Enquanto Aurora dormia: uma análise do clássico da Disney em perspectiva comparada

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Clássico da Disney de 1959 que encantou (e encanta) gerações ao redor do mundo, “A Bela Adormecida” poderia passar aos olhos de uma criança, ou mesmo de um adulto, como mais uma adaptação animada de contos de fadas, que traz como personagem principal a figura de uma bela princesa enfeitiçada, esperando por um beijo de amor verdadeiro que a desperte de seu longo sono. Essa fórmula já foi utilizada por alguns contistas no século XVII, ganhando mais notoriedade na versão dos irmãos Grimm, publicada em 1812. Nela, um rei havia dado um banquete em homenagem ao nascimento de sua filha e, para tal ocasião, convidou doze fadas, que presentearam a criança com os dons da beleza, sabedoria, canto, etc. Porém, uma fada que não havia sido chamada, indignada, lançou um feitiço no bebê, condenando a criança a espetar seu dedo no fuso de uma roca, causando-lhe assim a morte. Como a 12ª fada convidada ainda não havia presenteado a criança com um dom, então ela usou seus poderes para suavizar a maldição, pondo-a num sono profundo, em vez de na cova. Com o tempo, um príncipe encontra a princesa e, com um beijo de amor, a desperta de seu sono, casando-se com a mesma e vivendo juntos felizes para sempre.

Pôster do Filme Sleeping Beauty (A bela Adormecida), de 1959.

Pôster do Filme Sleeping Beauty (A bela Adormecida), de 1959.

O conto possui muitas outras versões, variando de autor para autor. Mas, em essência, foi essa a base para a produção de 75 minutos da Disney, que, como já havia feito em clássicos como “Branca de Neve” e “Cinderela”, alterou a ordem dos acontecimentos e de suas personagens para torna-la mais agradável ao público infantil de então. Todavia, longe desse texto ser apenas uma mera resenha de uma animação envolvendo princesas e príncipes encantados, proponho-me a analisar as representações dos papéis femininos distribuídos na trama. Se estudados com atenção, eles passam uma mensagem completamente diferente da que se é captada pela primeira vez que assistimos ao filme. Lembro-me de uma tarde de sábado, quando tinha cerca de seis ou sete anos, em que minha irmã e eu ficávamos sentados no sofá horas e horas a fio, reassistindo “A Bela Adormecida”, entretidos com o enredo mágico daquela história. Os anos passaram, e cá estava eu novamente, sentado num sofá, procurando filmes na TV a cabo para passar o tempo, quando paro no canal da Disney e encontro esse clássico que tanto me divertiu na infância. Só que dessa vez consegui enxergar uma série de fatores que antes sequer passavam pela minha cabeça quando criança. Existem por aí inúmeras teorias da conspiração envolvendo os filmes produzidos pela Disney (vide “O Código da Vinci” de Dan Brown), mas, nesse caso, o que me chamou a atenção foi à própria representação da mulher na obra.

Por ter seu rosto estampado no material promocional do filme, muitos pensariam que Aurora é a personagem central do mesmo, mas não. Longe disso. Ela nada sabe dos acontecimentos sérios que estão se desenvolvendo ao seu redor, estando sempre inerte em seu profundo sono de ingenuidade. Em vez de falarmos de Aurora, que só recebeu esse nome nessa versão do clássico, quero me atentar especialmente à figura de quatro personagens específicos: a vilã, Malévola, e as três fadas, Donas Flora, Fauna e Primavera. A primeira representa as forças das “trevas”, ao passo que as três últimas o “bem”. Seria isso mesmo? Repensemos um pouco a vida da “rainha do Mal”: Malévola é uma mulher solteira, independente, excluída do reino por não se adequar ao estereótipo de submissão e recato das demais. Não obstante, vive cercada de servos incompetentes, que deixam todo o trabalho sério para ela mesma. Cansada de esperar os acontecimentos se passarem sem sua presença, ela resolve aparecer no batizado da filha do rei Estevão, sem ter sido convidada, e de lá é rechaçada, por não ser bem-vinda. Indignada com a falta de consideração, resolve lançar uma maldição na criança, vingando-se da humilhação pública e do esquecimento. Há quem interprete Malévola sob um ponto de vista totalmente oposto, como o de uma bruxa que quer acabar com a alegria dos outros, por ela mesma não ser feliz, o que não está de todo errado.

