O poder da pintura: quais histórias os retratos das últimas soberanas inglesas nos contam?

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

No regime monárquico, a imagem régia do monarca é coletivamente construída por alfaiates, joalheiros, poetas, escritores, músicos e, principalmente, pelos pintores. Os retratos oficiais dos soberanos são, por assim dizer, tanto um reflexo do retratado quanto uma imagem filtrada pelo olhar de seu criador. Nessas telas, o realismo dá lugar à idealização; a veracidade à verossimilhança. As cores eram assim combinadas para produzir uma ficção que representasse ao mesmo tempo imponência, graça e estilo. Conforme certa vez observou Gian Lorenzo Bernini: “o segredo nos retratos é aumentar a beleza e emprestar grandiosidade, diminuir o que é feio ou mesquinho, ou até suprimi-lo, quando é possível fazê-lo sem incorrer em servilismo” (apud BURKE, 2009, p. 36). A rainha Elizabeth I da Inglaterra, por exemplo, jamais permitia que seus artistas a retratassem como uma mulher idosa. À medida em que envelhecia, ela continuava insistindo para que os pintores a apresentassem como jovem (ou o que os historiadores chamam de “máscara da juventude”). Durante séculos, esse gênero de produção artística foi concebido de forma bastante convencional, em que figuravam os elementos do poder da monarquia: a coroa, o cetro e o manto. A mistura desses itens, por sua vez, é o que empresta às telas o seu tom régio.

Diferentemente de sua antecessora no século XVI, a rainha Vitória foi beneficiada no século XIX com o artifício da fotografia. Embora essa nova forma de arte também fosse passível de manipulação, o resultado se aproximava muito mais da realidade do que aquela apresentada pelos pincéis dos artistas. Nas fotos, Vitória não fazia questão de disfarçar sua expressão carrancuda, enquanto nas telas de Winterhalter seus traços eram sempre suavizados e belos (característica essa que mudou após a morte do príncipe Albert, em 1861, quando a monarca fazia questão de expressar sua dor). As rainhas que sucederam-na no trono – Alexandra da Dinamarca, Mary de Teck, Elizabeth Bowes-Lyon (consortes de seus herdeiros) e Elizabeth II – também utilizaram o recurso da pintura para compor uma imagem régia e idealizada. Com o avançar das décadas, a manipulação foi dando lugar a um realismo mais suave, mostrando o processo natural de envelhecimento no corpo das rainhas, mas sem deixar de lado os aparatos que configuravam o status da realeza. Nessa matéria, selecionamos alguns retratos da Coleção Real, para observar como a pintura esteve ao serviço da Coroa na criação de um perfil austero para suas soberanas e de que forma essa concepção de arte evoluiu com o passar do tempo.

RAINHA VITÓRIA (1819-1901)

Retrato oficial da coroação da rainha Vitória, pintado em 1838-40 por Sir George Hayter.

Antes de sua nomeação como “Pintor de História e Retrato” de Sua Majestade em 1837, George Hayter havia impressionado a jovem princesa com sua habilidade como retratista e a ajudou nas suas primeiras tentativas de pintura a óleo. Hayter acabou sucedendo Sir David Wilkie como pintor principal na ordenação da rainha, em 1841. No entanto, ele não recebeu nenhuma encomenda real depois de 1842, pois Vitória passou a preferir o trabalho de outros artistas – particularmente Sir Edwin Landseer e Franz Xaver Winterhalter. A rainha encomendou este retrato de Estado a Hayter em 1838, quando tinha 19 anos. Ela foi pintada no momento de sua coroação na Abadia de Westminster, no dia 28 de junho. Vitória aparece sentada na sua cadeira de honra, com as vestes de sua coroação e a coroa imperial de estado, carregando o cetro com a cruz. O primeiro pano de fundo de Hayter para essa pintura mostrava a soberana na Abadia de Westminster, mas ele alterou isso mais tarde, colocando-a em um cenário régio mais genérico. A pose da rainha Vitória, com o rosto voltado para cima e iluminado por um raio de luz, confere à composição da tela um espírito religioso que lembra a arte barroca. Na verdade, o dia não correu muito bem, como a jovem monarca contaria no seu diário. Por exemplo, o anel da coroação, que foi feito para caber no seu dedo mindinho, foi forçado no quarto dedo pelo arcebispo e a rainha teve que banhar sua mão em água gelada após a cerimônia, antes de poder remover o anel. De acordo com Lord St. John, o sub-reitor, havia “uma dificuldade e constrangimento contínuos, e a rainha nunca sabia o que fazer”. No entanto, ela descreveu o dia como “o mais orgulhoso da minha vida”.

