Cartas da rainha Elizabeth I mostram sua desconfiança sobre Mary, rainha da Escócia

Londres: um valioso acervo, contendo 43 cartas escritas pela rainha Elizabeth I da Inglaterra, pelo seu principal ministro, Lorde Burghley, e pelo seu secretário de Estado, Sir Francis Walsingham, acaba de ser doado pelo empresário americano Mark Pigott, à British Library. Pigott, cuja compania, Paccar, doou cerca 1,35 milhões de dólares para a British Library em 2008, já tinha emprestado as mesmas cartas à biblioteca depois de compra-las em um leilão por cerca de 400 mil dólares. As missivas são endereçadas a Sir Ralph Sadler, guardião das chaves do Castelo de Tutbury (Staffordshire), que, por alguns anos, serviu como prisão da rainha deposta da Escócia, Mary Stuart. Elas cobrem o período que vai de 1584 e 1585, apenas dois anos antes de Mary ter sido executada por traição, em 8 de fevereiro de 1587, aos 44 anos.

Carta escrita por Elizabeth I para Sir Ralph Sadler, datada de 3 de dezembro de 1584.

16 anos antes, em 1568, Mary Stuart havia fugido da Escócia, depois de um complô de lordes força-la a abdicar do trono em favor de seu filho de um ano de idade, o futuro Jaime VI. A soberana procurou então refúgio no reino vizinho, governado por sua prima, Elizabeth. As cartas demonstram a constante desconfiança da rainha da Inglaterra sobre Mary, que era uma pretendente ao trono inglês e tinha o apoio da facção católica. Para esta, Mary Stuart tinha maior reivindicação ao trono do que Elizabeth, cuja ilegitimidade fora declarada em 1536 com a anulação do casamento de seus pais, seguida pela execução de sua mãe. Sendo a rainha da Escócia sobrinha-neta do rei Henrique VIII, ela era um forte pretendente à coroa.

“Tenha mais cautela e nova diligência”, escreveu Elizabeth em 1584 – numa das quatro cartas escrita de próprio punho pela rainha. As missivas demonstram a deterioração do relacionamento – inicialmente cordial – entre as duas soberanas e ressaltam toda a vigilância montada ao redor de Mary. Devido ao perigo que ela constituía, por ser a figura de proa da facção católica, os conselheiros de Elizabeth permaneciam em constante alerta a possíveis invasões estrangeiras e a planos para resgatar a rainha cativa e coloca-la no trono da prima. “Quão grande contentamento nós tivemos pelo tempo de sua amizade”, escreveu Elizabeth, adicionando em seguida que desejava contemplar “a alteração e interrupção disso”. Sadler, que foi embaixador de Henrique VIII na Escócia e conhecia Mary desde criança, era severamente repreendido por permitir alguma liberdade à sua prisioneira.

Embora sendo primas e vivendo por 19 anos no mesmo país, a História não registra qualquer encontro entre Elizabeth e Mary

Com efeito, Ralph Sadler recebia ordens de que Mary Stuart “não tinha permissão para andar do lado de fora”, permitindo-lhe apenas alguns momentos para “tomar ar e fazer alguns desses exercícios”. As cartas reprimiam também o guardião por permitir que Mary o acompanhasse numa expedição de caça. Elas oferecem detalhes importantes da vida cotidiana da rainha deposta em seu cativeiro no castelo de Tutbury, bem como de suas tentativas para manter algo de sua antiga dignidade real (ela reclamou fortemente sobre as condições em Tutbury, e exigiu um serviço de mesa de prata). A British Library planeja digitalizar as cartas. Numa declaração, o Sr. Pigott disse que a correspondência oferece “uma janela única nesse mundo, tanto para pesquisadores de hoje como para as gerações futuras”.

Fonte: The New York Times – Acesso em 07 de janeiro de 2018.

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