Fisicamente caracterizada como um demônio do período medieval, Malévola é o personagem mais interessante da trama.

Fisicamente caracterizada como um demônio do período medieval, Malévola é o personagem mais interessante da trama.

Com efeito, esse aspecto se torna ainda mais simbólico quando partimos para uma análise da caracterização física da personagem: vestes negras, olhos amarelos, pele esverdeada e dois grandes chifres saindo-lhe da cabeça. Estou enganado, ou essa é a perfeita descrição de um demônio medieval? A história se passa no século XIV, ou seja, baixa idade média. No imaginário popular, fadas, duendes e bruxas conviviam com seres humanos, embora sem serem vistos. Entretanto, para as pessoas eles estavam presentes, fazendo travessuras e malvadezas a quem lhes aprouvessem. Inclusive, muitos usaram (e ainda usam) a ação de seres encantados como justificativa para a causa de acontecimentos que, a priori, não têm uma explicação lógica. Em “A Bela Adormecida”, voltado principalmente para o público infantil, esses seres encantados aparecem naturalmente para os homens e os ajudam a vencer os obstáculos da vida, como o fazem as três boas fadas. Malévola seria o oposto disso. No entanto, ela talvez seja a personagem feminina mais interessante de todas no filme. Para entendê-la, atentemo-nos para alguns acontecimentos do ano em que o filme foi lançado.

No final da década de 1950, e durante a de 1960, o movimento feminista ganhava as ruas do Brasil e do mundo. As mulheres, cansadas de ficarem em segundo plano na vida política, lutavam pelos seus direitos, contra a vida de subserviência que vinham levando com seus maridos em casa. Como dito anteriormente, Malévola era uma mulher solteira e independente, que buscava algo que a tirasse da inércia em que vivia, a despeito da sociedade que a recluía em solidão. Esse aspecto torna a personagem vítima de preconceitos semelhantes aos sofridos pelas feministas de tempos atrás. Lembremos que no conto original ela era uma fada, mas nesse clássico de 1959 ela é uma criatura demoníaca, invejosa e triste. Penso, pois, que tal caracterização da personagem foi feita como uma forma de criticar o comportamento de mulheres na posição de Malévola; mulheres que querem ser incluídas e aceitas pela sociedade, apesar das diferenças de gênero.

No entanto, o fato de ser vilã e parecida com um demônio medieval, pode ser uma forma de condenação das atitudes de algumas militantes da época. Enquanto aquelas mulheres iam às ruas lutar por igualdade de sexos, suas filhas e filhos ficavam em casa como minha irmã e eu: assistindo “A Bela Adormecida” e tirando do filme a lição de que se me comportasse como a princesa Aurora e o príncipe Felipe, viveria feliz para sempre. Em contrapartida, se optasse por ser como Malévola, sofreria graves consequências. Esse aspecto se torna ainda mais significativo, quando atentamos para o fato de que, passada uma geração, o movimento feminista perde um pouco de sua força de expressão, especialmente nos anos 1980. Aquelas crianças, que vinte anos atrás viam suas mães irem para as ruas lutarem por seus ideais, não queriam dar continuidade ao movimento destas, e sim encontrar um amor que durasse a vida inteira.

A Rainha (sem nome) Leah.

A Rainha (sem nome) Leah.

Por falar na figura de mãe, em “A Bela Adormecida)  ela é representada pela rainha, esposa do rei Estevão. Mas qual é o nome da soberana? Não sabemos, pois o filme não faz qualquer referência a isso. Ela é retratada como uma mulher que vive para o marido e para o reino, tendo poucas falas e gestos, como fizeram outras esposas de reis no antigo regime. Interessante o fato de que, logo após reassistir a animação, pesquisei o nome da personagem e descobri que é Leah, enquanto Aurora, no conto dos irmãos Grimm, era conhecida como a bela adormecida. Percebam, então, como uma figura feminina é negligenciada em detrimento da outra. Nesse caso, a filha, a qual tem “o brilho do sol em seus cabelos e lábios rubros como a rosa”, recebe toda uma atenção especial por parte da equipe da produção, de forma a seduzir-nos mais por seus encantos femininos próprios de uma virgem recém-saída de um romance da Era Vitoriana, do que de uma mulher firme e decidida. Afinal, Aurora desiste de seu flerte com um rapaz estranho (sem saber que este era ninguém menos que o príncipe para quem estava prometida), optando por se casar com alguém que nunca vira ou soubera na vida.

