Antes e depois: confira as transformações de alguns dos mais importantes lugares do mundo!

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Com o passar das Eras, a humanidade teve o poder de transformar a paisagem ao seu redor, adaptando-a conforme seu interesse. Nesse processo, templos foram edificados em pedra e depois voltaram às areias de onde saíram, para dar lugar a construções mais modernas. Onde antes havia uma imponente vegetação, surgiram arranha-céus, postes, pistas e asfalto com trânsito engarrafado. Pouquíssimos vestígios de um passado embelezado pela pena de cronistas e pelo pincel de artistas sobreviveu para nos contar sua história. Basta lembrarmos do Zigurate de Ur, do Parthenon de Atenas, ou do Coliseu de Roma. Alguns passaram por desastrosas restaurações, como a Mainson de Jeanne, construção medieval na França, que ficou praticamente descaracteriza.

Contudo, outros locais ainda conservam ainda a memória de momentos dourados, proporcionando ao viajante uma verdadeira viagem no tempo. Esse é o caso da bela cidade de Turim, na Itália, com o domo do edifício Mole Antonelliana se destacando na paisagem: ou então da cidade universitária de Oxford, na Inglaterra, e a ponte de Westminster, com o relógio Big Ben ao fundo. Isso sem mencionar na estação Baker Street, ou na cidade de Paris, na época da construção da Torre Eiffel para a Exposição Universal, de 1889. Já alguns locais não tiveram a mesma sorte, como a Rua São Clemente, no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro. Nessa matéria, selecionamos o antes e o depois de alguns pontos turísticos mais visitados do mundo, comparando registros antigos com imagens recentes. Confira:

  • Zigurate de Ur, Iraque

Antes e depois do processo de escavação e restauração do grande zigurate de Ur, construído aproximadamente há 4000 anos pelo rei Ur-Nammu, do Império Neo-Sumeriano, em homenagem à deusa da Lua, Nanna.

  • Grande Pirâmide, Egito

O antes e o depois da pirâmide de Quéfren, o segundo maior edifício do complexo de Gizé, no Egito. Finalizada por volta do ano de 2560 a.C., sua estrutura original era encoberta em calcário branco e o cume era feito de ouro. A beleza do monumento, considerado uma das 7 maravilhas do mundo antigo, era capaz de ofuscar viajantes distantes, embevecidos pelo brilho do sol sobre a construção. Durante milênios, sua aparência permaneceu quase inalterada, até que um grande terremoto, ocorrido no ano de 1303 d.C., danificou grande parte da edificação, removendo a cobertura branca. Os habitantes da época extraíram o que restou do calcário, destinando-o para a construção de casas e mesquitas, restando apenas a grande estrutura piramidal de pedra, que já não brilhava mais sob o sol. O cume de ouro também foi removido e, desde então, nunca mais localizado.

Parthenon, Atenas

O Parthenon, localizado na Acrópole de Atenas, na Grécia, em foto de 1875, e depois do seu processo de restauração, em 2022. Considerado o maior exemplo sobrevivente da arquitetura dórica, o monumento era dedicado à deusa Palas Atena, divindade da sabedoria, coragem e guerra. Sua estrutura grandiosa, concluída por volta de 438 a.C., possuía 228 x 101 pés de dimensão, ocupando assim quase metade da área de um campo de futebol moderno. Foi erguido no lugar do antigo Hekatompedon, também dedicado à deusa. No início do século XIX, as esculturas que ali ainda restavam foram retiradas. Hoje, o que resta do monumento é apenas uma fração do glorioso edifício que um dia foi a maior glória da cidade-Estado de Atenas.

  • Coliseu, Roma

Antes e depois do Anfiteatro Flaviano, mais conhecido como Coliseu. Construído em Roma por volta dos anos 68-79 d.C., sua fachada atualmente perdeu muito da estrutura original. Um projeto para restaurá-lo à época dos gladiadores foi anunciado pelo governo italiano, a partir de 2023.

  • Magnesia ad Maesndeum, Turquia

Antes e depois das escavações do Estádio da antiga cidade grega de Magnesia ad Maeandrum, atualmente localizada na Turquia. O que parecia ser uma depressão coberta por uma verde folhagem e árvores se revelou um pista de competição de esportes com arquibancada. Na antiguidade, o local era palco para lutas de boxe, corridas de cavalos e combates de gladiadores, realizados em homenagem à Ártemis, divindade da Lua e da Caça.