Retrato oficial da rainha Vitória, pintado em 1842 por Franz Xaver Winterhalter.

Na tela acima, a rainha Vitória usa o broche de safira que o príncipe Albert lhe deu de presente de casamento, acompanhado de uma pequena tiara que ele mesmo desenhou para fazer conjunto com a primeira joia. A tiara de safiras e diamantes foi usada pela soberana de forma não convencional, na parte de trás de sua cabeça, sobre o penteado trançado e enlaçado que estava vigente na moda da época. Vitória usa um elegante vestido de seda branca e rendas, que destacava suas valiosas joias de valor sentimental. O colar que ela usa é provavelmente o medalhão contendo uma mecha do cabelo do Príncipe Albert, que foi um presente da rainha Louise dos Belgas. A rainha também segura um buquê de rosas, que lembra de forma impressionante os retratos ingleses pintados por Van Dyck. Posteriormente, muitas réplicas foram feitas dessa tela e dadas de presente para outros soberanos.

Retrato oficial de Estado da rainha Vitória, pintado por Franz Xaver Winterhalter.

Cansada dos antigos retratos onde parecia uma jovem mãe e esposa devotada, a rainha Vitória queria uma nova imagem de si mesma. Pelo menos desde março de 1858, ano em que completaria 40 anos, ela desejava um novo retrato que a representasse como uma grande monarca. Antes da chegada de Winterhalter, ela escreveu à princesa real (sua filha mais velha), que o artista deveria “pintar um corpo inteiro de mim em um grande traje”. Depois que o retrato foi concluído, ela o descreveu como “verdadeiramente magnífico”. A soberana foi pintada usando as túnicas de Estado, o diadema do rei George IV, os brincos e o colar de diamantes feitos pela Garrard’s. Sua mão esquerda repousa sobre alguns papéis que estão ao lado da coroa imperial de estado e, à distância, temos uma vista de Westminster. O retrato foi considerado a nova imagem oficial da rainha e muitas cópias foram feitas dele.

Rainha Vitória à época de seu Jubileu de Diamante, por Bertha Müller.

Diferentemente de outros quadros da rainha Vitória, onde a imagem real era composta através de uma ótica masculina, nesta tela de uma artista feminina, Bertha Müller, a monarca abriu mão dos adornos régios e permitiu ser retratada como uma mulher viúva e idosa. Seu reinado já havia alcançado a impressionante marca dos 60 anos e a soberana era então conhecida como a “avó da Europa”. Com um olhar distante e expressão carrancuda, a tela de Müller foi depois batizada com a frase mais associada à rainha: “We are not amused” (Não estamos contentes). Em nada lembra a soberana graciosa das telas de Winterhalter, tão diferente das fotografias. Em 23 de setembro de 1896, Vitória escreveu a seguinte frase no seu diário: “hoje é o dia no qual eu reinei por mais tempo do que qualquer outro soberano inglês”. Até aquela data, o monarca com mais tempo de reinado era o rei George III, seu avô, que permaneceu no trono por 59 anos e 96 dias. As Igrejas tocaram seus sinos e fogueiras foram acesas na colina de Balmoral. Tudo para marcar aquele glorioso dia. Na época, Vitória já representava para seus súditos muito mais do que uma rainha. Era o verdadeiro símbolo de uma Era, supostamente a mais próspera da história britânica. Até hoje, boa parte da grandeza daquela Ilha é associada à sua figura. Porém, aos 79 anos, ela já era uma mulher idosa e cansada. Na comemoração do seu Jubileu de Diamante, em 1897, ela recebeu seus convidados sentada numa cadeira de rodas e as cerimônias foram muito curtas. Faleceu aos 81 anos, tendo reinado por 23.226 dias, 16 horas e 23 minutos.

