Remanescentes humanos do czar Nicolau II e sua família podem ser novamente exumados!

Traduzido e reescrito por: Renato Drummond Tapioca Neto

A pressão em Moscou para exumar os restos mortais do czar Nicolau II e de sua família está aumentando! Tudo devido às duvidas levantadas por manifestantes da Igreja Ortodoxa quanto à legitimidade dos mesmos. Os ossos que se acreditam pertencer ao imperador, sua esposa e três de suas filhas foram resgatados em 1991 e agora estão sepultados na catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo. Nicolau abicou do trono durante a Primeira Guerra Mundial, em 1917, e logo depois ele e sua família foram exilados para a Rússia Ocidental pelos revolucionários bolcheviques que o derrubaram. Na madrugada de 17 de julho de 1918, os últimos Romanov foram fuzilados, graças à ordens dadas por Lenin. A proposta de exumação dos remanescentes humanos foi feita esta semana por um dos pretendentes ao trono imperial russo que, por sua vez, também é um dos altos funcionários do governo de Vladimir Putin.

De acordo com o site de notícias Daily Mail, oito anos após a descoberta dos supostos ossos do czarevich Alexei e de uma de suas irmãs (Maria ou Anastásia), seus remanescentes ainda não foram sepultados ao lado dos demais membros da família. Em vez disso, os ossos de ambos foram depositados em caixas de papelão confidencialmente guardadas no Arquivo do Estado Russo. O governo se recusa a ordenar o funeral devido às objeções levantadas pela Igreja. Muitos interpretaram isso como uma injustiça contra o herdeiro da coroa, que foi privado de seu trono por causa das Revoluções Russas de 1917.

Crânios de Nicolau II (direita) e Alexandra Feodorovna (esquerda).

Crânios de Nicolau II (direita) e Alexandra Feodorovna (esquerda).

Por cerca de 300 anos, a casa dos Romanov foi considerada por milhares de russos como a encarnação viva da nação e seu líder, o czar, tinha sido escolhido por Deus para governar o Império. Acredita-se que os restos mortais de Nicolau II, sua esposa, filhos e alguns criados tenha sido encontrados numa floresta aos arredores de Ecaterimburgo em 1979, e novamente desenterrados 11 anos depois, quando a URSS entrou em colapso. Exaustivos testes de DNA foram realizados em laboratórios da Grã-Bretanha e dos EUA, envolvendo a participação de alguns parentes vivos da família, como o príncipe Philip. Em 1998 os restos mortais foram solenemente sepultados.

Os bolcheviques justificaram o assassinato dos Romanov tendo como base as relações entre Nicolau II e o chamado “Exército Branco”, assim como com o rei George V do Reino Unido, primo do czar. Antes de executá-los, Yakov Yurovsky, líder dos executores, disse o seguinte: “em vista do fato de seus parentes continuarem a atacar a Rússia Soviética, o Ural Executive Committee decidiu executa-lo”.

A chefe da casa Imperial Russa, Grã-duquesa Maria Vladimirovna, disse que não se oporia a uma nova exumação do czar Nicolau e de sua família, desde que tal atitude seja considerada necessária pela Igreja Ortodoxa e pelo governo. Segundo Sergey Mironenko, diretor do Arquivo do Estado Russo, em entrevista à TV Spas: “para descobrir a verdade, é necessário ouvir os representantes da igreja e exumar os restos mortais que foram enterrados na Catedral de São Pedro e São Paulo.” Por trás da polêmica, está a recusa da Igreja Ortodoxa em acreditar na opinião de uma série de especialistas em testes de DNA tanto da Rússia quanto do Ocidente, que afirmam que os ossos originalmente encontrados em 1979 são de fato os do czar Nicolau II, sua imperatriz, Alexandra e seus filhos. Para os russos, não restam dúvidas de que os remanescentes humanos são autênticos. Embora os representantes da Igreja Ortodoxa desacreditem que os ossos encontrados em 2007 sejam os de Alexey e o de uma das princesas, e por isso se recusem a sepultá-los, os especialistas dizem que é “80 trilhões de vezes mais provável” de que os restos mortais pertençam aos dois filhos do czar.

