Vitória Régia: 16 fatos sobre a rainha Vitória que você talvez não conheça

Uma das monarcas mais icônicas da história, a rainha Vitória é (literalmente) a figura que define uma Era, cuja trágica e fascinante trajetória continua a inspirar pessoas até os dias de hoje. Embora você possa não encontrar problemas para conjurar uma imagem de quem foi a Rainha Vitória do Reino Unido e da Irlanda, há muito sobre o longo reinado dessa monarca britânica que ainda pode te surpreender.

1. SEU NOME DE VERDADE NÃO ERA VITÓRIA

Alexandre I da Rússia, padrinho de Vitória.

Nascida do Palácio de Kensington em 24 de maio de 1819, a rainha Vitória foi originalmente batizada de Alexandrina Vitória. Ela foi nomeada em homenagem ao seu padrinho, o czar Alexandre I, mas preferia ser chamada pelo seu segundo nome. Ao nascer, Vitória era a quinta na linha de sucessão para a coroa britânica, atrás dos quatro filhos adultos do rei Jorge III, incluindo seus três tios e seu pai, Eduardo.

2.  ELA FOI O PRIMEIRO MEMBRO DA FAMÍLIA REAL A VIVER NO PALÁCIO DE BUCKINGHAM

Palácio de Buckingham

Três semanas após sua ascensão ao trono, a rainha Vitória se mudou para o Palácio de Buckingham, anteriormente pertencente ao seu tio, rei Guilherme IV. Isso fez de Vitória a primeira monarca reinante a fixar residência em Buckingham, embora essa mudança não tenha ocorrido sem dificuldades. O lugar precisava de muitas reformas para que se transformasse na residência que a rainha imaginava. O palácio tinha pouca ventilação, muitas janelas estavam emperradas e algumas chaminés deixavam bastante fuligem, o que demorou anos do reinado de Vitória para ser corrigido. Séculos depois, Buckingham continua a servir como lugar para os negócios da realeza e de residência para a família real.

3. ELA TINHA APENAS 1,52 DE ALTURA

A rainha era 10 cm mais baixa que a atual monarca, Elizabeth II

4. ELA SE TORNOU RAINHA DA INGLATERRA QUANDO TINHA 18 ANOS

Litografia representando o momento em que Vitória recebe a notícia de sua ascensão ao trono.

Às 6 da manhã, do dia 20 de junho de 1837, a jovem princesa Vitória foi acordada e informada de que seu tio, rei Guilherme IV, sofrera uma ataque de coração e morrera durante a noite. Isso significava que, menos de um mês após Vitória ter atingido a maioridade de 18 anos, ela se tornava rainha da Inglaterra.

5. ELA CRESCEU SOB CONSTANTE SUPERVISÃO 

Vitória quando criança

Pouco depois do nascimento de Vitória, seu pai, Eduardo, duque de Kent (quarto filho de Jorge III), morreu de pneumonia, deixando a jovem princesa sob os cuidados de sua mãe. Após a morde do marido, a duquesa Vitória, mãe da princesa, se preparava para reinar ao lado de sua filha, caso ela ainda fosse menor de idade quando seu tio falecesse. Por essa razão, a duquesa usou um estrito código de disciplina para formar a futura rainha. Conhecido como “Sistema Kensington”, envolvia um rigoroso cronograma de lições para melhorar a moral e o intelecto de Vitória.

Isso significava que ela raramente conseguia passar o tempo com outras crianças de sua idade, devido às suas exigências, e, como resultado do relacionamento hostil de sua mãe com o rei Guilherme IV, estava essencialmente isolada da corte real. A princesa Vitória ficava sob constante supervisão de adultos e também teve de compartilhar o mesmo quarto com sua mãe, até se tornar rainha.

6. VITÓRIA ODIAVA SEU CONSELHEIRO, SIR JOHN CONROY

Sir John Conroy

O controlador de sua mãe, Sir John Conroy, também previa a ascensão da princesa Vitória à coroa antes de ela atingir a maioridade, e planejava obter um papel importante dentro da família real, tomando inclusive medidas para que a criança fosse reconhecida pelo público como “herdeira presuntiva”. Isso provocou um desentendimento com o rei Guilherme IV, que pretendia adotar Vitória como filha para vigiar a futura rainha, a duquesa e Conroy.

Mais tarde, em sua vida, a rainha Vitória se referia a Conroy como um “demônio encarnado”, que a impediu de ter uma infância feliz. Assim que ela chegou ao poder, Vitória demitiu Conroy de sua casa, cortando contato pessoal com ele e sua mãe. Na qualidade de mulher solteira, a rainha ainda precisava da companhia da duquesa, e, portanto, designou apartamentos distantes para ela e seu controlador, no Palácio de Buckingham.

