Elizabeth Bathory e sua insaciável busca pela juventude eterna – Parte II

Parte II – Beleza a qualquer custo

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

De uma infância com fortes toques de violência, para um casamento diplomático, Elizabeth Bathory podia pelo menos se congratular pelo fato de ser uma bela mulher, com muitos atrativos, que mais tarde seriam usados como desculpa pelas autoridades para explicar o porquê de camponeses locais procurarem emprego em seus domínios. Porém, esse estado de encanto não duraria para sempre. Há uma passagem bastante peculiar no mito da Condessa de sangue, que por muito desvenda um dos motivos pelos quais ela partiu para uma desesperada busca pela beleza: diz-se que certo dia, estava em um passeio a cavalo quando encontrou no caminho uma velha senhora, a qual não tardou em fazer deboche da aparência. Desconsiderando a posição da nobre, a anciã respondera que um dia Elizabeth seria tão idosa quanto ela. (não se sabe ao certo se essa falácia é verídica, mas em determinada fase de sua vida, a condessa começou a se preocupar com seu físico, que já apresentava sinais do tempo).

De acordo com a crença geral, em uma noite, enquanto estava a ser arrumada por suas criadas, uma delas puxou-lhe sem querer os cabelos enquanto os escovava. Enraivecida, Elizabeth esbofeteou-lhe com tanta força que arrancou sangue da moça, que consequentemente espirrou em sua mão. Enquanto o enxugava, percebeu que á medida que o líquido vermelho secava, este ia revitalizando a cor de sua pele e escondendo as rugas que porventura apareceram em seu corpo. Decidida a manter-se eternamente jovial, a Condessa encontrou no assassinato de sua suas servas, além de uma diversão, uma forma de extrair seu mais precioso produto de beleza: o sangue delas. Tornaram-se famosos à época, boatos de que a Condessa Elizabeth Bathory, em seu castelo, costumava banhar-se com o sangue de sua criadagem, composta na maioria por jovens entre 12 e vinte anos e preferencialmente virgens.

Elizabeth Bathory presidindo uma sessão de tortura, por Istvan Csok (1865).

Elizabeth Bathory presidindo uma sessão de tortura, por Istvan Csok (1865).

Para muitos, da mesma maneira como aconteceu anos atrás com suas irmãs, Elizabeth criara o hábito de primeiramente abusar das moças, mordendo partes delicadas de seu corpo, como os seios, para depois matá-las em seu porão totalmente equipado com aparelhos para fazê-las agonizarem de dor antes de sucumbir. (Entre os mais famosos, encontra-se uma jaula suspensa na qual a vítima era presa, e movimentada com o auxílio de roldanas, levando-a em direção há uma parede de estacas finas que perfuravam lentamente o corpo da mesma até rasgá-la – Elizabeth ficava embaixo do aparelho, esperando o banho de sangue que receberia como consequência da mutilação). Foram poucas as criadas que conseguiram fugir e muitas aquelas que foram capturadas.

À medida que seus assassinatos aumentavam, as histórias de uma condessa sanguinária se espelhavam mais rapidamente, fazendo com que as filhas de camponeses e jovens plebéias não mais procurassem trabalho nos domínios de Bathory. Em 1609, Ana Darvulia, possível amante de Elizabeth, estava com a saúde fragilizada e não mais poderia ajudar a nobre em sua jornada demoníaca. A partir desse momento as coisas começariam a piorar para ela: como não conseguia mais recrutar criadas para servi-la, passou a voltara-se para a primeira classe. Foi quando cometeu seu maior deslize, assassinando alguém de seu próprio círculo social e alegando como causa da morte o suicídio. As autoridades locais não acreditaram em seu testemunho e em 1610 expediram uma ordem de investigação.

Ruínas do Castelo de Ecsed.

Ruínas do Castelo de Ecsed.

Entretanto, tal atitude também foi movida por fins políticos, já que a coroa há muito procurava uma justificativa para confiscar as terras da Condessa, devido às dívidas para com seu finado marido. Ela então foi presa e assim como seus cúmplices, julgada e declarada culpada por todos os crimes creditados à sua pessoa. A maior prova do inquérito foi um suposto caderno onde Elizabeth assinou o nome de aproximadamente 650 vítimas (testemunhas também alegaram terem encontrado corpos de pessoas nas proximidades de sua residência). Como era membro da alta nobreza, a Condessa não teve o mesmo fim que seus ajudantes, que foram condenados à morte. Ao contrário deles, ela deveria passar o resto de seus dias trancafiada em uma torre de seu castelo sem qualquer janela ou porta aberta, permanecendo pra sempre imersa nas sombras.

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