Um alto funcionário do governo de Vladimir Putin, Sergey Mironenko diz que

Um alto funcionário do governo de Vladimir Putin, Sergey Mironenko diz que “é preciso ouvir a igreja” e desenterrar os restos mortais da família imperial.

German Lukyanov, advogado para a Casa Imperial da Rússia, disse que se o governo russo exigir, os descendentes dos Romanov “não seriam contra um exame mais aprofundado” dos ossos. Ele disse também que: “é extremamente importante se considerar a opinião da Igreja Ortodoxa Russa possível a exumação, para que a sociedade de chegue a um acordo sobre isso”. O alto funcionário Mironenko disse que mais testes sobre os ossos devem ser realizados com especialistas de confiança da Igreja. Já o representante da Igreja Ortodoxa, Vsevolod Chaplin, disse que há um enorme desejo “para se enterrar os restos que agora estão armazenados em um escritório do Arquivo do Estado”. E acrescenta: “muitas pessoas gostariam de saber a verdade e suspeito que a verdade tenha sido escondida delas. Acredito que devemos permitir que uma ampla gama de especialistas, e não apenas os ortodoxos, estudem todos os remanescentes disponíveis”.

Em 2011, o Comitê de Investigação da Rússia, terminada a investigação sobre as mortes reais, concluiu com base em evidências de DNA que os corpos encontrados nos Urais eram genuínas, incluindo os de Alexei e sua irmã (Maria ou Anastásia). Para a Igreja, e alguns parentes dos Romanov, os remanescentes da última família de governantes da Rússia Imperial foram não foram enterrados no local onde se acredita que foram e sim nas proximidades de uma mina abandonada em Garina Yama, tendo sido queimados até as cinzas.

Contudo, é possível que os remanescentes dos Romanov tenham sido transladados da mina em Garina Yama para o local onde foram encontrados anos mais tarde, devido ao medo que os bolcheviques tinham de que fossem descobertos pelas forças brancas. A Igreja Ortodoxa também aponta para o fato de que durantes os testes de DNA não foram encontrados nos ossos do czar marcas do ferimento que este sofreu pouco antes de assumir o trono, decorrente de uma tentativa de assassinato no Japão.

Foto digitalmente colorida dos filhos do Czar Nicolau e da Czarina Alexandra.

Foto digitalmente colorida dos filhos do Czar Nicolau e da Czarina Alexandra.

Como afirmam os cientistas que conduziram os testes (Peter Gill, da Forensic Science Service em Birmingham, Inglaterra; Pavel Ivanov do Genetic Laboratory em Moscou; e Michael Coble, da Armed Forces DNA Identification Laboratory em Rockville, Maryland, US), a análise mostrou uma correspondência entre o DNA dos ossos da czarina Alexandra e do príncipe Philip, que compartilham um ancestral em comum: a rainha Vitória. “O teste de DNA foi claro e convincente”, disse Michael Coble.

Os cientistas argumentam que quando os outros remanescentes foram encontrados em 2007, a análise só confirmou as conclusões anteriores. Quando o cromossomo Y dos ossos de Alexei foi comparado com os ossos que se acreditam ser do seu pai Nicolau II, juntamente com o de um doador vivo, Andrei Romanov, descendente  do czar Nicolau I, verificou-se que eles combinavam. Finalmente, uma amostra de sangue coletada de uma camisa vestida por Nicholau II durante o ataque japonês (guardada em um museu de São Petersburgo) foi usada nos testes, obteve-se um DNA correspondente.

A Igreja Ortodoxa, porém, exige 100% de certeza por parte dos pesquisadores. O Capelão disse que não é só importante um fragmento de determinado indivíduo corresponder geneticamente com o de outros membros da família, como também é preciso considerar a integridade dos esqueletos. Para ele, a falta de um ferimento de espada nos ossos de Nicolau levou a dúvidas. A decisão final sobre a exumação, entretanto, cabe ao presidente Putin. Em todo caso, parece que o mistério ligado à morte dos Romanov está longe de chegar ao fim.

Fonte: Daily Mail

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