As Irmãs Romanov: Um novo olhar sobre as filhas de Nicolau II e Alexandra Feodorovna.

Por: Giovanna Rodrigues

Olga, Tatiana, Maria e Anastásia foram e continuam sendo símbolos de beleza e inocência em um mundo perdido pela Revolução Russa. Essas doces meninas estão imortalizadas pelas inúmeras fotografias e retratos de sua família. Hoje, elas e o restante dos Romanov mortos no processo revolucionário são considerados pela Igreja Ortodoxa Russa como Portadores da Paixão Sagrada. Mas, quem foram essas jovens por trás desta imagem sagrada?

A nossa história começa com seus pais. A mãe, Alix de Hesse (futuramente conhecida como Alexandra Feodorovna) era neta da rainha Vitória e vinha de um pequeno grão-ducado, em Hesse-Darmstadt. Alix conheceu o sofrimento e a dor desde de pequena, causados pela morte de sua amada mãe, a princesa Alice do Reino Unido, que faleceu de difteria, e um de seus irmãos, Frittie, que faleceu após cair de uma janela de seis metros. A causa da morte não foi tanto pela queda, e sim pela hemorragia interna como consequência de sua hemofilia.

Nicolau e Alexandra.

Após tais acontecimentos, a personalidade de Alix mudou de forma considerável, passando de uma garotinha risonha e alegre para uma criança triste, quieta e reservada. Sua avó materna, a rainha Vitoria, se encarregou de cuidar da netinha, sendo que ela própria enviou uma governanta, a Sra. Orchard, para cuidar de Alix. Além disso, a monarca recebia relatórios semanais de tutores sobre o progresso acadêmico de sua neta. A princesa Alix se mostrou uma excecional aluna e possuía um grande conhecimento de Geografia, História, Literatura alemã e inglesa (também era fluente em ambos os idiomas), e tinha grande domínio ao piano. Também compartilhava o pensamento de que a política era um assunto tanto para homens quanto para mulheres (possivelmente pelo exemplo de sua avó como uma grande soberana).

Durante sua primeira visita a São Petersburgo, em 1884, por ocasião do casamento de sua irmã Ella com o grão-duque Sérgio, Alix conheceu um jovem de 16 anos e eles até trocaram alguns olhares. O jovem era ninguém menos que Nicolau Alexandrovich Romanov, o tzarevich da Rússia Imperial.

Nesse período de quase dez anos, ambos nutriram afeto um pelo outro e tinham desejo de se unir em matrimônio. Porém, em meio a tal cenário, existia alguns problemas, entre eles a desaprovação dos familiares de ambos (os pais de Nicolau, o tzar Alexandre III e sua esposa Maria Feodorovna achavam que seu filho deveria buscar um partido mais adequado para a união, e a própria rainha Vitória desaprovava o casamento, alegrando que o trono russo era um lugar um tanto perigoso e instável) e a conversão religiosa de Alix, sendo que ela era luterana e se recusava a se tornar ortodoxa.  Após muitos encontros e conversas, Nicolau conseguiu convencer Alix a se casar com ele. Ambos trocavam inúmeras cartas e a felicidade parecia ser duradoura. De volta a Hesse, Alix se preparava calmamente para a nova vida que lhe esperava, sendo que ela deveria aprender a fé ortodoxa, o idioma russo e os hábitos da corte. Porém, com a morte iminente de Alexandre III, ela deveria partir de imediato para a Rússia, com pouco preparo para essa nova fase de sua vida. O casamento foi realizado poucas semanas depois do funeral do último tzar, ocorrido na capela do palácio de São Petersburgo, no dia 14 de novembro.

Após um curto período, o novo casal se mudou para Tsárskoe Selo e escolheram o Palácio de Alexandre como seu novo lar. Alix fez o que nenhuma tzarina antes dela fez: estava determinada a criar um verdadeiro lar particular para si, seu esposo e os futuros filhos. Com hábitos de uma típica mulher da era vitoriana, a nova imperatriz rejeitou a maior parte do luxo disponível nos palácios e preferiu algo mais simples, de acordo com seus gostos pessoais; escolheu a dedo uma mobília moderna sóbria, trazida por um fabricante inglês, a Maples; cada cômodo era repleto de retratos de familiares, ícones religiosos e bugigangas.

