A Garotinha – Um Conto sobre Cersei Lannister

Esperei minha vida toda por alguém que pudesse me proteger. – Pensava Cersei, com os braços em volta dos joelhos dobrados, em um canto da cela miníma em uma das torres do Grande Septo de Baelor. –Esperei por Rhaegar e pai falhou comigo, então me vendeu a Robert… e por um breve momento pensei que podia ser feliz a seu lado, que o novo grande rei me protegeria, e o maldito porco também falhou-me. Até mesmo Jaime, meu irmão, meu amado… que agora, quando mais preciso, me abandona. – Sozinha dentro daquele cubículo abafado e mal iluminado ela podia, por um alguns instantes, se deixar levar pelas lágrimas de toda uma vida amargurada e sem sentido enquanto pensava e o sono não vinha de forma alguma, fazendo com que mais lembranças e reflexões chovessem sobre sua mente, ao passo em que o frio da rocha cortava sua pele.

Estava totalmente nua, uma vez que as malditas septãs haviam levado suas roupas para o mais profundo dos Sete Infernos e no lugar lhe enfiaram uma túnica suja por entre a porta, feita do que lhe pareciam restos de sacos de linho cru, áspero e duro como as lixas de um pedreiro. Rasgara-o na hora, e agora pagava por aquilo, porém ela não seria a única a expurgar seus pecados. Todos pagariam um dia por suas traições, todos os bajuladores que juraram servi-la e protegê-la e ao primeiro sinal de perigo fugiram como ratos em um navio prestes a ir à pique. Os falsos amigos que ela criara em seu seio e que a cercaram no final das contas, todos seriam esmagados, além das cobras e ratos traiçoeiros que cercavam aquele lugar fétido conhecido como Porto Real, todos pagariam com o próprio sangue. E enquanto pensava naquelas coisas as lágrimas continuaram a queimar em seu rosto, cegando sua visão e tampando sua garganta.

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Desde que era uma garotinha, no Rochedo, pedia aos deuses que a protegessem. Esperava que seu pai, o imponente lorde Tywin Lannister, também a protegesse, que seu bravo irmão gêmeo a protegesse… No fundo, a leoa do Rochedo, como agora gostava de se auto-intitular, ainda sentia-se aquela garotinha de longos cabelos dourados como o sol, pequena, e levada. Tendo de lutar sozinha contra o mundo inteiro. – Conseguirei? Não tenho ninguém a meu lado, Mãe! Por que isso?! – Ela exclamou, com a voz abafada e finalmente percebeu que estejava chorando de forma descontrolada. Não deixaria que muitas mais lágrimas escapassem por seu rosto, uma septã, seca e murcha, como uma uva passa, poderia adentrar a qualquer momento para tentar arrancar dela, novamente, a confissão que ela não faria. Não poderia deixar que a vissem daquela forma, jogada em um canto sujo e vazio da cela, aos prantos como a garotinha que sentia ser. Uma mulher pode chorar, mas não uma Rainha. Encontrarei forças em mim mesma, e todos verão quem é Cersei da Casa Lannister, a leoa de Rochedo Casterly!

Todos usamos máscaras e pesadas armaduras. Dizem que nos tornamos frios e duros ao usá-las, porém, às vezes é necessário, uma vez que a criança em nós nunca aguentaria todo o bombardeio de falsidade e maldade ao qual o mundo se ressume. Talvez o verdadeiro cerne da humanidade seja este: estamos sozinhos e devemos lutar contra o mundo desta maneira. Não há cavaleiro corajoso para nos defender, ou pai carinhoso para nos proteger. Somos apenas nós e nossos interiores, nossas crianças inocentes e amedrontadas. Devemos pois traja-las para as batalhas da vida, contra as serpentes de nossos sonhos e nos mascarar da melhor forma possível. Seremos leões, aqueles que conseguirem, e que os deuses estejam os que não conseguirem… Se é que eles existem…

 Conto escrito pelo leitor Jhonatas Elyel

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