncipe Philip, duque de Edimburgo”. No ano passado, o casal comemorou 73 anos de união, enquanto viviam em reclusão no castelo de Windsor, para onde se retiraram desde o início da pandemia de coronavírus. Foi dentro desta construção medieval, que empresta seu nome à atual Casa Reinante, que o consorte da rainha “faleceu tranquilamente” ao lado de sua esposa.

Príncipe Philip deixando o hospital King Edward VII, em 16 de março de 2021.

O príncipe Philip da Grécia e da Dinamarca e a princesa Elizabeth se conheceram quando ela ainda era uma garotinha e ele um nobre refugiado. Ambos trinetos da rainha Vitória, eles estiveram juntos na coroação do rei George VI em 1937 e depois disso o jovem se alistou na Marinha Britânica, lutando pela Inglaterra na Segunda Guerra contra os alemães. Nesse ínterim, ele visitou Elizabeth em algumas ocasiões no castelo de Windsor, onde ela e sua irmã viviam em segurança. A partir desses encontros, um afeto genuíno começou a crescer entre os dois. Embora fosse um príncipe sem reino, Philip pediu a mão da princesa ao rei, que o orientou a esperar pelo término do conflito para então pensarem em casamento. Ao aceitar Elizabeth como esposa, ele abriu mão de todos os seus títulos estrangeiros e assumiu a honra de duque de Edimburgo. Os dois finalmente se casaram em 20 de novembro de 1947, numa suntuosa cerimônia realizada na Abadia de Westminster. Dessa união, nasceram Charles, príncipe de Gales, Anne, princesa real, Andrew, duque de York, e Edward, conde de Wessex.

Ao longo dos 69 anos do reinado de Elizabeth, Philip foi como uma espécie de braço direito da soberana. Assumiu diversos compromissos em nome da Coroa, viajou com a esposa em missões diplomáticas pelos quatro cantos do mundo e esteve ao lado dela nos momentos mais difíceis de sua vida, como a morte do rei George VI em 1952, da princesa Diana em 1997, da princesa Margaret e da rainha-mãe em 2002. Foi o próprio duque de Edimburgo quem deu a Elizabeth a notícia do falecimento de seu pai, enquanto os dois estavam em viagem pelo Quênia, informando-a de que a partir de então ela era a nova soberana do Reino Unido e líder da Comunidade de Nações. De acordo com o Primeiro Ministro Boris Johnson, o marido da soberana “inspirou as vidas de incontáveis jovens”. Foi uma referência para seus netos William e Harry, além de um exemplo de altruísmo para seus próprios filhos. Embora sua relação com Charles nem sempre tenha sido pacífica, conforme ele mesmo afirmou no seu depoimento para o jornalista Jonathan Dimbleby em 1993, o príncipe de Gales sempre nutriu afeto e profundo respeito pela figura paterna.

Príncipe Philip e a princesa Elizabeth, junto com os filhos, Charles e Anne, em 1951.

A infância de Philip, contudo, não foi fácil. Seu pai, o príncipe Andrew da Grécia, foi responsabilizado pela derrota grega na guerra contra a Turquia. Depois do exílio, o jovem passou a depender da caridade de seus parentes, como sua avó, a princesa Victoria de Hesse, e seus tios Mountbatten e Milford Haven. Em 1930, sua mãe, a princesa Alice, foi internada em um sanatório na Suíça para tratar de uma suposta histeria. Apesar desse quadro desolador, Philip aprendeu a falar grego, francês e inglês e foi um dos primeiros alunos da recém-fundada Gordonstonun, uma escola para garotos administrada pelo judeu Kurt Hahn, na Escócia. Após a morte de sua irmã Cecília em um trágico acidente de avião, ocorrido no ano de 1937, Philip se alistou na Marinha Real Inglesa. A despeito de sua nacionalidade greco-germânica, ele lutou pelos ingleses contra os alemães, provando assim sua lealdade à Família Real. Durante esse interlúdio, o rapaz chegou a visitar a princesa Elizabeth no castelo de Windsor e assistiu a uma das pantomimas que ela e Margaret organizavam para distrair um grupo seleto de convidados. Louis de Mountbatten, tio de Philip, encorajava essa aproximação, na expectativa de que o sobrinho pudesse se tornar o futuro consorte da herdeira do trono.