Em pouco tempo de casada, Alix já estava esperando seu primeiro bebê e adorando a ideia de ser mãe. Estava muito animada, costurava colchas e cuidava do enxoval. Foi uma gravidez feliz e seu marido cuidava gentilmente dela (Nicolau compartilhava o sentimento de alegria e imensa felicidade em ser pai). Contudo, também foi uma gravidez um pouco dolorosa, pois Alix sofreu de inúmeras dores nas costas e nas pernas, por causa da posição e do tamanho do bebê. Na manhã de 3 de novembro do ano de 1895, nasceu a primeira filha do casal. A pequena criança pesava cerca de 4,5 quilos e foi chamada de Olga. Era muito dócil, rechonchuda e possuía um peculiar topete de cabelos loiros. A nova mamãe e papai se encheram de luz com a chagada da filha. Porém, o restante da família se decepcionou pelo fato de não ser um menino. Em comemoração ao nascimento da filha, Nicolau proclamou a anistia de prisioneiros políticos e religiosos, além de cancelar as sentenças dos criminosos comuns. Na condição de madrinha da jovem princesinha, a rainha Vitória lhe enviou uma babá inglesa. Alix adotou um hábito quase desconhecido entre as mulheres da nobreza russa, o de amamentar sua própria filha.

Olga, Tatiana, Maria e Anastásia.

Tanto Nicolau quanto Alix amavam essa vida de jovens pais, passando seu tempo cuidando e admirando sua filha. O jovem pai se certificou de registrar em seu diário cada fase da vida de Olga, além de auxiliar a dar comida e na hora do banho.

Pouco tempo depois deste feliz acontecimento, Alix esperava uma segunda criança. No palácio de Peterhof, no dia 29 de maio de 1897, nasceu uma segunda menina, pesando 3,9 quilos, com olhos grandes, cabelo escuro e de uma grande beleza, assim como sua mãe. O nome da criança foi escolhido como Tatiana. O casal demostrou muita alegria por sua menina, embora ainda não fosse o tão esperado menino. As fofocas e comentários vindos da família e da corte eram muito constantes em decorrência do sexo da criança.

Numa tarde do dia 14 de junho de 1899, o casal foi presenteado com uma terceira menina, Maria, batizada em homenagem a sua avó paterna. Era uma criança gordinha de 4,5 quilos. Nicolau demostrou pouca decepção pelo fato de não haver um herdeiro para seu trono. Todavia, a corte e até mesmo os jornais estrangeiros demostravam sua grande insatisfação e decepção por outra menina. Alix cuidava pessoalmente de suas filhas, algo muito estranho para uma soberana, sendo criticada por sua própria sogra por não ser uma “imperatriz visível”. Por outro lado, ela estava determinada a não oferecer sua vida e a de suas filhas ao escrutínio público.

Em contrapartida, a jovem imperatriz desejava seguir o exemplo de sua mãe nas ações filantrópicas. Alix tinha seus próprios projetos oficiais, sendo eles: a fundação de asilos para os necessitados, creches para mães trabalhadoras, uma escola para treinar amas-secas em Tsárskoe Seló, outra destinada a empregadas domésticas e tinha uma grande preocupação com a questão da considerável mortalidade infantil e do bem-estar de mulheres grávidas. Além disso, organizava parteiras para as áreas rurais e uma vez e tentou criar um clube de mulheres da alta sociedade para costurar roupas para os necessitados, embora esta última atividade tenha falhado.

Durante uma madrugada de 5 de junho 1901, no Palácio de Peterhof, nascia a quarta filha do tzar, uma colossal menina de 5,2 quilos, que recebeu o nome de Anastásia, em homenagem a uma santa ortodoxa. Tanto a família como o país demostraram sua grande decepção pela menina e a pressão sobre Alix por um herdeiro ficou ainda maior.

As quatro menininhas eram adoradas por seus pais, todas eram saudáveis, alegres, inteligentes e belas, porém, não eram o tão esperado herdeiro que poderia salvar o destino de uma dinastia de quase 300 anos.

As irmãs Romanov.

A sorte do casal imperial pareceu mudar, quando o canhão da Fortaleza de Pedro e Paulo disparou os esperados 301 tiros que anunciavam um herdeiro. O dia 30 de julho de 1904 foi marcado pelo nascimento de um grande menino de 5,2 quilos. A capital parou para celebrar esse fato. Nicolau, em comemoração ao nascimento do filho, ordenou a abolição de punições físicas aos camponeses, cancelou multas por uma grande variedade de delitos, anistia para prisioneiros e foi criado um fundo de bolsas de estudos militares e navais. A criança recebeu o nome de Alexei, em homenagem a Alexei I, conhecido como tzar tradicional e nobre.

A felicidade do casal parecia não ter fim, uma vez que finalmente Alix cumpriu seu maior dever como tzarina, após quase dez anos de casada. Infelizmente, uma nuvem escura iria cair sobre aquela feliz família. Alexei era hemofílico, algo que foi provado com uma hemorragia em seu umbigo. A partir de então, toda a vida da família Romanov iria mudar. As quatro princesinhas, tão adoradas por seus pais, agora ficariam em segundo lugar, desde cedo aprendendo a se cuidar, proteger e até mimar seu irmão mais novo.

