Isabel de York, a Matriarca de uma Dinastia – Conclusão

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Conclusão – “Humilde e Reverente” [i].

Em 17 anos de casamento, Isabel de York deu ao marido nada menos que seis filhos (isso sem contar os rebentos que não foram registrados, ou seja, os nascidos mortos). Antes de sua morte, ela teve a felicidade de presenciar os esponsais de seu primogênito, Arthur, com a filha do casal de reis mais popular daqueles tempos: Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão, em 1501. Ao que parece, as relações entre Catarina de Aragão com sua sogra eram bastante amistosas. Quando do óbito do príncipe herdeiro, por exemplo, consta que a própria Isabel pagou com suas rendas a viagem da jovem viúva para a corte, em 1502. Entretanto, com o falecimento de Arthur restava apenas um sucessor ao trono, o futuro Henrique VIII, de modo que se fazia necessário garantir a seguridade da dinastia através de um novo varão[1]. Segundo relatos do período, após a terrível notícia da perda do filho, ela teria ido à câmara do rei consolá-lo com a promessa de que ainda eram jovens e, portanto, capazes de serem pais novamente[2]. Infelizmente, essa sugestão se demonstraria fatal para a vida da soberana.

Isabel de York (livro de costumes inglês).

Isabel de York (livro de costumes inglês).

No Outono de 1502, Isabel estava mais uma vez grávida, tendo dado à luz a uma filha em 2 de fevereiro do ano seguinte, a qual recebeu o nome de Catarina, em homenagem à princesa-viúva de Gales. Mas, para o desespero do casal de monarcas, a menina era de compleição frágil, e morreu poucos dias após seu nascimento. Com efeito, não só a princesinha sucumbiu à enfermidade, como também iria a sua própria mãe, que foi acometida de uma forte febre puerperal, vindo a falecer no exato dia de seu 37º aniversário. De acordo com as palavras de Polidoro Virgílio, “a própria rainha morreu no parto. Era uma mulher de tamanho caráter que seria difícil julgar se demonstrou mais majestade e dignidade em vida do que sabedoria e moderação…”. Ao saber da notícia do falecimento da esposa, o rei partiu para um local isolado e se recusou a receber qualquer visita que o incomodasse. Henrique VII, que em toda a vida foi um rei avarento, não economizou sequer um penny para o funeral de sua muito amada esposa, desembolsando para tanto a incrível soma de 2800 libras. A rainha foi sepultada com todas as honrarias e formalidades dignas de sua posição. A capela erigida na abadia de Westminster para a deposição de seu corpo ainda estava incompleta quando, seis anos mais tarde, foi ocupada também por Henrique VII.

A rainha fora sepultada com todas as honrarias e formalidades dignas de sua posição. A capela erigida na abadia de Westminster para a deposição de seu corpo ainda estava incompleta quando, seis anos mais tarde, fora ocupada também por Henrique VII. Muitos dos críticos do rei argumentavam que o relacionamento deste para com sua esposa carecia de carinho. Entretanto, julgando pelas frequentes gravidezes e pelo dispendioso funeral, é provável que tal hipótese seja infundada. Não obstante, apesar de Henrique entrar em negociações para contrair segundas núpcias (como, por exemplo, com Juana I de Castela), nunca chegara a se casar novamente. Ao que tudo indica, era um homem de grande contenção e é quase certo que nunca fora atrás de outras mulheres enquanto estava casado. Após a morte de Isabel de York, um comentarista disse a seu respeito que fora “uma das princesas mais graciosas e amadas do mundo”. Afirmação essa que, por sua vez, é corroborada pelo embaixador Veneziano quando este a descreve como “uma mulher muito bonita e de boa conduta”. Palavras mais que adequadas para qualificar aquela nobre soberana, mãe de Arthur, Margaret, Henrique e Maria; de cujo sangue descende todos os reis e rainhas da Inglaterra que viriam depois dela (inclusive a atual Elizabeth II); a verdadeira matriarca de uma Dinastia.

Referências Bibliográficas:

FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos Do Nascimento E Silva. 2ª edição. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010

HACKETT, Francis. Henrique VIII. Tradução de Carlos Domingues. – São Paulo: Pongetti, 1950.

LICENCE, Amy. Elizabeth of York: forgotten Tudor Queen. – Gloucestershire: Amberley Publishing, 2014.

LOADES, David. As Rainhas Tudor – o poder no feminino em Inglaterra (séculos XV – XVII). Tradução de Paulo Mend.

WEIR, Alison. Elizabeth of York: a Tudor Queen and her world. – Nova York: Ballantine Books, 2014.


[1] Isabel de York e Henrique VII ainda tiveram mais um filho homem antes do falecimento de Arthur, chamado Edmundo, mas que durou apenas duas semanas após seu nascimento, no verão de 1500.

[2] Diz-se que Isabel de York se comportou com grande coragem diante da notícia da morte do seu primogênito, ressaltando que a mãe do seu marido, Margarida, “não tinha mais filhos a não ser ele, e que Deus, pela Sua graça, sempre o preservara e o levara ao lugar em que se encontrava”. Apud FRASER, Antonia. As seis mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos do Nascimento e Silva. 2ª ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010, p. 49.

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2 comentários sobre “Isabel de York, a Matriarca de uma Dinastia – Conclusão

    • São realmente trabalhos incríveis e com rara perfeição nas formas! As efígies de Elizabeth I e Mary Stuart em seu respectivos túmulos, por exemplo, são maravilhosas. Revelam toda a imponência de uma época!

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