Especialista desenvolve versões artísticas de como seriam as faces das 6 esposas de Henrique VIII

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

A notícia não é nova. Há alguns anos que os vídeos do especialista em reconstrução facial, M.A. Ludwig, correm o mundo. Entre os seus trabalhos mais notáveis, estão os das seis esposas de Henrique VIII: Catarina de Aragão, Ana Bolena, Jane Seymour, Ana de Cleves, Catarina Howard e Catarina Parr, respectivamente. O trabalho foi elaborado tendo como base os mais famosos retratos destas rainhas. Com técnicas de photoshop, M.A. Ludwig criou versões de como possivelmente seriam seus rostos. Pode-se acompanhar o processo de criação nos vídeos disponibilizados no canal JudeMaris (que também contém outros trabalhos maravilhosos do artista, como Cleópatra, entre outros), desde o rabisco inicial até o produto final. É importante ressaltar, entretanto, que se tratam apenas de possibilidades, versões desenvolvidas a partir de um estudo dos retratos, e não de um resultado exato. A premissa é válida principalmente para os casos de Ana Bolena e Catarina Howard, conforme explicaremos mais adiante. Abaixo, confira os vídeos com o passo a passo das recriações faciais das 6 esposas de Henrique VIII.

  • Catarina de Aragão (1485-1536)

A primeira das esposas de Henrique VIII era filha do casal de monarcas mais poderosos de seu tempo: Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão. Catarina viajou em 1501 para a Inglaterra, a fim de se casar com o primogênito do rei Henrique VII Tudor, o príncipe Arthur. É recordado que a infanta era uma jovem muito bonita, com olhos azuis, rosto redondo, cabelos cor de cobre, bochechas rosadas e pele alva. M.A. Ludwig trabalhou nessas características, tendo como base dois dos mais famosos retratos de Catarina: um de 1502, do artista flamengo Michael Sittow, que retrata uma jovem geralmente aceita como Catarina, e outro do final do século XVII ou início do século XVIII, baseado num original perdido do século XVI. A combinação das duas telas criou um efeito bastante agradável e bastante lisonjeiro, diga-se de passagem. O casamento entre Catarina e Arthur não duraria muito tempo. Em 1502, o rapaz faleceu, deixando sua jovem viúva numa posição bastante delicada naquele país. Sete anos depois, Catarina se casou com seu cunhado, Henrique VIII. De sua união, apenas uma filha sobreviveu: a princesa Maria, futura rainha reinante Maria I. Em 1527, o rei deu início a uma árdua campanha para se separar da filha dos reis católicos e desposar uma dama da corte, Ana Bolena.

  • Ana Bolena (1501? – 1536)

De todas as esposas de Henrique VIII, sem dúvidas a mais controversa é Ana Bolena. Fruto da união entre um cavaleiro, Thomas Bolena, com uma nobre, Elizabeth Howard, ela causou furor na corte dos Tudor em 1521, ao chegar depois de uma temporada de 7 anos na França. Sua aparência, porém, destoava dos padrões de beleza feminina do período: Ana tinha a tez cor de oliva, rosto oval, olhos grandes, lábios largos e um cabelo escuro, herança genética de sua avó irlandesa. Diferentemente de Catarina de Aragão, a única imagem indisputavelmente contemporânea que temos dela é uma medalha de 1534, hoje bastante desgastada. Os outros retratos são cópias de originais perdidos, muitos dos quais discordantes entre si. A versão mais famosa dessas cópias se encontra atualmente exposta na Galeria Nacional de Retratos de Londres, e foi usada por M.A. Ludwig para recriar a face da modelo. De artista desconhecido, a tela mostra Ana de perfil, usando corpete e capelo pretos (acredita-se que era sua cor favorita) e o famoso colar de pérolas com o “B” de Bolena. Após anos de espera, ela e Henrique VIII se casaram numa cerimônia secreta, em janeiro de 1533. Em setembro do mesmo ano, nasceu a única filha sobrevivente do casal, a futura rainha reinante Elizabeth I. Ana Bolena morreu decapitada em 19 de maio de 1536, quatro meses depois de Catarina de Aragão.

  • Jane Seymour (1509? – 1537)

Dez dias depois da execução de Ana Bolena, Henrique VIII se casava pela terceira vez com Jane Seymour de Wolf Hall. Filha de John Seymour, Jane, assim como Ana, havia servido como dama de companhia de Catarina de Aragão. Não se sabe ao certo quando Henrique começou a planejar se separar de sua segunda esposa e contrair novas bodas. Alguns autores defendem que em janeiro de 1536, após a morte de Catarina e o aborto sofrido por Ana, ele já estava decidido. Jane em muito se diferenciava de sua antecessora, não só no temperamento, como também na aparência. Os traços faciais da rainha foram muito bem retratados por mestre Holbein (o Jovem), numa obra que pode ser considerada uma obra-prima do realismo renascentista. Sua tez era muito pálida, seus olhos de um azul profundo, os lábios finos e o nariz e o queixo fortes. Não poderia ser considerada uma beldade para a época, mas tampouco uma fealdade. Baseado na tela de Holbein, M.A. Ludwig criou sua versão para Jane Seymour, realçando ainda mais seus traços faciais, e incluindo uma mecha de cabelo loiro, puxado para trás para acomodar o capelo, detalhe esse que não aparece na tela original de Holbein. Jane morreu em 24 de outubro de 1537, poucos dias depois de dar à luz ao tão aguardado herdeiro varão para Henrique VIII, o futuro rei Edward VI.