As fotos do jovem par, recém-casado em 1947, são um verdadeiro deleite aos olhos do público. Podemos acompanhar a evolução de seu casamento de sete décadas apenas pela análises dessas fotografias, que mostram o lento amadurecimento dos dois. Embora problemas tenham surgido no caminho, representados por uma série de boatos espalhados pela mídia sobre a conduta do príncipe, ele e sua esposa permaneceram unidos até o fim. Em 2017, Philip finalmente se aposentou de seus deveres para com a Cora, levando a partir de então uma existência mais sossegada. Falando de seu púlpito na Downing Street, Boris Johnson disse que Philip “ajudou a dirigir a Família Real e assim a monarquia permaneceu uma instituição indisputavelmente vital para o equilíbrio e felicidade da nossa vida nacional”. O político falou também que recebeu a notícia da morte do duque com grande tristeza: “Príncipe Philip ganhou o apreço de gerações aqui no Reino Unido e através da Commonwaelth, e ao redor do mundo”. Em seu tributo ao papel do duque como o consorte real mais longevo da história da Inglaterra, o premiê recordou a todos do importante serviço que ele prestou na Segunda Guerra Mundial.

Flores postadas em tributo ao príncipe, nos portões do Palácio de Buckingham.

Com efeito, Justin Welby, o Arcebispo de Canterbury, disse: “Ele consistentemente colocou os interesses dos outros à frente dos seus próprios e, ao fazê-lo, forneceu um excelente exemplo de serviço cristão.” O arcebispo acrescentou: “Enquanto nos recuperamos e reconstruímos após a terrível prova da pandemia do coronavírus, precisaremos de fortaleza e um profundo senso de compromisso para servir aos outros”.  Em março, o duque de Edimburgo deixou o hospital do rei Edward VII, no centro de Londres, após uma internação de um mês para tratamento. Depois disso, ele foi submetido a um procedimento para uma doença cardíaca pré-existente em outro hospital de Londres, o St Bartholomew. Enquanto estava internado, chegou a receber visitas de seus parentes, incluindo o filho mais velho, Charles. A essa altura, seus netos e netas já devem estar se preparando para uma despedida íntima do patriarca, que se referia à Casa Real como “A Firma”. O líder trabalhista, Sir Keir Starmer, por sua vez, disse que o Reino Unido perdeu um “funcionário público extraordinário”, acrescentando que ele será lembrado acima de tudo por seu “compromisso e devoção extraordinários à Rainha”.

À medida em que a notícia da morte do duque se espalhava pelas localidades, as pessoas começaram a se reunir do lado de fora dos portões do castelo de Windsor, para prestar seus tributos à rainha Elizabeth. Os moradores locais, incluindo uma jovem, deixaram vários buquês de flores na entrada do castelo e mais estão sendo trazidos. Um dos cartões anexados às flores diz simplesmente “RIP Prince Philip”. Outro cartão, endereçado à soberana, manifesta suas profundas condolências. O dia amanheceu com um clima sombrio no parque de Windsor, enquanto os súditos ingleses refletem calmamente sobre o choque causado pela perda do duque, que dedicou sua carreira ao serviço público e à Coroa. Foi em Windsor que ele passou seus momentos mais felizes com a jovem princesa de 13 anos que um dia seria sua mulher, assim como suas últimas horas desde recebeu alta do hospital. Em Windsor, o duque aproveitou seus instante finais ​ao lado da esposa, a rainha Elizabeth II, a quem ele devotou 73 anos de sua vida como marido e primeiro súdito.

Anúncio oficial da morte do príncipe Philip, afixado nos portões do Palácio de Buckingham.

Referências Bibliográficas:

HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos: o breve século XX. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

KELLEY, Kitty. Os Windsor: radiografia da família real britânica. Tradução de Lina Marques et. al. Sintra, Portugal: Editorial Inquérito, 1997.

MARR, Andrew. A real Elizabeth: uma visão inteligente e intimista de uma monarca em pleno século 21. Tradução de Elisa Duarte Teixeira. São Paulo: Editora Europa, 2012.

MEYER-STABLEY, Bertrand. Isabel II: a família real no palácio de Buckingham. Tradução de Pedro Bernardo e Ruy Oliveira. Lisboa, Portugal: Edições 70, 2002.

Fonte da notícia:

BBC News – Acesso em 9 de abril de 2021.

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