Por mais que Alix fosse uma mãe dedicada e cuidadosa, falhava em um detalhe muito importante em relação a suas filhas: a coletividade. Ela própria criou o “grande e o pequeno par”, sendo que Olga e Tatiana compunham o Grande par e Maria e Anastásia o Pequeno par. Além disso, as próprias meninas criaram uma forma única de se chamar: OTMA (sigla composta pela primeira letra de cada um de seus nomes). Isso, de certa forma, fortalecia essa ideia de coletivo, porém, quatro diferentes personalidades se formavam.

Olga, a mais velha, era uma menina de grande beleza, com olhos azuis, rosto largo, cabelos castanho-claros. Sua personalidade era muito fascinante, era tímida, curiosa, inteligente, uma boa leitora, entre entes conhecidos era uma criança sincera e falava de forma rápida, porém, possuía mudanças de humor e de temperamento.

Tatiana, sem dúvidas, era a preferida de sua mãe e muitos de seus traços físicos e de personalidade se assemelham a ela. Era alta, pálida, de cabelos escuros avermelhados, realmente era uma das crianças mais belas da família. Mostrava-se a mais educada diante de adultos, era muito reservada como sua mãe e muito boa em termos de organização, sendo que ficou conhecida por seus irmãos como “a governanta”.

Maria era a mais gordinha das irmãs, sendo que as mais velhas eram um pouco cruéis com ela, apelidando-a de “au-au gordinho”. Era tímida, tinha cabelos castanhos bastos e lindos olhos azuis. Tinha um grande talento para desenho e pintura e era uma menina muito doce, educada e simpática.

Anastásia era diferente de suas irmãs, era praticamente uma furação, era bem baixinha, com um pouco de peso a mais, tinha um cabelo loiro escuro e olhos azuis. Era muito esperta, teimosa e de uma personalidade única. Tinha a mania de subir em árvores e se recusar a descer sem uma ordem de seu pai. Adorava mostrar a língua pelas costas dos outros. Era uma aluna distraída e não ia tão bem nos estudos.

As crianças Romanov!

A educação das meninas fora supervisionada de perto por mãe, possuíam um cronograma que não podia ser quebrado, o estilo de sua educação era quase espartano. Elas nunca foram mimadas por seus pais, usavam roupas simples, suas camas eram sem travesseiros, auxiliavam as empregadas e governantas nos trabalhos de limpeza de quarto, se vestiam sozinhas, tomavam banhos frios, as governantas e empregadas as chamavam pelo nome, tinham brinquedos simples. Nunca estavam com mãos vazias, e sua mãe certificava que elas jamais ficassem em momentos de ócio. A princípio, sempre estavam com bonecas ou coisa do tipo, mas à medida que cresciam esses brinquedos foram trocados por livros, costuras e bordados.

As meninas deviam seguir um padrão de educação esperado para princesas. Inicialmente, Alix ficou responsável pela educação das meninas, logo depois ela contou com tutores para moldarem a educação de suas filhas. Pierre Gilliard era responsável pelo francês e depois por outras disciplinas, enquanto Sydney Gibbes lecionava inglês. As quatro meninas se mostravam muito inteligentes, aprenderam a falar inglês, russo, francês e mais tarde um pouco de alemão, além de serem ótimas artistas.

Um aspecto notável da vida destas garotas foi a superproteção vinda da parte de mãe. Eram extremamente reclusas e conheciam poucas pessoas. Necessitam conhecer o mundo e a realidade.

Isso tudo mudou quando a Primeira Guerra Mundial chegou e estava na hora da família real desempenhar seu papel. Com Nicolau à frente do exército, as mulheres Romanov iriam desempenhar um papel nunca antes visto. Foram voluntárias como enfermeiras em hospitais. A tzarina, acompanhada de Olga e Tatiana, começou um treinamento da Cruz Vermelha. Pouco depois, assumiram o título de Irmã Romanova, números 1, 2 e 3. Devido a idade de Maria e Anastásia, ambas deveriam visitar hospitais, dando apoio moral e emocional aos feridos. Inúmeros palácios serviram de hospitais aos feridos e a própria tzarina assumiu o comando de uma grande assistência ao esforço de guerra. Além disso, as duas irmãs Romanov mais velhas tiveram papéis públicos escolhidos por sua mãe.  Olga foi nomeada vice-presidente de um ukaz imperial, sendo estabelecido o Conselho Supremo para o Cuidado das Famílias dos Soldados e das Famílias dos Feridos e Mortos. Já Tatiana, assumiu um papel no Comitê de Sua Alteza Imperial a Grã- Duquesa Tatiana Nikoláevna para o Auxilio Temporario dos que Sofrem Privação em Tempo de Guerra.

