Keisha Omilana: o conto de fadas da modelo norte-americana que se tornou princesa da Nigéria!

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Nascida em  Inglewood, na Califórnia (EUA), Keisha Omilana era uma jovem negra batalhando em busca do sonho de se tornar uma Top Model. Tendo se formado em Design de Moda em Chicago, ela se mudou para Nova York, onde iniciou a sua carreira como modelo, trabalhando posteriormente para marcas como L’Oreal, Maybelline, Revlon, Cover Girl e, principalmente, Pantene. Num certo dia do ano de 2004, enquanto estava parada em frente ao W Hotel, um homem de aparência e porte distinto se aproximou. “Eu podia sentir essa presença me fitando, olho para cima e vejo este belo cavalheiro parado lá”, disse Keisha à revista Insider. “E ninguém fica parado em Nova York. Todos estão a caminho de algum lugar, se movimentado, andando. Ele veio até mim e disse: ‘Você é a mulher mais linda que já vi em toda a minha vida. Me daria a honra de ter o seu número? Adoraria sair com você”. O que Keisha talvez não imaginasse naquele dia, transcorrido há mais mais de 16 anos, é que estava se encontrando pela primeira vez com seu futuro marido. E adivinhem só: ele era um príncipe! A história poderia ter sido inspirada pelo roteiro do filme Um príncipe em Nova York. Mas aqui o enredo foi totalmente real!

Sua Alteza Real a Princesa Keisha e o Príncipe Kunle da Nigéria.

A princípio, a modelo respondeu negativamente ao convite do rapaz, com a desculpa de que não passava seu número para desconhecidos. Ela estava prestes a dar continuidade aos seus afazeres quando sua “intuição feminina” falou mais alto: “O cara era legal. Ele falava bem, parecia decente. Ele não estava gritando. Achei que deveria apenas dar a ele o meu número e ver o que acontecia”. De volta ao W Hotel, Keisha descobriu, para a sua surpresa, que o homem misterioso ainda estava lá, segurando o papel com o número na mão e à sua espera. Realmente, aquele estranho guardava muitos segredos, especialmente quanto à sua origem. Sem saber, ela havia concordado em sair com o príncipe Adekunle “Kunle” Adebayo Omilana, da Casa Real de Arigbabuowo, da Nigéria. Para o encontro, Kunle alugou um restaurante inteiro, com a seguinte exigência: “Eu disse: ‘Apenas me dê belas pétalas de rosas no chão, deixe tudo arranjado de uma forma romântica. Vai ser como um encontro, mas eu quero que pareça uma proposta”, recorda-se o príncipe. Por quase dois anos, o casal manteve um relacionamento sem que Keisha soubesse da verdadeira identidade do seu parceiro. Assim sendo, ela focou na sua carreira, desfilando e fazendo campanhas para muitas marcas famosas. A situação estava nesse pé quando a jovem finalmente conheceu a mãe de Kunle, que a chamou de “minha princesa”.

A família real nigeriana, celebrando o dia das mães.

Logo de início, Keisha achou que se tratava de um gesto de carinho por parte da mãe do namorado e não um indicativo do seu futuro status real. Como seu noivo havia lhe dito absolutamente nada a respeito de sua família, Keisha permaneceu alheia a todo o protocolo da realeza nigeriana, pelo menos durante os dois primeiros anos do namoro. “Na cultura nigeriana, quando você sabe que quer passar o resto de sua vida com alguém ou quer se casar, você o traz para conhecer seus parentes, e no que diz respeito à família, a partir desse momento você fica noivo”, disse a princesa à Insider. Foi nesse encontro que a mãe de Kunle contou para sua futura nora quem realmente era seu filho:

Lembro-me de conhecer a mãe dele, ela foi tão acolhedora. Ela me envolveu em seus braços e me chamou de filha imediatamente. Ela disse, ‘você é minha princesa’. E quando você ouve, ‘princesa’, bem, todas as mães chamam suas filhas de princesa. Então é isso que eu pensei que ela estava dizendo. Mas então nos sentamos e ela me contou a história de quem era seu filho, o que seu nome significava, de onde ele vinha, e eu fiquei tipo ‘meu Deus’. Eu apenas olhei para ele como, ‘você não se esqueça de me dizer algo assim!’