No que diz respeito ao estado do matrimônio, me surpreendi em perceber como naquela produção de desenho animado, o enredo consegue dar conta da política de casamentos reais, feita como uma espécie de jogo de alianças entre reinos próximos. Aurora, já em seu batismo, é dada em casamento ao príncipe Felipe. Nenhum dos dois teria o direito de escolher quem iria desposar no futuro, pois essa decisão não estava em suas mãos. Podemos entender muito bem isso a partir do diálogo entre as fadas Fauna e Primavera (aos 49min da trama):

– Oh! Eu não sei por que casar com um príncipe! – disse Primavera, ao passo que Fauna respondeu:

– Isso não nos cabe decidir.

Em sua fala, as fadas se prostram diante de um sistema milenar sob o qual não tinham qualquer ascendência, assim como no que convimos denominar de a teoria do direito divino dos reis. Esse pensamento é evidenciado pela fada Flora quando esta diz à princesa Aurora (aos 48 min da trama):

– Se aqui você se sentar, um último presente, querida, queremos lhe dar. O símbolo de sua realeza: a coroa de tanta graça e beleza, de seu direito e dignidade.

As três fadas trapalhonas: Dona Flora, Dona Fauna e Dona Primavera.

As três fadas trapalhonas: Dona Flora, Dona Fauna e Dona Primavera.

Em apenas uma frase, Flora mostra para o telespectador o pensamento pelo qual os reis impunham seus poderes aos demais súditos. Era um representante de Deus na terra, e a coroa, portanto, era sua de Direito.

No tocante aos soberanos, na trama eles são representados pelo rei Estevão, pai de Aurora, e Humberto, pai de Felipe. O primeiro não passa de um rei fraco, que assente em passar seu reino para as mãos do filho de Humberto ao dar sua única filha em casamento a ele, enquanto que o segundo é um bêbado e paspalhão. No outro vértice está o príncipe, o herói romântico e viril, que, como Malévola mesmo ressaltou, tinha como destino transformar em realidade um belo conto de fadas. Quando a luta entre o bem e o mal termina, e a vilã morre, Felipe beija Aurora e a desperta de seu sono profundo. Final digno de um romance, exceto pelo fato de que um grave equívoco fica na mente de quem assiste ao filme. Foi mesmo o príncipe quem venceu a bruxa má? E claro que não! Não fosse a ajuda das três fadas ele jamais teria conseguido se livrar de seu cativeiro, e se por um milagre o fizesse, teria morrido de muitas formas nas mãos dos servos de Malévola ou mesmo nas dela, seja por uma chuva de flechas, ou espetado em uma floresta de espinhos.

Sendo assim, a grande batalha não é travada entre o príncipe encantado e a bruxa, mas sim entre esta e as fadas Flora, Fauna e Primavera. São elas que salvam Felipe dos muitos perigos que ele encontra na estrada para o castelo, como também enfeitiçam a “espada da verdade” para que atingisse em cheio o coração da vilã. Desse modo, “A Bela Adormecida”, muito longe de mostrar o final feliz dos noivos, é na verdade uma jornada empreendida por três senhoras atrapalhadas, também solteiras e independeres, que eram inconscientes da extensão de seus próprios poderes. Incrédulas desde o início de que poderiam vencer a vilã, acabam por demonstrar que juntas elas eram mais fortes. Não fosse o ódio que a cegava, Malévola teria triunfado sobre todos. Mas, como este se trata de um clássico para crianças, não seria justo cortarem-lhe as asas da imaginação ao mostrar que na vida real, quase sempre, é o vilão quem vence. Só que este não se trata de bruxas malvadas, dragões, ou o que quer que atribuamos a culpa por nossas dores e sofrimentos. Não! O verdadeiro vilão caminha lado a lado conosco mesmo que não sintamos de imediato sua presença. No entanto ele está lá, e atende pelo simples nome de ignorância!

Bibliografia consultada:

ALVES, Branca Moreira; PITANGUY, Jacqueline. O que é feminismo. 8. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.

HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos: o breve século XX. 1941-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

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21 comentários sobre “Enquanto Aurora dormia: uma análise do clássico da Disney em perspectiva comparada

  1. Nossa nunca tinha pensado nessa perspectiva! Realmente é uma ótima análise, e a Malévola sempre foi minha preferida (na verdade nos filmes da Disney sempre gostei das “bruxas”, mais do q das princesas, só a Mulan ganhou meu coração)!
    Adorei essa análise!

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    • Muito Obrigado! Se pararmos pra pensar, muitos filmes da Disney são cheios de mensagens subliminares como “A Bela Adormecida”. Penso que isso por si só já daria um excelente tema de pesquisa monográfica! 🙂

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  2. Análise Sensacional! De fato, tais analogias, agora, se tornam tão claras e coesas que é como se elas sempre estivessem aqui, ainda que inconscientes. A relação com o movimento feminista, então .. Simplesmente PERFEITA! O gosto de Walt Disney por mensagens subliminares, é, sem dúvida, inquestionável; mas, relativo a essa obra, gostaria de fazer uma ponte entre duas de suas ideias apresentadas. Assim como ele deixa transparecer o fato de que as mulheres, nesse caso Malévola, que se comportam fora dos padrões estão destinadas a um futuro miserável, subentendidamente ele também mostra que são elas as únicas astutas o suficiente de vencer durante uma disputa de poderes, principalmente se estiverem juntas. Concorda comigo então que, na superfície, para possivelmente agradar o governo americano, o filme traga a visão da mulher subserviente como certa, mas nas entrelinhas ele demonstra que aquelas que fogem as regras são as que realizam grandes feitos?
    No mais, parabéns pelo escrito. Simplesmente Formidável 😉

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    • Concordo Plenamente… Dona Flora, Fauna e Primavera, apesar de suas trapalhadas (sem dúvidas as cenas mais engraçadas são as delas), mostram que a união faz sim a força, assim como provaram as militantes do movimento feminista nos anos 1960, e ainda o provam nos dias atuais! 🙂

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  3. Muito boa a critica! Vale a pena re-assistirmos o que vimos na infância para descobrimos novas coisas que nao enxergávamos…a partir do Shrek, muita coisa mudou como midia para o publico infantil e como também para o adulto, um exemplo que tambem gosto muito é a série “Once Upon a Time” lá sempre mostra o porque que uma “viã” ou “bruxa má” é denominada assim, nem sempre eram elas sao assim pq sao, há uma estória por trás, por isso eu sempre gostei mais dos “vilões”, que na minha opinião são nada mais e nada menos pessoas injustiçadas por pessoas de cargos e poderes aquisitivos maiores, e acabam se amargurando a ponto de se vingar, tudo é mal interpretado, e na infancia tudo era contido de uma maneira errada, mas a midia de hoje percebeu que a geraçao atual é a mais inteligente e diferente que antes, nao é uma simples estória de princesa, principe e bruxa que vá impressionar e nem ensinar a ser melhor…Shrek mostra que o feio pode ser bonito por dentro e vice-versa.
    Já ouvi falar de pontos sobre o Rei Leão também, a Disney tem muita mensagem vamos dizer, subliminar….
    Mas chega de filosofar nos comentários do seu post, aliás, ótimo post! Parabéns! Faça mais! =D

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    • Muitíssimo obrigado pelo interesse e pelas boas palavras. Como você mesma falou, faz-se necessário estabelecer o porquê de determinado indivíduo agir de uma forma interpretada como má. Não obstante, também uma análise da época em que determinado filme foi feito, já que toda produção reflete as complexidades do tempo em que foi criada e de quem as fez. Como a Vanessa citou antes, os EUA na época de A Bela Adormecida estava em plena Guerra Fria, então todo filme, livro, ou música, passava por uma espécie de censura, para assim não transparecer valores comunistas. Deveria ser muito engenhoso como os criadores deste longa-metragem, e de tantos outros, para passar um mensagem oculta que tinha um forte cunho político! 🙂