Esse novo mundo apresentado às ingênuas irmãs Romanov era novo e nele havia dor, sangue e sofrimento. Elas não foram poupadas de nada, porém, é uma ironia que isso tudo tenha sido uma chance de ver o mundo que elas tanto desejavam conhecer, trazendo-lhes vida e novos amigos.

Quase toda manhã, ambas tinham a função de trocar curativos, enrolar bandagens, ferver fios de seda para pontos, preparar chumaços de algodão, faziam companhia aos soldados, conversando ou jogando alguns jogos. Também tricotavam e bordavam peças destinadas a refugiados e a órfãos, tiravam inúmeras fotografias com os pacientes feridos e auxiliavam em terríveis cirurgias. Tatiana se mostrou uma excelente enfermeira, pois era calma, cuidadosa e até meio mandona, enquanto Olga ficou muito mais sensível ao sofrimento dos feridos.

Maria e Anastásia visitam saldados russos feridos na Primeira Guerra.

Maria e Anastásia ficaram responsáveis por um hospital delas próprio, conhecido como Hospital para Soldados Feridos Numero 17 de Suas Altezas Imperiais, Grã- Duquesas Maria Nikoláevna e Anastásia Nikoláevna. Nele, o pequeno par fazia visitas diárias, conversavam com os soldados, brincavam e até ensinavam os analfabetos a ler e a escrever.

Um novo acontecimento iria modificar não apenas a vida das quatro irmãs, mas também de toda a Rússia. Nicolau abdicou do trono, acabando com 300 anos de dinastia e dando lugar a um futuro governo, marcado por muitas reviravoltas. Diante disso, a família inteira ficou mantida em prisão domiciliar no Palácio de Alexandre. Tempos depois, a família foi enviada para uma cidade chamada Tobolsk. Enquanto estavam ali, tiveram uma vida consideravelmente calma e tranquila, a família foi acompanhada pelos dois tutores das crianças e por alguns servos fiéis.

Quando o exército bolchevique assumiu o governo da Rússia, o destino da família Romanov estava nas mãos de Lênin. Agora Nicolau e Alexandra iriam para Ecaterimburgo, Alexei estava doente e precisava de cuidados, então as quatro irmãs decidiram entre si quem deveria acompanhar os pais. Olga estava um tanto fraca e Anastásia era nova demais, então por fim Maria foi a escolhida. Apenas algumas semanas depois a família iria ficar unida. Diferente de Tobolsk, a atual residência era uma verdadeira prisão e a família inteira passou por inúmeras privações e humilhações.

Foi um ambiente muito complicado para quatro jovens mulheres, parecia que tudo ali as desfavorecia, o tédio era imenso, os exercícios e saídas da casa eram por pouco tempo e a vida realmente se tornou difícil.

As três irmãs mais novas e Alexei começaram a simpatizar com os guardas, algo que foi muito desaprovado por sua mãe. As meninas passavam o tempo lendo, auxiliando o cozinheiro a fazer pães, rezavam, liam para sua mãe, cuidavam dela e de seu irmão. Mesmo antes de partirem de Tobolsk, as meninas e sua mãe começaram a costurar joias em seus corpetes, caso necessitassem para o exilio. Isso foi mantido em segredo até o último momento.

Os dias se transformaram em semanas, o tédio, o medo e a insegurança de um destino incerto permanecia com a família Romanov, até que na madrugada do dia 17 julho de 1918 toda a família foi acordada por Yakov Yurovky. Todos deveriam sair da casa. Demorou cerca de 40 minutos para a família arrumar suas coisas e as meninas, como planejado, vestiam os corpetes com as joias. Sua mãe estava com cinturão de pérolas, seu irmão Alexei também tinha joias (eram quase 8 quilos de joias). Todos desceram cerca de 32 degraus, a família, seu médico, a camareira de Alexandra e dois serviçais. Alexandra e Alexei estavam sentados, Nicolau estava na frente, as quatro meninas estavam em volta de sua mãe em pé, esperando pelo que iria acontecer. O destino da família Romanov já estava selado.

Referências Bibliográficas:

MASSIE, Robert. K. Nicolau e Alexandra: o relato clássico da queda da dinastia Romanov. Tradução de Angela Lobo de Andrade. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.

 RAPPAPORT, Helen. As irmãs Romanov: as vidas das filhas do último tsar. Tradução de Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2016.

_.Os últimos dias dos Romanov. Tradução de Luís Henrique Valdetaro. Rio de Janeiro: Record, 2020.

Texto revisado por Renato Drummond Tapioca Neto

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