ALEXANDRA DA DINAMARCA (1844-1925)

Alexandra da Dinamarca como princesa de Gales, por Richard Lauchert.

A princesa Alexandra (1844–1925), ou Alix, como era conhecida na família, era nora da rainha Vitória. Ela se casou com o filho mais velho da monarca, Albert Edward, príncipe de Gales e futuro rei Eduardo VII, em 1863. Esta tela, entretanto, foi pintada antes de ela vir para a Inglaterra. Como Franz Xaver Winterhalter, o pintor de retratos favorito da rainha, estava doente na época, então Vitória decidiu “fazer com que Lauchert (o segundo melhor) fosse a Copenhague para pintá-la”. A irmã mais velha do príncipe, a princesa herdeira da Prússia Vicky, descreveu Alexandra como “uma figura adorável, mas muito magra, uma tez tão bela quanto possível. Dentes brancos muito finos e regulares e olhos grandes e muito finos – com sobrancelhas extremamente marcadas. Um nariz muito fino e bem formado, muito estreito, mas um pouco comprido – todo o seu rosto é muito estreito, sua testa também, mas bem formada e nem um pouco plana. Sua voz, seu andar, porte e maneiras são perfeitos, ela é uma das pessoas de aparência mais elegante e aristocrática que eu já vi e é ‘escandalosamente bonita'”. A rainha Vitória, por sua vez, a considerava um “ser querido e adorável”.

Retrato oficial de Estado da rainha Alexandra do Reino Unido, pintado em 1905 por Sir Samuel Luke Fildes.

Nesta tela de Sir Samuel Luke Fildes, a rainha Alexandra foi retratada usando seu manto da coroação sobre um vestido dourado, com a diadema de George IV na cabeça. Pérolas e diamantes em volta do pescoço completam o seu visual, enquanto sua coroa repousa sobre uma almofada à direita. Aparentemente, Alexandra estava relutante em posar para a tela, de modo que Sir Arthur Ellis sugeriu que Fildes fizesse antes um esboço do quadro para que fosse aprovado pela rainha. O filho do artista, L. V. Fildes, registrou na biografia que escreveu sobre seu pai que as sessões de pintura foram feitas no palácio de Buckingham, a partir de maio de 1903. No entanto, a permissão para que as vestes e os acessórios fossem levados para o estúdio do artista foi recusada, sendo então necessário fazer imitações. Fildes também encontrou outras dificuldades, como o pedido da rainha para ser pintada de perfil, o que atrasou a conclusão do trabalho. O retrato foi depois entregue ao palácio de Buckingham em 21 de fevereiro de 1907 e pendurado pela primeira vez na Blue Drawing Room.

Rainha Alexandra da Inglaterra, por François Flameng.

Diferentemente da rainha Vitória, a esposa de seu filho não permitia ser retratada como uma mulher com mais de 60 anos. Nesse belo e sofisticado retrato, pintado em 1908 pelo artista francês François Flameng, a rainha Alexandra do Reino Unido já tinha 64 anos, embora pareça uma jovem mulher de apenas 30 (um efeito que é visível até mesmo nas suas fotografia do período). A soberana posou para a tela em pelo menos três ocasiões distintas, entre os meses de fevereiro e junho. A rainha está sentada em um degrau de pedra, olhando diretamente para o espectador e vestida em um traje de seda branca, com uma gaze diáfana sobre seus braços e ombros. Ela está usando a fita e a estrela da Ordem da Jarreteira, o colar collier r é sille (feito pela Cartier, em 1904) e o famoso broche Koh-i-nûr. Ao fundo, uma paisagem arborizada, com uma leve sombra de um edifício ou castelo. A tela foi pendurada pela primeira vez no castelo de Windsor, sendo depois transferida para o palácio de Buckingham em 1949.

