Planos para a coroação do rei Charles III e de Camilla, a rainha consorte, são revelados!

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

A cerimônia de coroação é um dos eventos mais importantes no reinado de um monarca. Embora o soberano ascenda ao trono imediatamente após da morte de seu antecessor, sua coroação pode demorar um prazo de meses (em alguns casos, de anos). Em 8 de setembro de 2022, Charles, príncipe de Gales, tornou-se rei no mesmo instante em que sua mãe, a rainha Elizabeth II, deu seu último suspiro. Até então, nenhum outro monarca britânico havia reinado por tanto tempo. Foram sete longas décadas, que tiveram início no dia 6 de fevereiro de 1952, quando a então princesa Elizabeth, que estava no Quênia representando a Coroa, assumiu o trono depois que seu pai, o rei George VI, morreu enquanto dormia. A jovem rainha tinha apenas 25 anos na ocasião, mas sua coroação só ocorreu em 2 de junho do ano seguinte. A partir dessa data, Elizabeth II passaria a comemorar os aniversários de sua ascensão sempre em junho (nunca em fevereiro), uma vez que aquele mês fora escolhido para inaugurar o momento mais memorável de seu reinado. Mas, enquanto a falecida rainha aguardou por aproximadamente 1 ano e 4 meses até ser coroada, seu sucessor, o rei Charles III, passará pelos mesmos rituais quase 8 meses decorridos da perda de sua mãe.

Os planos para o final de semana da coroação do rei Charles III foram divulgados no sábado, dia 21 de janeiro de 2023, pela página oficial da @theroyalfamily:

As comunidades em todo o Reino Unido serão incentivadas a se reunir para celebrar a coroação com eventos que incluem grandes almoços, dias de voluntariado e um concerto no Castelo de Windsor, que será aberto ao público.

A cerimônia ocorrerá em um sábado, no dia 6 de maio, na Abadia de Westminster (local tradicional de corações e funerais dos monarcas britânicos). Os rituais, que remontam ao século XI, serão conduzidos pelo Arcebispo de Canterbury, considerado a maior autoridade religiosa da Igreja Anglicana (abaixo do próprio rei, que é o seu chefe e Defensor da Fé).

Fotografia oficial da coroação da rainha Elizabeth II.

Assim como aconteceu com a cerimônia de 1953, a coroação do rei Charles III deve ser transmitida ao vivo pela BBC e pelo canal oficial da família real no YouTube. A união dos rituais e da tradição com os meios de comunicação foi uma das formas que a monarquia britânica encontrou para se adaptar aos tempos modernos, tornando-se a mais conhecida entre todas as outras monarquias do continente europeu. Essa relação, nem sempre amistosa, transformou personalidades como Elizabeth II e outros membros da família real, a exemplo da princesa Diana, em alguns dos rostos mais conhecidos do mundo. Sendo assim, a transmissão de cerimônias como essa, incluindo casamentos reais, batizados, jubileus e funerais, geram uma enorme renda para o Reino Unido, que também lucra bastante com o turismo, graças ao maior fluxo de pessoas que se espera na capital inglesa durante o final de semana marcado para o acontecimento. A intenção do novo monarca britânico é dar maior participação ao povo nos eventos programados, promovendo assim uma grande comemoração entre as comunidades ao longo de toda a Grã-Bretanha, ao mesmo tempo em que almeja preservar a instituição, aproximando-a mais das pessoas.

Sábado, dia 06 de Maio: Cerimônia de Coroação na Abadia de Westminster

Segundo a programação divulgada no site oficial da família real, a cerimônia da coroação vai ocorrer na manhã de sábado, dia 06 de maio, na Abadia de Westminster. A procissão com o rei e rainha consorte sairá do Palácio de Buckingham com direção ao prédio medieval, que serviu de teto para quase todas as coroações dos monarcas ingleses, além de jazigo para muitos deles. O serviço religioso que, conforme dito anteriormente, será conduzido pelo Arcebispo de Canterbury, deve seguir os mesmos protocolos da cerimônia de 1953. Charles chegará à Abadia usando um uniforme e um manto especialmente confeccionados para a ocasião, com seu monograma real. No momento da unção, quando ele estiver sentando no trono de Eduardo, o Confessor, o rei será tocado pelo Arcebispo com os óleos sagrados e fará o juramento de proteger a fé e os domínios que Deus supostamente colocara sob seu comando. Esse pensamento remonta à época em que os monarcas se acreditavam representantes divinos na terra. É possível que alguma alteração no juramento seja feita, uma vez que no passado Charles afirmara enfaticamente que entendia o título de “Defensor da Fé” no sentido plural, e não apenas defensor da Igreja Anglicana.

Fotografia de Elizabeth II com o vestido e o manto da sua coroação, em 2 de junho de 1953.