7. SUA MÃE E SIR JOHN CONROY TENTARAM SE APROVEITAR DA COROA 

Vitória, duquesa de Kent

Após os desentendimentos que o rei Guilherme IV teve com a duquesa Vitória sobre a regência, o monarca ainda assim sobreviveu após o 18º aniversário da princesa Vitória. A mãe da jovem, porém, ainda esperava exercer o poder em nome de sua filha. Certa vez, quando a princesa Vitória estava muito enferma, com febre tifoide, sua mãe e Conroy se recusaram a chamar um médico. Em vez disso, usaram a doença para pressionar Vitória a assinar documentos que fariam de Conroy seu assessor oficial e lhes daria poderes significativos quando ela se tornasse rainha.

A governanta de Vitória, Louise Lehzen, conseguiu para a princesa um médico em segredo, salvando assim sua vida. Embora doente por semanas, Vitória não assinou os papéis. “Apesar da minha doença e da dureza, eu resisti”, escreveu a jovem em seu diário, citado por Christopher Hibbert no livro Queen Victoria: A Personal History.

8. ELA FALAVA VÁRIAS LÍNGUAS

A jovem rainha era uma linguista adepta, fluente em inglês e alemão. Como sua mãe e sua governanta tinham raízes alemãs, então Vitória cresceu falando o idioma, que passaria a usar freqüentemente quando falava com seu marido, o príncipe Albert de Saxe-Coburgo e Gotha. A rainha também falava francês, italiano e latim.

Nos anos finais de seu reinado, quando os servos da Índia chegaram ao Castelo de Windsor, em 1877, seu atendente indiano favorito, Abdul Karim, ensinou à rainha muitas frases em Hindu e Urdu, para se comunicar melhor com seus criados. “Estou aprendendo algumas palavras de Hindustani para falar com meus servos”, escreveu ela em seu diário, citado por Shrabani Basu, autor do livro Victoria & Abdul. “É um grande interesse para mim, tanto pela língua como pelas pessoas, que eu, naturalmente, nunca havia entrado em contato antes”.

9. ELA SOBREVIVEU A PELO MENOS 6 TENTATIVAS DE ASSASSINATO

Litografia contemporânea, representando a tentativa de assassinato da rainha Vitória, por Edward Oxford.

Durante seu reinado, várias tentativas de assassinato foram feitas contra a vida da rainha Vitória, todas sem sucesso. A primeira tentativa notável ocorreu em 1840, quando Edward Oxford, de 18 anos, disparou dois tiros na carruagem da jovem rainha em Londres. Oxford foi acusado de alta traição por seu crime e, em última instância, foi considerado culpado por motivos de insanidade. A rainha enfrentou outra tentativa de assassinato quando John Francis tentou disparar contra sua carruagem duas vezes, em 1842. Nesse mesmo ano, um homem chamado John William Bean tentou disparar uma arma carregada de papel e tabaco em Sua Majestade.

A carruagem da rainha foi atacada novamente em 1849 por William Hamilton, um imigrante irlandês desempregado que mais tarde se declarou culpado pelo crime e foi banido por sete anos, de acordo com os registros históricos. Segundo o Smithsonian Magazine, outra tentativa foi feita em 1850, quando Robert Pate, um ex-soldado, usou uma bengala com ponta de ferro para bater na cabeça da rainha, enquanto ela estava em casa.

A última tentativa notável ocorreu em março de 1882, quando um poeta escocês chamado Roderick Maclean atirou na carruagem da rainha Vitória com uma pistola, enquanto ela saía da estação ferroviária de Windsor. Segundo a Time, esta foi a oitava tentativa de Maclean de assassinar a rainha. Maclean foi julgado por alta traição e declarado “não culpado”, mas “insano”. De acordo com o The Guardian, foi então condenado a viver seus dias em um asilo até sua morte, em 1921. Apesar do caos e do medo que seguiram as muitas tentativas de assassinato, após cada uma delas, a rainha Vitória se tornava cada vez mais popular entre os súditos.

10. ELA PROPÔS CASAMENTO AO SEU MARIDO

O casamento da rainha Vitória e príncipe Albert, por George Hayter.

Poucos dias antes de sua festa de 17 anos, Vitória conheceu seu primo, Príncipe Albert de Saxe-Coburgo e Gotha. Quatro anos depois, a então rainha Vitória propôs matrimônio ao príncipe, em 15 de outubro de 1839. Se casaram em 10 de fevereiro de 1840, na Capela Real do Palácio de St. James, em Londres.

Vitória estava profundamente apaixonada por Albert e, uma vez casada, alegou estar verdadeiramente feliz pela primeira vez em sua vida. Depois da noite de casamento, a rainha Vitória escreveu em seu diário, citado por Elizabeth K. Helsinger e outros, no livro The Woman Question: “Nunca, nunca passei uma noite assim! Meu querido, querido, querido Albert … Seu excessivo amor e carinho me deram sentimentos de amor e felicidade celestiais que eu nunca poderia ter esperado sentir antes!”