MARY DE TECK (1867-1853)

Nascida no palácio de Kensington em 26 de maio de 1867, Mary era filha da princesa Maria Adelaide de Cambridge com Francisco, duque de Teck. Em 1892, ela ficou noiva de Albert Victor, filho e herdeiro do futuro rei Eduardo VII e neto da rainha Vitória. Infelizmente, no início do ano seguinte, Albert morreu de gripe russa e a jovem Mary aceitou a proposta de casamento do irmão mais novo dele, George, duque de York. Entre os filhos do casal, se encontram os reis Eduardo VIII e George VI. Com a morte de Eduardo VII, em 1910, Mary e George se tornaram rainha e rei da Grã-Bretanha e imperadores da Índia. A soberana foi uma figura importante no contexto da Primeira Guerra Mundial, visitando hospitais para soldados ingleses e arrecadando fundos para caridade. Exerceu também notável influência na criação da dinastia de Windsor, assim como na educação de sua neta, a atual rainha Elizabeth II, introduzindo-a nos deveres da realeza. Ela viveu o suficiente para segurar no colo seus bisnetos, Charles e Anne, e presenciar a ascensão de Elizabeth ao trono. Faleceu em 24 de março de 1953, aos 85 anos.

Retrato de Estado da rainha Mary de Teck, pintado em 1911/12. Óleo sobre a tela de Sir William Samuel Henry Llewellyn.

Esta tela foi encomendada pelo Lord Chamberlain em 1911, a pedido do rei George V e exibida pela primeira vez na Royal Academy no ano seguinte. A rainha Mary foi retratada de corpo inteiro, usando as túnicas que ela vestiu para a coroação de seu marido, confeccionadas em cetim branco bordado em ouro, com os emblemas das Ilhas Britânicas, a Rosa, o Shamrock e o Cardo. O vestido é decorado com a estrela e a fita da Ordem da Jarreteira e a rainha usa a diadema de estado de George IV. Ao lado de sua mão direita, repousa sua coroa desenhada especialmente para a coroação de 1911. Ela também foi pintada usando os brincos e o colar de diamantes que pertenceram à rainha Vitória; no busto, estão pendurados três broches que também eram da falecida soberana. Em seus pulsos, a rainha Mary usa as pulseiras com fivela de William IV. À esquerda, é possível ver uma coluna e à direita, cortinas vermelhas. Uma carta da soberana ao príncipe de Gales (futuro rei Eduardo VIII), datada de 4 de maio de 1912, diz que ela “foi para a Royal Academy na quinta-feira, há algumas fotos boas, mas não muitas. O quadro da coroação é excelente, o meu é bom”. Numerosas cópias foram feitas desta imagem oficial da rainha para embaixadas, instituições e clubes em todo o Império Britânico.

Retrato da rainha Mary de Teck, feito em 1927 por Arthur Trevethin Nowell.

Neste retrato, a soberana foi pintada numa posição em três quartos, segurando um leque na mão direita e usando um vestido estampado de seda azul sobre um corpete cinza-pérola. Na cabeça, a famosa tiara Queen Mary’s Lover’s Knot, em sua versão original (a joia ficaria depois imortalizada nas aparições públicas da princesa Diana). Brincos, gargantilha, colares de pérolas, pulseiras e a estrela da Ordem da Jarreteira dão um toque final ao visual da rainha. Ao fundo, pode-se ver uma poltrona e um vaso de porcelana de Sèvres verde, ressaltando assim o apreço da monarca por artefatos. A rainha Mary posou para uma série de sessões com Nowell em março de 1927. A última delas ocorreu na sexta-feira, dia 25. Na ocasião, ela escreveu: “Eu fiz minha última sessão com o Sr. Nowell hoje. Acho que a imagem está muito boa – quando estiver pronta, o Sr. N. vai mandá-la aqui para nossa aprovação final”. Em 23 de julho de 1927, a pintura foi pendurada em Windsor, na sala de estar da Lancaster Tower. Havia alguma dúvida sobre se o quadro deveria ou não ser exibido na Royal Academy, em 1928. No entanto, a rainha Mary insistiu: “Eu gostaria que a tela fosse exibida, pois fiz muitas sessões e tive muitos problemas com ela e eu acredito que ficou muito autêntica”. Na época, a imagem foi publicada no Illustrated London News, em 21 de novembro de 1927.

