Diana e Michael: o dia em que a Princesa do Povo conheceu o Rei do Pop!

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Em julho de 1988, Diana e Michael Jackson se encontraram no backstage da turnê “Bad” em Wembley e selaram uma amizade improvável. Ela era fã desde o Jackson 5, ele a admirava pela coragem. Entre jaquetas, discos autografados e um cheque de 450 mil dólares para caridade, nasceu uma conexão marcada por telefonemas de madrugada, solidão compartilhada e, anos depois, uma música que gritava por privacidade. Essa é a história do dia em que Lady Di conheceu o homem que entendia exatamente o peso de viver sob os flashes.

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Wembley, 16 de julho de 1988. O estádio lotado para a segunda noite da turnê “Bad” em Londres. Na plateia VIP estavam o príncipe Charles, William de 6 anos, Harry de 3 e, ao lado deles, Diana, princesa de Gales, 27 anos. Do lado de fora, 72 mil pessoas. Do lado de dentro do camarim, Michael Jackson, 29 anos, se preparava para mais um show esgotado. O encontro dos dois já estava marcado havia semanas. Diana fez questão de ir. Era fã antiga. Cresceu ouvindo Jackson 5, tinha as fitas k7 de “Off the Wall” e “Thriller”, e chegou a usar em eventos públicos uma jaqueta vermelha inspirada no clipe de “Thriller”. Michael sabia. Também sabia que a princesa usava as músicas dele para dançar com os filhos no Palácio de Kensington.

O que pouca gente sabe é que “Dirty Diana” quase ficou fora do setlist. Michael achou que a letra, sobre uma groupie que seduz os astros, poderia ofender a realeza. Minutos antes de subir ao palco, Diana foi até o camarim e perguntou: “Você vai cantar Dirty Diana? É a minha favorita”. Michael chamou a banda na hora e recolocou a faixa. Tocou para ela. Depois do show, os dois se encontraram por quase uma hora. Testemunhas dizem que conversaram como se fossem amigos de infância. Ele tímido, ela curiosa. Ele perguntou sobre as crianças, ela perguntou sobre a pressão da fama.

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Michael não veio de mãos vazias. Deu a Diana três presentes. O primeiro foi uma jaqueta “Bad” original, igual à que usava no palco, com fivelas e zíperes prateados. O segundo foi a discografia completa, de “Got to Be There” até “Bad”, cada disco autografado numa moldura única, com dedicatórias pessoais. O terceiro foi um cheque de 450 mil dólares destinado ao Great Ormond Street Hospital e ao Royal Marsden, dois hospitais infantis que Diana apadrinhava. Ela saiu do camarim carregando sacolas da turnê e um sorriso que os fotógrafos captaram na saída.

Dali nasceu uma amizade de telefone. Ligavam de madrugada, hora em que os dois se sentiam mais sozinhos. Michael contava sobre os processos, as acusações, a imprensa. Diana falava do casamento em ruínas, dos tablóides, da perseguição diária. Ele a chamava de “Di”. Michael se recordava da princesa como “muito gentil, muito amável, [e] muito meiga”. Diana, por sua vez, dizia que ele era a única pessoa famosa que entendia o que era não poder ir ao mercado. Em 1995, quando a princesa fez a entrevista bombástica para a BBC, Michael foi um dos primeiros a lhe dar apoio. Em 1993, quando ele foi acusado pela primeira vez, Diana enviou uma carta escrita à mão: “Eles não te conhecem como eu te conheço”.

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Em 31 de agosto de 1997, Diana morreu no túnel da Ponte de l’Alma, em Paris, fugindo de paparazzi. Michael estava em turnê na Alemanha e cancelou três shows. Ficou trancado no hotel por dias. Em 2001, lançou o álbum “Invincible”. A faixa 10, “Privacy”, era um desabafo direto. Nos versos, ele cita a amiga: “Alguns de vocês ainda perguntam por que uma das minhas amigas teve de morrer… Para passar uma mensagem que você ainda não ouviu… Minha amiga foi perseguida e confundida… Mas naquela noite fria do inverno, meu orgulho foi roubado”. O refrão era um pedido que servia para os dois: “I need my privacy, I need my privacy, so get away from me”.

Michael e Diana nunca foram vistos juntos novamente depois de 1988. Não precisavam. O que tiveram foi raro em Hollywood e na realeza: reconhecimento mútuo. Dois ícones globais que descobriram, um no outro, alguém que sabia o preço de ser amado por milhões e não conseguir andar na rua. Ele morreu em 2009. Ela, 12 anos antes. Mas naquela noite de julho em Wembley, por uma hora, o rei do pop e a princesa do povo tiveram o que mais queriam: conversa, amizade sem interesse, empatia.

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Referências Bibliográficas:

BROWN, Tina. Diana: crônicas íntimas. Tradução de Iva Sofia Gonçalves e Maria Inês Duque Estrada. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

FINCHER, Jayne. Diana: retrato de uma princesa. Tradução de Carla de Sousa. Lisboa: Callaway, 1998.

MARR, Andrew. A real Elizabeth: uma visão inteligente e intimista de uma monarca em pleno século 21. Tradução de Elisa Duarte Teixeira. São Paulo: Editora Europa, 2012.

MEYER-STABLEY, Bertrand. Isabel II: a família real no palácio de Buckingham. Tradução de Pedro Bernardo e Ruy Oliveira. Lisboa, Portugal: Edições 70, 2002

KELLEY, Kitty. Os Windsor: radiografia da família real britânica. Tradução de Lina Marques et. al. Sintra, Portugal: Editorial Inquérito, 1997.

MORTON, Andrew: Diana – sua verdadeira história em suas próprias palavras. Tradução de A. B. Pinheiros de Lemos e Lourdes Sette. 2ª ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2013.

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