Os dois se casaram no dia 26 de janeiro de 2006, em uma cerimônia íntima para 20 convidados no The Water Club, no centro de Manhattan. A partir de então, a vida da modelo norte-americana mudaria para sempre. Inicialmente, ela se defrontou com o dilema de ter que abandonar sua carreira para entrar na realeza. Mas, ao contrário de outras americanas famosas que desistiram do trabalho em prol do casamento, Keisha não seguiu o mesmo caminho. “Todos presumiram que eu não iria mais querer trabalhar porque estava casada”. Contudo, ela persistiu e, com o apoio do marido, lutou para que a indústria da moda a visse como modelo e princesa da Nigéria. “Eu reservava empregos e as pessoas provavelmente pensavam: ‘O que você está fazendo aqui? Achávamos que você estaria na Riviera Francesa com a Kate Middleton.’ Esse tipo de coisa. Navegar era difícil”, conta ela.

Ensaio fotográfico com Sua Alteza Real, a Princesa Keisha Omilana.

Dessa forma, a princesa e sua equipe fizeram subir nas redes a hashtag #TheWorkingPrincess. Decidida a provar para as pessoas que não era uma mulher definida pelo status da realeza, Keisha persistiu no seu sonho de quando era uma estudante de Moda. Ela se lembra das dificuldades que passou até conquistar sua carreira e das palavras difíceis que teve que suportar no mundo fashion. Apenas alguns anos antes, uma diretora de moda feminina em Chicago lhe disse as palavras cruéis e desencorajadoras: “Algumas pessoas foram feitas para estar no palco e outras para estar nos bastidores. Você, minha querida, foi feita para estar nos bastidores”. Críticas aos seus cabelos crespos também eram feitas: “Minha agência sempre me incomodava com meu cabelo volumoso”, disse ela. “Diziam, por exemplo: ‘A cliente te amava, mas não sabia o que fazer com o seu cabelo!”. Mas, em vez de se deixar abater por essas críticas, Keisha seguiu adiante e acabou se tornando a primeira mulher afro-americana a estampar três vezes consecutivas o comercial da Pantene. Ela se recorda: “Então, finalmente, eles disseram ‘agora entendemos por que seu cabelo é tão cheio, porque você estava destinada a este trabalho”. Assim, ela ficaria conhecida por anos como a “garota Pantene”.

Keisha ficou conhecida como “a garota Pantene”.

“Sempre que você é a primeira a fazer algo na história, especialmente quando há um fundo negativo, na verdade é algo positivo”, disse Keisha. “Finalmente, o positivo superou todo o negativo que eu recebia por causa do meu cabelo. Eu passei da garota com cabelo rebelde para a garota Pantene”. Atualmente, a princesa e o príncipe Kunle possuem dois filhos, o príncipe Adediran “Diran” Rei Omilana, de 13 anos, e a princesa Adediora “Dior” Isabella Nicole Omilana, de 6. Residindo em Londres, onde continua trabalhando como modelo, Keisha teve a felicidade de ver a pequena Dior seguindo seus passos na carreira. Recentemente, mãe e filha foram fotografadas juntas para um editorial da Mocha Magazine, pouco depois de a princesinha ser contratada pela agência de modelos mirins, Ray e Robin. Keisha também criou em 2017 o projeto A Crown of Curls (ACOC), voltado para a instrução de pais de crianças negras e mestiças, ajudando-os a como cuidar dos cabelos de seus filhos, preservando sua identidade étnico-cultural. “Decidi que uma comunidade de apoio era definitivamente necessária, então resolvi criá-la”, conta a princesa. “Comecei a ACOC para crianças com cabelos crespos, mas desde então abri para todos os tipos e texturas de cabelo, sejam lisos, cacheados ou ondulados”. A princesa Dior, por sua vez, foi o primeiro rosto da campanha da ACOC.

A princesa Keisha e sua filha, a princesa Dior, para a Mocha Magazine.