ELIZABETH BOWES-LYON (1900-2002)

Elizabeth Bowes-Lyon, por Philip de László (1925).

Nessa tela de László, a futura rainha-mãe era ainda uma jovem de 25 anos, mais conhecida pelo título de duquesa de York, por seu casamento com o príncipe Bertie (futuro rei George VI). O artista lhe deu um ar de frescor e sensualidade no retrato, ressaltando suas principais qualidades: o olhar cândido e o sorriso doce. Elizabeth também foi levemente emagrecida pelo artista, que escondeu suas formas rechonchudas por baixo de um manto azul, deixando assim seu colo desnudo à mostra com um colar de pérolas de três voltas. A futura rainha-mãe foi responsável por muito do estilo e conduta da casa real a partir do momento em que se casou com o duque de York. Nascida em 1900, era a filha mais nova do conde de Strathmore e viveu o suficiente para presenciar o reinado de 6 monarcas: a rainha Vitória, o rei Eduardo VII, George V, Eduardo VIII, George VI e sua filha, Elizabeth II. Ela pode ser considerada a primeira mulher a se beneficiar das leis de 1917, que permitiam aos membros da realeza se casarem com súditos.

Retrato da rainha mãe, Elizabeth Bowes-Lyon, pintado por Mara McGregor (1982).

Este retrato possui um cunho muito mais realista do que o de László, embora McGregor também tenha escondido as formas voluptuosas da rainha-mãe e ressaltado seu sorriso e olhos gentis. A pose régia, com a tiara Greville na cabeça, confere à pintura um ar de autêntica majestade. Nessa época, Elizabeth Bowes-Lyon era quase um totem da monarquia inglesa. Uma relíquia da vitória britânica sobre os alemães na Segunda Guerra Mundial. Quando jovem, ela recebeu uma educação mais refinada do que a de sua própria filha, algo que lhe foi bastante útil quando entrou para a família real em 1923. Em termos comparativos, a rainha-mãe possuía algumas semelhanças com a princesa de Gales, Lady Diana Spencer: as duas pertenciam a famílias aristocráticas e se casaram com príncipes. Inicialmente isoladas por todo aquele mundo de regimentos e protocolos da realeza, elas usaram seu carisma para se aproximar das pessoas e assim conseguiram ofuscar seus próprios cônjuges no exercício de suas funções. Hitler, por exemplo, considerada a rainha Elizabeth como a mulher mais perigosa da Europa.

ELIZABETH II (NASCIDA EM 1926)

Retrato de Estado da rainha Elizabeth II, pintado por Sir Herbert James Gunn.

Esta tela foi encomendada para comemorar a coroação de Sua Majestade, que ocorreu em 2 de junho de 1953. A rainha está na Sala do Trono do palácio de Buckingham, usando seu vestido da coroação e o manto roxo de estado, que recai sobre o trono feito especialmente para essa ocasião. A coroa imperial do estado e o cetro estão colocados na mesa ao lado dela. Elizabeth está usando a diadema de diamantes, feita para o rei George IV, o colar e os brincos de diamantes da rainha Vitória e o colar distintivo da Ordem da Jarreteira. O vestido de cetim branco da rainha foi desenhado por Sir Norman Hartnell, seu principal costureiro. O desenho do bordado incorpora emblemas nacionais e da Comunidade de Nações, executados em pérolas, cristais, sedas coloridas e fios de prata e ouro. A decoração do manto, por sua vez, é composta por uma orla de espigas de trigo e ramos de oliveira, simbolizando a paz e a abundância. Foi bordado pela Royal School of Needlework, que trabalhou por um total de 3.500 horas entre março e maio de 1953.

