A jovem rainha: retrato original de Elizabeth I da Inglaterra é encontrado!

Uma das rainhas reinantes mais populares da história da Europa, Elizabeth I da Inglaterra (1533-1603) até hoje permanece como um ícone do empoderamento da mulher para muitos de seus admiradores e demais estudiosos. Apesar de sua personalidade estar atualmente passando por um processo de desconstrução, que visa ressaltar o ser humano em detrimento da imagem da soberana imponente, seu nome ainda permanece ligado a uma era de grande avanço artístico e científico. Seus retratos pintados, verdadeiras peças de propaganda política, traduzem uma mensagem de poder e irreverência para aqueles que os veem. Poucas são as telas, portanto, que a mostram como uma pessoa introvertida e tímida. Uma delas, datada do início do reinado da soberana, acaba de ser recentemente achada pelo historiador e especialista em arte da BBC, Philip Mould.

A pintura foi descoberta por Philip Mould, historiador e especialista de arte da BBC. CRÉDITO: JULIAN SIMMONDS PARA O TELEGRAPH

A notícia da descoberta do que pode ser o retrato original mais antigo de Elizabeth Tudor enquanto jovem rainha foi divulgada pelo site The Telegraph, do Reino Unido, no dia 17 de junho deste ano e causou verdadeiro alvoroço entre os críticos de arte. A tela, pintada provavelmente no ano de 1559, em madeira de carvalho, apresenta uma jovem Elizabeth de 26 anos, mais suave e feminina do que seria retratada anos mais tarde. Especialistas conseguiram restaurar a pintura, removendo camadas de tinta até revelar detalhes encobertos da imagem original, como o livro de orações que a modelo segura numa das mãos e o seu robe de arminho. Ao longo da vida, a rainha seria bastante pintada ao lado de livros religiosos, para simbolizar seu caráter devoto e seu amor pela erudição.

Philip Mould, responsável pela descoberta e restauração da tela, disse que “ainda tenho que concluir [o processo], mas parece ser o retrato mais antigo ou possivelmente único de Elizabeth como rainha”. Na opinião do especialista,”essa imagem é interessante”, uma vez que “pertence a uma série de imagens de Elizabeth quando ela era uma jovem soberana. Ela mostra uma pequena garota de aparência bastante estudiosa, notavelmente magra, segurando um livro de orações”. Mould ainda diz que a modelo da tela “é tão diferente do que costumamos associar a Elizabeth como uma rainha, pois ela está sincera e solene neste retrato. Ela era uma verdadeira sobrevivente neste momento”.

A pintura fascinou os críticos ao mostrar um lado mais brando do personagem de Elizabeth. CRÉDITO: JULIAN SIMMONDS PARA O TELEGRAPH

O trabalho de Philip Mould com a referida tela recebeu grande atenção da mídia depois do especialista ter divulgado o achado em seu perfil no Twitter. A tela foi para a exibição da sua galeria Pall Mall, em Londres. Mould disse que “uma das razões pelas quais existem tão poucos retratos desse período é que Elizabeth procurou controlar sua imagem”. Segundo ele, “ela provavelmente não gostava de imagens como esta quando começou a usar a arte para projetar seu poder e soberania”. Além disso, o especialista acrescenta que “em seu reinado, Elizabeth elaborou éditos para controlar a qualidade das imagens dela e é sabido que ela atirava as imagens de que não gostava no fogo”.

A rainha utilizava a arte como meio de propaganda política, assim como fizeram outros soberanos europeus, a exemplo de Luís XIV, e políticos modernos, como  Harold Wilson e Margaret Thatcher. “Elizabeth entendeu a importância de suas imagens femininas com a mesma intuição que Thatcher fez”, disse Philip Mould. Ela reinou por um período de aproximadamente 45 anos e, graças à máquina de propaganda criada em torno de sua imagem, até hoje ela é conhecida por títulos como “a rainha virgem” e “glorianna”, em referência à suposta magnificência do seu reinado. Pesquisas recentes, porém, demonstram que Elizabeth deu continuidade ao plano de governo de sua antecessora, Maria I, além de possuir atitudes vacilantes ante situações que lhe exigiam pulso firme. Dados como esse servem para lançar ainda mais controvérsia a uma figura que permanece encantando gerações, ao longo do tempo.

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