Para Keisha, não existe paralelos entre ser a “garota Pantene” e a “garota da Coroa”. “Não há pessoa melhor para ser uma influenciadora ou defensora de algo do que alguém que foi a primeira a fazer aquilo”. Já sobre a vida familiar, a princesa diz que ela e o marido são pais muito presentes, diferentemente do que Kunle experimentou na sua infância. “Não nos envolvemos em política, mas sempre defendemos o povo”, disse o príncipe sobre a atual situação da Nigéria, que vem sendo assolada por manifestações contra o Esquadrão Especial Anti-Roubo, mais conhecido como SARS. Falando sobre a criação do marido, a princesa reflete:

Meu marido cresceu com cuidadores e diferentes auxiliares domésticas. Se espirrasse, teria cinco pessoas vindo até ele para limpar seu nariz, mas nunca sua mãe, porque ela era da realeza e não poderia ser vista fazendo isso. […] Em sua tribo, ele foi criado para ser um príncipe de todas as pessoas, não apenas um príncipe das pessoas que são abastadas ou que têm dinheiro. Então, em qualquer sala que ele vá, ele precisa ser identificável, ele precisa se encaixar, ele precisa ser útil. Ele sabe como falar com alguém que não tem nada e com alguém que tem tudo”.

Com efeito, para a educação de seus filhos, Kunle e Keisha desejavam uma experiência diferente: “Ele queria ser prático porque não podia agir assim em sua casa”. Foi graças a essa decisão que Diran e Dior atualmente podem desfrutar de uma infância mais livre do que a de outras crianças da realeza. “Adoro que meus filhos saibam o que é ter um motorista, mas eles não têm medo de embarcar na fila do Jubileu de vez em quando”, disse a mãe do príncipe e da princesa.

Keisha, Kunle e seus filhos.

Dessa forma, os pequenos príncipes podem aprender a equilibrar suas funções com a realeza, assim como para com o mundo lá fora. Uma lição que a própria Keisha teve que assimilar quando entrou para a família real nigeriana. Refletindo sobre sua trajetória até aqui, ela diz que “nem todo mundo que você ama, admira ou respeita apoiará seus sonhos e, muitas vezes, você será sua maior líder de torcida. Portanto, tudo o que você sente sobre si mesmo é o que você será”. O equilíbrio para ela é o ponto chave nessa equação. Em 2011, Keisha disse para a Essence que atualmente não tem tantas funções oficiais como princesa, porque não mora na Nigéria: “Minhas atribuições mais importantes são assegurar que o nome Omilana permaneça em boa posição e manter meu marido e filho saudáveis ​​e amados”. Mas, como membro da realeza nigeriana, ela teve que saber a lidar com os compromissos que o status de alteza lhe trouxe. Na outra mão, há a sua carreira como modelo, que ela tanto batalhou para conquistar. Muito além daquela imagem estereotipada que acompanha príncipes e princesas há séculos, Keisha nos prova diariamente que muitos ante de pertencer à Coroa, seu verdadeiro lugar é nas passarelas do mundo!

Referências:

ALEXANDER, Harriet. Nigerian prince rented out an entire New York City restaurant for his first date with his now-wife, who had no idea he was a royal. 2020. – Acesso em 11 de janeiro de 2021.

ESSENCE. Black Princess Diaries: Meet Keisha Omilana. 2011. – Acesso em 11 de janeiro de 2021.

FRIEL, Mikhaila. Princess Keisha of Nigeria says she didn’t know her now-husband was a prince until 2 years into their relationship, when his mom called her ‘my princess. 2020. – Acesso em 11 de janeiro de 2021.

4 comentários sobre “Keisha Omilana: o conto de fadas da modelo norte-americana que se tornou princesa da Nigéria!

    • Oi, Margarete. Se você reside em Portugal, pode encontrar em qualquer livraria do país. Mas, caso more no Brasil, basta encomendar em algum site de livraria portuguesa, como Bertrand, Wook ou Fnac. Um abraço!

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  1. Reis & Rainhas existem em todas as cores.
    A minha Família é um verdadeiro arco-íris.
    Deus, Oxalá, Allah nossos Deuses e outros mais.
    O AMOR é lindo !!!!!!!!!

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