Retrato da rainha Elizabeth II, pintado em 1954 por William Dargie.

Retrato comemorativo da rainha Elizabeth II, pintado em 1954 por William Dargie, depois da monarca ter visitado todos os países da Comunidade de Nações na sua turnê da coroação. Entronizada aos 25 anos de idade, Elizabeth II ainda tinha muito o que aprender no exercício de suas funções como rainha constitucional. Para tanto, ela contou com o auxílio de homens experientes como Winston Churchill e teve o suporte de sua mãe, a rainha Elizabeth Bowes-Lyon. É difícil para muitos de nós enxergar a imagem de uma soberana insegura por trás da fachada de austeridade transmitida em cédulas, moelas, selos e retratos oficiais. O palácio de Buckingham sempre tentou esconder a mulher Elizabeth Mountbatten dentro da majestosa Elizabeth Regina. A turnê pela Comunidade de Nações, com efeito, fora um verdadeiro sucesso e deu à jovem soberana uma noção da imensa responsabilidade que ela tinha pela frente. Em um regime como a monarquia, o jogo de aparências é fundamental para preservar a integridade do sistema.

“O Teatro da Coroação”, tela de 2012 pintada pelo artista australiano Ralph Heimans, para comemorar o Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth II.

Nesta tela de Ralph Heimans, Sua Majestade aparece retratada na Abadia de Westminster, no centro do pavimento Cosmati, onde ela havia sido coroada 60 anos antes. O pavimento de mosaicos foi descrito por Shakespeare como “o chão do céu”, com seu rico simbolismo criado para evocar “o padrão eterno do universo”. Neste espaço aconteceram as cerimônias de coroação de todos os monarcas ingleses, desde Henrique III no século XIII. Elizabeth II usa um traje oficial sob o manto de estado carmesim, o mesmo usado por ela na sua coroação em 1953 e nas aberturas anuais do Parlamento. Seu colar de diamantes e brincos foram feitos para a coroação da rainha Vitória e depois usados ​​por ela no dia de sua própria sagração como soberana Reino Unido da Grã-Bretanha. O retrato é de um realismo impressionante e foi apresentado pela primeira vez na National Portrait Gallery da Austrália, em 2012, onde recebeu um número recorde de visitantes. No ano seguinte, a tela (que mede 250 x 342 cm) foi adquirida pela Abadia de Westminster e exposta em Londres, em comemoração ao aniversário do Jubileu de Diamante. Atualmente, o retrato está em exibição na Galeria do Jubileu de Diamante da Abadia, inaugurada por Sua Majestade em 2018.

Para maiores informações, acesse o site da Royal Collection Trust, clicando aqui!

Referências Bibliográficas:

BAIRD, Julia. Vitória, a rainha: a biografia íntima da mulher que comandou um império. Tradução de Denise Bottmann. Rio de Janeiro: Objetiva, 2018.

BURKE, Peter. A fabricação do rei: a construção da imagem pública de Luís XIV. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

CARTER, Miranda. Os três imperadores: três primos, três impérios e o caminho para a Primeira Guerra Mundial. Tradução de Manuel Santos Marques. Alfragide, Portugal: Texto Editores, 2010.

KELLEY, Kitty. Os Windsor: radiografia da família real britânica. Tradução de Lina Marques et. al. Sintra, Portugal: Editorial Inquérito, 1997.

MARR, Andrew. A real Elizabeth: uma visão inteligente e intimista de uma monarca em pleno século 21. Tradução de Elisa Duarte Teixeira. São Paulo: Editora Europa, 2012.

MEYER-STABLEY, Bertrand. Isabel II: a família real no palácio de Buckingham. Tradução de Pedro Bernardo e Ruy Oliveira. Lisboa, Portugal: Edições 70, 200

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