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    • Cara, pra vc ter uma idéia, a Disney sempre foi a minha infância, mais do que qualquer coisa ou pessoa, minha maior decepção foi quando descobri que o Sr. Disney fez o primeiro Mickey atacando os kamikazes do Japão, tipo, não podemos esquecer do orgulho e o patriotismo que os americanos tem! Independentemente no ramo que eles estiverem, a Dream Works ter lançado desenhos para competir foi a melhor coisa que aconteceu, porque pra mim eles fazem animações com valores diferentes para mostrar (lá vou eu puxar-saco do Shrek) e também com humor até para os adultos! rsrs
      E de nada! Descobri seu blog pelo o Ana Boullen, e vou seguir e comentar sempre que me interessar, porque amo História e discutir tudo que envolve isso! Eu também fiz uma resenha no meu blog sobre a princesa Sissi e a trilogia dos filmes, a diferença do que eu via na infância pro o que você vê quando cresce, se quiser dar uma olhada:

      http://ladycult.wordpress.com/2013/05/01/sissi-a-imperatriz-da-austria/

      Bjs. 😉

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  4. Por acaso foi o 1ºfilme da Disney que tive em vhs… Tb o revi imensas vezes… afinal na altura em Portugal só existiam 2 canais de televisão, não tinha escola a tempo inteiro e era filha única…
    Engraçado que ao ler os diálogos, a minha memória trouxe-me as vozes do filme… É que em Portugal, na década de 80, os filmes da Disney ainda não eram traduzidos em Português. O 1º a ser traduzido em Português foi o Rei Leão (1995)! Fiquei de tal modo aficionada à tradução brasileira que não consigo ver A Pequena Sereia, o Aladim, a Branca de Neve, a Bela e o Monstro, Bambi, Dumbo, a Cinderela, etc em Português europeu!!! Então relativamente à Cinderela só encontrei a versão “Twist in time” em português europeu… desisti… preferi ver em inglês uma vez que não encontrei em brasileiro!

    Adorei esta análise ao filme da Disney que tanto me encantou na infância! E de facto quando revemos os desenhos animados na nossa infância reparamos em pormenores que na nossa infância nos passavam ao lado. Exemplo:- Já experimentaram “ouvir” a letra da música da Ursula? Em pequena estava “formatada” para a achar mentirosa e má… Mas há ali umas verdades escondidas!!!!

    Obrigada por este post 🙂

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    • Por nada, Ana.
      Eu é que fico feliz por você ter gostado do texto e se identificado com a abordagem dele. Os filmes da Disney marcaram a infância de muitas pessoas, de modo que é um exercício bastante interessante o de você assisti-los novamente e tentar identificar as mensagens que o olhar infantil não conseguiu captar.
      Grande Abraço!

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  5. Ótimo artigo! Em todo o caso, acho que uma análise mais aprofundada de cada personagem e maior uso de falas do filme com frases de articulistas e pensadores enriqueceria seu texto ainda mais!

    O que eu acho interessante frisar também é o modo de pensar da época em que o filme fora criado. Naquela época, o ideal de beleza, pureza e felicidade era o retratado pelo casal Aurora/Felipe, jovens representantes da realeza que teriam tudo para poder viver feliz para sempre.

    Hoje temos uma concepção diferente desta. As mulheres não são mais passivas quanto a sua função na sociedade, elas saem de casa, vão trabalhar, fazem seus hobbies, planejam viagens etc. Por isso, atualmente é muito mais agradável e interessante ver a presença de personagens como a de Malévola, que extrapolam todo o conceito de “certinho”, moldado por anos e anos pela idealização romanesca. Malévola vai atrás dos seus desejos, transgride, faz valer as suas vontades, enquanto Aurora é submissa e se rende a um destino programado por terceiros, por isso a vilã se torna referência nos dias de hoje e sua figura é enigmática e tentadora.

    A análise que eu faço, acho que expressa bem os tempos atuais. Hoje em dia as personagens que mais atraem o público são os vilões, pois eles não estão satisfeitos com suas vidas e querem mudar, correm e tentam mudar seu destino, mesmo que para isso tragam infelicidade e tragédia para outrem. Não estou dizendo que isso é legal ou que deveríamos seguir este tipo de conduta, mas os antagonistas são os que melhor retratam o ser humano, pois unem o bem e o mal em apenas um recipiente e trazem maior verossimilhança na dramaturgia.