  • Éfeso, Turquia

Antes e depois das escavações do Teatro da cidade de Éfeso, a quinta mais populosa do Império Romano, com população estimada em 400.000 e 500.000 habitantes. Seu Teatro também era um dos maiores do mundo antigo, com capacidade para 25.000 lugares.

Reconstrução de como se pareceria a antiga cidade grega de Éfeso, atualmente na Turquia, por volta de 135 d.C., quando fazia parte do Império Romano. O local era famoso por abrigar o templo da Deusa Ártemis, considerado uma das 7 maravilhas do mundo antigo. Hoje, suas ruínas recebem turistas de várias partes do mundo, que podem caminhar pela rua Curetes até a biblioteca de Celso, como podemos observar na imagem em comparação dessa postagem.

Reconstrução digital de como se pareceria a fachada da famosa Biblioteca de Celso, construída por volta do ano de 135 d.C., na antiga cidade grega de Éfeso (atualmente, na Turquia) em homenagem ao senador romano Tibério Júlio Celso Polemeano. O prédio foi praticamente destruído por um terremoto ocorrido em 262, mas as pedras de sua fachada permaneceram quase intactas, o que permitiu sua reconstrução entre as décadas de 1960 e 1970.

  • Templo de Chichén Itzá, México

Comparação entre uma fotografia do Templo Maia dedicado ao Deus Kukulkán (localizado no atual sítio arqueológico de Chichén Itzá, no México), tirada em 1860, ou seja, antes de se iniciarem os trabalhos de escavações que revelaram as formas da belíssima pirâmide como a conhecemos hoje, conforme podemos ver na imagem de baixo.

  • Turim, Itália

200 anos se passaram e o panorama urbano de Turim, na Itália, continua quase o mesmo, com o topo do edifício Mole Antonelliana cortando o seu céu. Em 13 de julho de 1943, porém, a cidade sofreu um intenso bombardeiro (um dos mais calamitosos) durante a Segunda Guerra Mundial, de modo que suas construções e belas fachadas que remontavam ao século XVI (ou mesmo antes), tiveram que ser reconstruídas para ficarem o mais próximo possível da aparência original.

  • Torre Eiffel, Paris

A Torre Eiffel no segundo ano de sua construção, em 1888, e em 2017. A estrutura projetada pelo engenheiro Gustave Eiffel foi inaugurada na Exposição Universal de 1889 (centenário da Revolução Francesa). A princípio, a ideia era desmontá-la com o passar dos anos, mas sua aparência se tornou tão famosa que ela acabou se tornando o principal cartão postal de Paris.

  • Mainson de Jeanne, França

A desastrosa “restauração” da Maison de Jeanne, localizada na rue Belvezet, em Aveyron (França). Possivelmente, é uma das residências mais antigas da Europa Medieval. Acredita-se que tenha sido erguida por volta do século XIII. Suas paredes eram totalmente revestidas de pedras e, conforme podemos notar, o andar superior é maior do que o inferior, uma vez que na época de sua construção os moradores pagavam imposto apenas sobre o térreo e não sobre os demais pisos. Em anos recentes, a Maison de Jeanne passou por um processo de reforma que muito descaracterizou sua fachada, deixando-a diferente de como podia ser vista em seu estado quase original.

  • Ponte de Westminster, Inglaterra

Litogravura da ponte de Westminster e da torre do Big Ben (Londres), produzida em meados do século XIX, e uma foto recente do mesmo local. Mais de 150 anos separam uma imagem da outra.

  • Oxford, Inglaterra

Acima, uma pintura da High Street de Oxford, feita em 1810 por William Turner. Abaixo, uma foto do mesmo local em 2015. Dois séculos se passaram e é como se o tempo não tivesse deixado suas marcas ali!

  • Estação de Baker Street, Westminster

A Estação Subterrânea de Baker Street, em Westminster (Inglaterra), pintada por artista desconhecido no ano de sua inauguração, em 1863, e uma foto do mesmo espaço, tirada em 2020. Na tela de cima, os passageiros esperam pelo trem, que se aproxima da plataforma. Em 14 de março de 1869, porém, ela recebeu sua última leva de viajantes, antes de ser desativada por algumas décadas. Em anos mais recentes, foi transformada em um importante Ponto de Metrô, constituindo-se dessa forma numa das Estações mais antigas do mundo. Cerca de 157 anos separam uma imagem da outra.

  • Rua São Clemente, Rio de Janeiro

140 anos separam essas duas imagens da Rua São Clemente, no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro. A primeira delas é uma pintura de Bernhard Wiegandt feita no século XIX, enquanto a segunda se trata de uma fotografia tirada no século XXI. As transformações no cenário urbano são bastante notáveis.

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