Após a sagração com os óleos, o Arcebispo pousará em sua cabeça a Coroa de Eduardo, o Confessor, o cetro real, símbolo de sua autoridade, em uma das mãos, e o orbe na outra, representando seus domínios transatlânticos, uma vez que o novo soberano reina também em países tão distantes quanto o Canadá e a Austrália. Em seguida, Charles deve receber o juramento de lealdade de todos os pares do reino. A rainha Camilla deve ser a primeira a fazê-lo, seguindo o exemplo das outras soberanas consortes do passado, como Elizabeth Bowes-Lyon (esposa de George VI) e Mary de Teck (esposa de George V). Contudo, ainda não se sabe se a nova rainha usará uma das coroas de suas antecessoras, ou se uma nova será encomendada especialmente para ela. Depois de Camilla, Charles provavelmente receberá o juramento de seu filho e herdeiro, William, o príncipe de Gales. Devido às recentes polêmicas envolvendo o nome do príncipe Harry, duque de Sussex, ainda não foi confirmada a sua presença na coroação, tampouco a de sua esposa e filhos. O pai de Archie e Lilibet vêm causando verdadeiro desconforto na Instituição, depois do lançamento de documentários de conteúdo explosivo e do seu livro de memórias, publicado no Brasil com o título de “O Que Sobra”.

Uma vez realizada a cerimônia, Charles trocará a Coroa de Eduardo, o Confessor (usada apenas no momento da sagração), pela Coroa Imperial de Estado, a mesma que fora usada por sua mãe e por seu avô, o rei George VI. Na sequência, o rei e a rainha farão uma longa procissão cerimonial da Abadia de Westminster até o Palácio de Buckingham (conhecida como “A Procissão do Rei”). Durante o percurso, Charles e Camilla serão seguidos por outros membros da família real, agrupados de acordo com a hierarquia da corte. Possivelmente, o príncipe e a princesa de Gales, Wiliam e Kate, juntamente com seus três filhos, estarão logo atrás da carruagem do rei. Assim que chegarem ao Palácio, sede oficial da monarquia britânica desde o reinado de Vitória no século XIX, o soberano recém-coroado, a rainha consorte e outros membros da família real aparecerão no balcão do edifício para cumprimentar a multidão aglomerada ao redor do Victoria Memorial. Dessa forma, se encerra o primeiro dia dos eventos. Curiosamente, a Inglaterra é um dos poucos países que ainda mantém a cerimônia de coroação. Em outras monarquias do continente europeu, os monarcas são geralmente aclamados.

A Coroa Imperial de Estado, usada por George VI e Elizabeth II. O novo rei Charles III também usará a peça após a cerimônia na Abadia de Westminster.

Domingo, dia 07 de Maio: O concerto da coroação no Castelo de Windsor

No domingo, a BBC e a BBC Studios irão transmitir um concerto especial, a partir dos jardins do Castelo de Windsor. O show promete reunir estrelas da música mundial e famosos para uma performance marcante:

Com a presença de uma audiência pública, incluindo voluntários das muitas afiliações de caridade do Rei e da Rainha Consorte, o concerto terá uma orquestra de classe mundial tocando interpretações de favoritos musicais liderados por alguns dos maiores artistas do mundo, ao lado de artistas do mundo da dança. As apresentações serão apoiadas por encenações e efeitos localizados no gramado leste do castelo e também contarão com uma seleção de sequências de palavras faladas por estrelas do palco e da tela.

Alguns ingressos para assistir à apresentação ao vivo também serão sorteados pela BBC através de uma votação, permitindo assim que um número limitado de pessoas estejam presentes no Castelo. Durante a apresentação, um coral criado a partir da junção de grupos de cantores comunitários do Reino Unido, incluindo refugiados, membros da comunidade LGBTQ+, coros do NHS e da comunidade surda, vai se apresentar ao vivo. A proposta por trás da formação do coral é justamente passar a ideia de uma monarquia mais inclusiva e adaptada aos tempos modernos. Tanto, que um documentário está para ser produzido, com os depoimentos de cada um dos cantores, falando um pouco de sua história. O show deve culminar com uma grande projeção de luzes, chamada de a “Iluminação da Nação”, com painéis, lasers, exibições de drones e postes acesos por todos os pontos mais importantes do Reino Unido.

Nesse mesmo dia, um “Grande Almoço” será oferecido para membros de todas as comunidades e vizinhanças ao redor do Reino Unido. É uma oportunidade para que pessoas de diferentes localidades se conheçam, promovendo assim o sentimento de integração. A comida e a bebida serão servidas em parques comunitários e de fácil acesso, com QR Code e download gratuitos para as pessoas se localizarem corretamente. A organização do “Grande Almoço” tem por objetivo valorizar as instituições de caridade das quais a rainha Camilla é patrona, desde pelo menos 2013, quando ela atendia pelo título de duquesa da Cornualha. Espera-se que pessoas vindas de todos os lugares da Grã-Bretanha e além se reúnam nesse dia, enquanto telões estrategicamente instalados estarão projetando o concerto musical oferecido no Castelo de Windsor.

O rei Charles III e a rainha Camilla.

Segunda, dia 08 de Maio: A Grande Ajuda (The Big Help Out)

Por fim, na segunda-feira, dia 08, as pessoas serão convidadas para uma demonstração de atletismo e de ações voluntárias, também chamadas de “A Grande Ajuda”, visando criar assim um legado que represente a unidade e o sentimento de cooperação entre os povos britânicos. Dessa forma, a programação tem por objetivo dar maior participação ao público do que antes. Um grande passo nesse sentido havia sido dado quando a coroação da falecida rainha Elizabeth II foi televisionada, em 2 de junho de 1953. Junto com a Segunda Era Elisabetana, também foi inaugurada a Era da Televisão. Milhares de pessoas adquiriram o aparelho apenas para assistir ao processo cerimonial, impulsionando assim o comércio e a economia. Dessa vez, a agenda pretende tornar os súditos da Coroa em parte ativa do processo e não apenas meros espectadores.

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