11. ELE DEU INÍCIO A MAIS UMA TENDÊNCIA DE CASAMENTO

Vestido de casamento da rainha Vitória

Na ocasião do casamento, era comum que os vestidos das noivas apresentassem uma variedade de cores. A rainha Vitória, no entanto, quis destacar o bordado de renda do vestido e pediu em branco. Segundo informações da revista Vogue, ela também pediu para que nenhum de seus convidados estivesse usando branco, para não tirar a atenção dela. A rainha inclusive ordenou que o modelo do vestido fosse destruído, para que ninguém o copiasse. A rainha Vitória usou o vestido com um véu de 18 pés de comprimento, sapatos de cetim branco, brincos de diamante turcos e um broche de safira que pertencia ao príncipe Albert. Por cima do véu, a rainha usava uma coroa de flores de mirto e laranja.

12. ELA E SEU MARIDO TIVERAM 9 FILHOS

A família real em 1848

Ao longo de sua vida, a rainha Victoria tornou-se mãe de nove crianças com  o príncipe Albert. Seus filhos e filhas mais tarde se casaram em várias outras monarquias europeias, produzindo os 42 netos da rainha espalhados nas famílias reais da Alemanha, Rússia, Romênia, Suécia, Noruega, Grécia e Espanha.

13. ELA SE TORNOU A PRIMEIRA RAINHA RECONHECIDA COMO TRANSMISSORA DO GENE DA HEMOFILIA

Fotografia digitalmente colorida de Alexei Romanov, bisneto hemofílico da rainha Vitória.

A rainha Vitória foi a primeira em sua família a transmitir a hemofilia B, um distúrbio de coagulação do sangue, embora a própria rainha não fosse hemofílica. Por causa da vasta linhagem de Vitória, a doença foi transmitida aos membros de famílias reais e nobres em toda a Europa. Um estudo de 2009 na revista Science comparou a mutação da hemofilia com os membros da família real russa, os Romanov.

A doença ceifou a vida de vários de seus descendentes: o filho da rainha Vitória, Leopold, duque de Albany, morreu aos 30 anos depois de escorregar e cair, e dois de seus netos, Frederico e Leopoldo, também morreram devido à aflição. Acredita-se que o último portador real da doença foi o Príncipe Waldemar da Prússia, que morreu em 1945, de acordo com relatórios da revista Science.

14. ELA FOI A PRIMEIRA MONARCA A VIAJAR DE TREM

A era vitoriana foi um período de rápido avanço tecnológico e industrialização. A eletricidade começou a se tornar mais comum, a fotografia tornou-se um meio popular, e os sistemas ferroviários se espalharam pela Grã-Bretanha. Em 1842, Vitória tornou-se a primeira monarca a viajar num trem, de acordo com a PBS. O passeio de Slough, perto do Castelo de Windsor, em direção a Paddington, no oeste de Londres, levou cerca de 30 minutos para ser concluído. Segundo a revista People, a rainha de 23 anos achou o passeio delicioso e disse que o “movimento era muito leve e muito mais fácil do que uma carruagem – também sem poeira ou grande calor”.

15. ELA É A SEGUNDA MONARCA BRITÂNICA QUE TEM O REINADO MAIS LONGO

Elizabeth II (esquerda) e Vitória (direita)

Não muito tempo atrás, a rainha Vitória mantinha o título de monarca britânico com o reinado mais longo, tendo usado a coroa por um total de 63 anos e sete meses, até o dia de sua morte, de acordo com a PBS. Em 2015, a rainha Elizabeth II quebrou o recorde da rainha Vitória e continua a segurá-lo hoje, após 66 anos.

16. SEU NOME VIVE EM MAIS DE 100 LUGARES AO REDOR DO MUNDO

Vitória Régia

Como rainha da Inglaterra durante o período imperial da Grã-Bretanha, Vitória inspirou o título de várias coisas e lugares, desde lagos e montanhas, até cidades. Das 33 estradas Vitória no Reino Unido para o Victoria Park, em Bhavnagar (Índia) e dois Mount Victorias, na Nova Zelândia. Seu nome vive em todo o mundo. Músicas como “Victoria” dos Kinks e “Queen Victoria” de Leonard Cohen, foram inspiradas pela monarca. A planta Vitória Régia, que floresce na região amazônica, também recebeu seu nome em homenagem à rainha britânica.

Traduzido e adaptado por Renato Drummond Tapioca Neto

Fonte: VARGAR, Chanel. 16 Fascinating Facts You Didn’t Know About Queen Victoria. 2018. – Acesso em 24 de janeiro de 2018.

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