  • Ana de Cleves (1515-1557)

Dois anos se passariam até que Henrique VIII tomasse uma nova esposa, pois a perda de Jane Seymour o abalara profundamente. Dessa vez, ele optou por se casar com uma princesa estrangeira, e assim firmar uma aliança política contra o Sacro-Império e a França. Para tanto, Henrique enviou seu pintor oficial, mestre Holbein (o Jovem), para retratar suas pretendentes. A escolha recaiu sobre Ana de Cleves, filha do duque John III. O retrato comissionado agradou bastante ao rei. A noiva aparece em ricos trajes alemães. Seu cabelo é escondido por um capelo bastante ornamentado. Seus olhos são calmos e o sorriso, discreto. O nariz, porém, era longo, como o de muitos da nobreza. As mãos estão delicadamente unidas na região do ventre, como uma promessa de fertilidade. O artista M.A. Ludwig se baseou nesse retrato para recriar a face de Ana de Cleves. Mais uma vez, ele optou por incluir o cabelo da modelo no trabalho, diferentemente do retrato original. Entretanto, ele representou Ana com cabelos castanho-escuro, quando na verdade eram loiros, conforme podemos ler na descrição que fizeram dela no dia do casamento com o rei: a rainha usava um vestido prateado, na moda alemã, deixando seus cabelos soltos, que era longos e loiros. Acredito que essa tenha sido a principal falha deste trabalho de Ludwig. As diferenças culturais entre Henrique VIII e Ana de Cleves, aliado aos sinais de impotência sexual do monarca, possivelmente contribuíram para anulação deste quarto casamento, em julho de 1540.

  • Catarina Howard (1519? – 1542)

Seguindo o costume de dois de seus casamentos passados, Henrique VIII desposou pela quinta vez uma dama da corte, membro do séquito de sua antecessora. A jovem escolhida, por sua vez, tinha idade para ser neta do rei, além de ser prima em primeiro grau de Ana Bolena. Catarina Howard entrou para a história como uma moça frívola, utilizada por seu tio, o duque de Norfolk, para obter influência sob o rei. Ela era de estatura pequena e de proporções delicadas. Infelizmente, nenhum retrato autêntico seu sobreviveu à posteridade, exceto por um vitral na janela do King’s College Chapel, em Cambridge, onde, de acordo com Antonia Fraser, ela é representada como a rainha de Sabá. Existe, porém, uma miniatura pintada por Holbein, de uma jovem ricamente vestida, que é geralmente aceita ora como Catarina, ora como Margaret Douglas, sobrinha do rei. A identificação é corroborada pela evidência de um colar, também utilizado por Jane Seymour no retrato pintado pelo mesmo artista. Como as joias de uma rainha passavam para sua sucessora, então é possível a modelo na pintura se trate da quinta esposa de Henrique VIII. Ludwig utilizou essa obra para reconstruir a face de Catarina Howard, cujo destino foi semelhante ao da prima, Ana Bolena. Ela foi decapitada em 13 de fevereiro de 1542, tendo sido condenada por traição e adultério.

  • Catarina Parr (1512 – 1548)

A sexta e última esposa de Henrique VIII já era viúva de dois maridos quando se casou com o rei, em 12 de julho de 1543, aos 31 anos. Ele, por sua vez, tinha 52. Foi mais uma cuidadora para o rei e mãe postiça para seus filhos órfãos. Por outro lado, foi também a primeira rainha da Inglaterra a registrar uma obra em seu nome, o que de longe a torna uma das mulheres mais interessantes do período. Não existe, entretanto, nenhum registro contemporâneo detalhando as características físicas de Catarina, como altura, cor do cabelo, cor do olhos, e assim por diante. Por outro lado, conforme podemos observar em seus retratos, era uma mulher atraente o suficiente para cativar o rei. Para sua reconstrução facial, o artista M.A. Ludwig se baseou numa tela de artista desconhecido, cuja modelo, por muito tempo, foi tida como Lady Jane Grey, e posteriormente identificada como Catarina Parr. A pose estudada aparece em outros retratos do período, como o da jovem princesa Elizabeth, ambos pintados em 1544, possivelmente pelo mesmo artista. Após a morte de  Henrique VIII, em janeiro de 1547, Catarina se casou pela quarta vez com Thomas Seymour, irmão da rainha Jane. Ela morreu em 5 de setembro de 1548, de febre puerperal, contraída logo depois do nascimento de sua filha com Thomas.

Fonte dos vídeos: JudeMaris

Bibliografia consultada:

FRASER, Antonia. As seis mulheres de Henrique VIII. – Rio de Janeiro: Best Bolso, 2010.

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