Conteúdo da última página do diário da rainha Elizabeth II, escrito dois dias antes de sua morte, é revelado!

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Ao longo de seus 70 anos de reinado, a rainha Elizabeth II seguiu o exemplo de seus antecessores e manteve um diário bem organizado, registrando os principais eventos do seu dia-a-dia. Ciente de que essa documentação poderia ser lida por historiadores no futuro, a falecida monarca costumava ser bastante meticulosa nas suas anotações. Certamente, o conteúdo dos volumes dos seus diários (encadernados em couro e numerados com algarismos romanos), pode ajudar a reescrever a história política da segunda metade do século XX e das primeiras duas décadas do século XXI. Recentemente, o biógrafo real, Robert Hardman, autor de uma biografia sobre a soberana, revelou uma frase que consta no início da última página do seu diário, escrita no dia 6 de setembro de 2022, dois dias antes de sua morte, no castelo de Balmoral, na Escócia.

Durante seu reinado de mais de 70 anos, Elizabeth II manteve um diário bem organizado, relatando os eventos mais importantes de sua agenda como chefe de Estado.

Hardman descobriu a anotação durante as pesquisas para sua edição revisada da biografia do rei Charles III. Segundo revelou ao The Tepegraph, o diário da rainha era um espaço em que ela expunha suas atividades como chefe de Estado, sem dar vazão a sentimentos pessoais ou diálogos íntimos. Conforme a própria soberana disse certa vez ao jornalista Kenneth Rose, “não tenho tempo para gravar conversas, apenas eventos”. Ao final de cada dia, ela se sentava à sua escrivaninha e começava a anotar os acontecimentos mais relevantes, em elegantes brochuras com capas de couro, gravadas com seu monograma. Em depoimento ao tabloide The Sun, feito em 2019, um ex-membro da família real disse: “não importa o quão tarde a hora ou o quão cansada ela possa estar. […] É um dever imperdível, e ela escreve em uma mesa, nunca na cama”.

A última anotação que Elizabeth II fez no seu diário foi no dia 06 de setembro de 2022, quando deu posse à sua 15ª Primeira-Ministra, Liz Truss.

No dia 06 de setembro de 2022, a soberana de 96 anos se encontrava na sua residência favorita, o castelo de Balmoral, em Aberdeenshire, na Escócia, quando aceitou a renúncia do seu então Primeiro-Ministro, Boris Johnson. Em seguida, ela recebeu a sucessora dele ao cargo, Liz Truss (terceira mulher a assumir o posto em seu reinado), para o tradicional juramento que marca a posse de um novo Premiê. As fotografias tiradas naquele dia se constituem no registro da última aparição pública da monarca. Depois disso, Elizabeth esperava a visita de seu secretário particular, Sir Edward Young, para analisar a transição de governo e os nomes apontados para compor as pastas ministeriais. Pelo menos, é isso o que a soberana nos conta na introdução da página do dia 06: “Edward veio me ver”, anotou ela no seu diário. O restante do conteúdo, porém, não foi divulgado.

Robert Hardman é jornalista e autor de várias biografias sobre membros da família real, incluindo a rainha Elizabeth II e o rei Charles III.

“Parece que ela ainda estava escrevendo em Balmoral dois dias antes de sua morte”, escreveu Hardman em seu novo livro. “Sua última entrada foi tão factual e prática como sempre. “Poderia estar descrevendo outro dia normal de trabalho começando da maneira usual – ‘Edward veio me ver’ – enquanto ela observava os arranjos que seu secretário particular, Sir Edward Young, havia feito para o juramento dos novos ministros da administração Truss”. Elizabeth costumava escrever com uma caneta tinteiro preta, registrando sua agenda como chefe de Estado, sem dar lugar para introspecção. No dia seguinte, a soberana sentiu um súbito mal estar, fazendo com que ela suspendesse os compromissos que estavam marcados. A princesa Anne foi então chamada. Pouco depois, Charles, então príncipe de Gales, chegou acompanhado de sua esposa, Camilla. Na presença dos filhos mais velhos e da nora, a rainha Elizabeth II deu seu último suspiro, enquanto dormia.

Última fotografia oficial da rainha Elizabeth II, tirada no dia 06 de setembro de 2022, na Drawning Room do Castelo de Balmoral, na Escócia. Dois dias depois, a soberana faleceu tranquilamente, enquanto dormia.

Embora o conteúdo dos diários da rainha Elizabeth II ainda não tenham sido divulgados, ela havia colocado para consulta pública os diários de sua trisavó, a rainha Vitória, cujo reinado se estendeu de 1837 a 1901 e marcou uma verdadeira Era na história mundial. Segundo Robert Hardman, o rei Charles III também mantém um diário, seguindo o exemplo de sua mãe: “Ele não escreve grandes diários narrativos como costumava fazer”, revela um cortesão sênior, mas “rabisca suas lembranças e reflexões” sobre os eventos do dia. O novo estilo, disse Hardman, “não é tão auto-analítico, bem-humorado e legível quanto o diário que ele manteve como príncipe”. Parte das anotações do soberano, que remontam à sua época como herdeiro do trono, foram divulgadas pelo jornalista Jonathan Dimbleby numa biografia, publicada em 1994. Alguns anos depois, em 2006, mais algumas páginas foram vazadas, relatando seus pensamentos francos sobre a entrega de Hong Kong.

A rainha Elizabeth II assina um livro de visitas durante uma visita para inaugurar oficialmente o novo prédio do Thames Hospice em Maidenhead, Berkshire, em 15 de julho de 2022.

A nova edição do livro de Hardman, intitulado Charles III: New King. New Court. The Inside Story, relata como o Palácio de Buckingham reagiu ao diagnóstico de câncer do monarca, no início desse ano. De acordo com o autor, o Conselho Privado não ficou tão alarmado:

Os olhos estão firmemente voltados para o present. […] Embora todos os arranjos fúnebres reais sempre tenham sido rotineiramente revisados (por planejadores militares e governamentais) como uma coisa natural, é significativo e reconfortante saber que não houve chamada para o mestre de tais cerimônias, o Conde Marechal, em qualquer momento durante os dias sombrios do início de 2024. […] “Os próprios arranjos de despedida do rei agora, oficialmente, foram atualizados para a Operação London Bridge, espelhando os de Elizabeth II.

Com efeito, os planos funerários para a morte do príncipe William também foram modificados e receberam o codinome de “Menai Bridge”, anteriormente destinados ao seu pai, na época em que era o herdeiro do trono. Um amigo próximo do rei Charles III também revelou que o retiro campestre do monarca, Highgrove, no ducado de Cornwall (onde ele permaneceu durante o período de convalescença do câncer), pode ser transformado no futuro no “Museu Rei Charles III”.

Fontes:

New York Post – Acesso em 11 de novembro de 2024

People – Acesso em 11 de novembro de 2024

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