    Se quiser debater mais depois, meu face: facebook.com/alexanderkreuz ou twitter @Sasha_Cruz 🙂

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    • Fico muito feliz que tenha gostado, Sasha. Achei bastante pertinente as suas conclusões, mas sou da opinião de que toda produção reflete o tempo em que fora feita, de modo que o filme, em primeira análise, possa sim falar sim do século XIV. Nesse caso, repensar os papéis dos personagens dentro dessa temporalidade é fundamental. Entretanto, a mensagem por trás de “A Bela Adormecida” é muito mais atual, representando as transformações sociais ocorridas no final da década de 1950 e início da de 1960. A propósito, adorei seu posicionamento acerca dos vilões. Concordo com você sobre esse caráter de insatisfação e mudança dos mesmos. Abraço!

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  6. De fato. Os contos de fadas não foram feitos para crianças e sim histórias repletas de simbologia e de tom moralizante. Os contos tiveram inicio com Charles Perrault e depois foram suavizados e ganharam uma versão mais infantil com os irmãos Grimm. A Disney deu uma nova roupagem a essas histórias que na verdade são bem diferentes do que conhecemos hoje.

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  7. Esse sempre foi o meu filme favorito da Disney, desde pequena. Acho que era meu lado apaixonado por história se manifestando, pela estética dos cenários e da época em que se passa. Mas nunca parei para analisar esse lado feminista de Malévola, a única coisa que me chamou a atenção é o fato de sempre criticarem Aurora por ter sido uma protagonista fraca, o que a tornou menos popular comparada as outras “princesas da Disney”. Acho que pela sua análise mesmo isso fica esclarecido. Tudo acontecia ao redor da vida dela, superprotegida, não tinha direito de escolha, logo, por que explorar ela? o foco é contar os fatos que rondam sua vida pré-determinada. A própria Malévola era mais interessante de se explorar rs

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    • Muito Obrigado pelo comentário, Patrícia. Acredito que Malévola, assim como os demais personagens da trama, reflita muito do pensamento ocidental do final da década de 1950. É interessante fazer um paralelo entre ela e a Aurora, já que, aparentemente, uma é o posto da outra rs. Espero que você retorne sempre… Abraço!

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  8. Hey Renato! Cara, parabéns. Após ler essa resenha, pude ver todo o simbolismo que estava bem na minha fuça e não pude enxergar. Como os outros mencionaram aqui, sempre preferi Malévola. Ela tinha uma presença magnética, tão deliciosamente má, curiosamente elegante e um impulso sombrio. Toda vez que assistia torcia para que ela vencesse… Eu ficava me perguntando (aliás, sempre me perguntei), qual era o condão que motivava os “vilões” a cometerem seus atos… Malévola parecia pra mim, esconder muito mais do que demonstrar, como se sua história tivesse um motivo pra respaldar a vingança (eu acho que ela tentou ser uma fada do “bem”, mas fora discriminada rsrs No final se conformara com seu destino. Ainda bem.)
    Eu não sei se você sabe, mas ano que vem irá lançar o filme “MALEFICENT” com Angelina Jolie no papel de Malévola, e contará a história sob o ponto de vista dela.
    Mais uma vez, parabéns pelo ótimo blog.
    [P.S: Adorei a matéria sobre a execução de Maria Antonieta. Ela sempre fora minha rainha preferida, e ver a injustiça do tribunal que provinha de uma revolução a base de “igualdade, fraternidade e irmandade” é simplesmente de arrepiar.]

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    • Fico muito feliz que tenha gostado do meu trabalho, Gustavo. Malévola também é uma de minhas vilãs favoritas dos filmes da Disney e estou bastante ansioso para ver a nova adaptação, com Jolie no papel principal. Pretendo, inclusive, resenhá-lo para este blog.
      Que bom gostou também da série sobre o julgamento de Maria Antonieta. O tribunal revolucionário sempre será manchado pela injustiça que cometeram com ela e Luís XVI.
      Se tiver alguma sugestão de post para o Rainhas Trágicas, por favor, não hesite é compartilhar conosco.
      Abraço, Renato.

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    • A resenha é sobre o filme de 1959 e não sobre o roteiro adaptado que a Disney fez em 2013 (e lançou esse ano), criando uma história para a personagem apenas para justificar as suas atitudes “más”! O grande problema com alguns telespectadores é que eles se deixam influenciar demais pelos contos e não procuram entender a mensagem por trás dos mesmos.

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