A morte dos Romanov: 10 fatos importantes sobre a execução da família imperial russa

A família do czar Nicolau II foi executada há quase 100 anos. Contudo, a investigação do caso de seu assassinato ainda está em progresso. Selecionamos aqui 10 fatos ligados à morte da última família imperial da Rússia.

1. A investigação criminal sobre a morte da família imperial ainda não foi concluída.

Local onde os remanescentes da família imperial foram encontrados, em 1991.

O caso foi reaberto em 2015, por requisição da Igreja Ortodoxa Russa. A Igreja queria confirmar a identidade dos remanescentes humanos da família imperial. No ano de 2000, eles foram canonizados como “portadores da paixão”.

Os remanescentes de Nicolau II, sua esposa Alexandra Feodorovna, três de suas filhas, e seus servos foram descobertos em 1991, perto da cidade de Ecaterimburgo, onde eles foram executados em 17 de julho de 1918. O remanescentes do príncipe-herdeiro Alexei e de sua irmã (Maria ou Anastásia), só foram encontrados em 2007, não longe do primeiro túmulo.

2. A investigação envolveu o marido da rainha Elizabeth II

Elizabeth II cumprimenta os residentes de São Petersburgo, na Praça do Palácio, durante a visita oficial dela e do Príncipe Philip à Rússia.

A despeito das dúvidas da Igreja Ortodoxa, a identidade dos remanescentes foi confirmada através de uma série de testes conduzidos no início dos anos 1990, na Rússia e no exterior. De acordo com o investigador criminal responsável pelo caso, Vladimir Solovyov, um dos testes envolveu uma amostra do sangue do marido da rainha Elizabeth II, o duque de Edimburgo, que é sobrinho-neto da czarina Alexandra Feodorovna.

3. Os remanescentes do príncipe-herdeiro Alexei e os de sua irmã permanecem insepultos

Militares carregam o caixão com os remanescentes do czar Nicolau II, durante seu sepultamento, de sua família e servos, na Catedral de São Pedro e São Paulo.

Os remanescentes de Nicolau II, Alexandra Feodorovna e três de suas filhas receberam um funeral de Estado antes de serem sepultados na Fortaleza de Pedro e Paulo, em São Petersburgo, em 1998, unindo-se aos de seus antepassados. O presidente Boris Yeltsin compareceu à cerimônia, embora o então Patriarca da Igreja, Alexei II, tenha se recusado a ir.

Os remanescentes foram novamente exumados em 2015, para coletar amostras de DNA, como parte da nova investigação. Em outubro de 2016, o Patriarca Kirill disse que os testes logo deveriam estar finalizados. Desde então, os remanescentes do príncipe-herdeiro, Alexei, e os de sua irmã não foram sepultados (eles estão guardados nos Arquivos de Estado da Rússia).

4. A família imperial deixou a capital sob a bandeira japonesa

Fotografia de Nicolau II, tirada dias antes de ser executado, em julho de 1918.

Depois da abdicação de Nicolau II, durante a chamada Revolução de Fevereiro de 1917, a família imperial foi escoltada de sua residência, em Tsarskoe Selo. Depois foi transferida para a cidade siberiana de Tobolsk, não longe da vila onde o famoso Gregório Rasputin (“nosso querido amigo”, como Alexandra Feodorovna costumava se referir a ele) nasceu. Com a Revolução Bolchevique de Outubro, as novas autoridades os moveram para Ecaterimburgo, nos Urais. Quando eles deixaram Tsarskoe Selo em dois trens, viajaram em sigilo sob a bandeira japonesa, como parte de uma suposta missão da Cruz Vermelha do Japão, para evitar possíveis ataques da população.

5. A razão oficial da execução foi a chegada dos inimigos dos Bolcheviques

Durante a URSS, foi oficialmente declarado que a família imperial fora executada sob ordens do governo soviético dos Urais, que afirmou que as execuções foram necessárias, pois os regimentos da Checoslováquia – formados por prisioneiros tomados durante a Primeira Guerra Mundial – estavam se aproximando. Eles se revoltaram contra os bolcheviques em 1918. O governo soviético também mencionou uma conspiração “contra-revolucionária’ armada para libertar o antigo monarca. Nenhum sinal de uma possível conspiração foi encontrado, embora os checos tenham tomado a cidade oito dias depois da execução da família imperial.

6. Moscou não autorizou a execução da família imperial

As crianças teriam sido pupadas. Da esquerda para a direita: Tatiana, Anastásia, Alexei, Maria e Olga.

Na Rússia pós-soviética, a investigação sobre a execução do último czar e sua família chegou à conclusão de que a ordem foi dada pelas autoridades locais dos Urais. Não há qualquer documento evidenciando que Vladimir Lenin ou outro dos líderes bolcheviques estavam interessados na execução do czar. Alguns historiadores argumentam que Moscou queria organizar um julgamento para o último imperador.

Ao mesmo tempo, alguns dos envolvidos no crime disseram que, na véspera do assassinato, receberam um telegrama codificado de Moscou, ordenando a morte do czar, mas não de toda a sua família. Matar todos os Romanov que estavam em Ecaterimburgo foi uma iniciativa do governo soviético local, cujos membros eram muito mais radicais do que os bolcheviques do Kremlin.

7. Os corpos foram enterrados duas vezes

Fotografia do quarto onde os Romanov foram executados, tirada após o assassinato da família imperial.

Os Romanov foram levados para o porão da casa Ipatiev, onde ficaram posicionados contra a parede. Eles então foram baleados por um esquadrão de fogo. Os membros da família que sobrevieram ao primeiro ataque (algumas balas ricochetearam nas joias escondidas em suas roupas) foram assassinados com o uso de baionetas. Então os corpos foram levados para fora da cidade e jogados numa mina. Contudo, para limitar as chances de que os cadáveres fossem encontrados, os soldados os levaram para um túmulo não-identificado e os desfiguraram com ácido.

8. Oficialmente, o destino da família imperial não era conhecido

Grupo de bolcheviques dos Urais, no suposto lugar de enterro dos Romanov.

A princípio, as autoridades soviéticas apenas reportaram a morte de Nicolau II. Por algum tempo, a informação oficial era a de que a família tinha sido evacuada de Ecaterimburgo e enviada para longe do caos da guerra civil russa. Só no início da década de 1920 que os detalhes da execução foram expostos, quando os envolvidos confessaram.

9. Não houve muita repercussão

A notícia da morte da família imperial não causou muita comoção popular na Rússia. Nicolau II não era um pessoa querida. Fotografia digitalmente colorida por Olga Shirnina. 

É difícil acreditar, mas o povo russo não ficou muito abalado com a notícia da morte do czar. Nicolau II não era popular. De acordo com alguns historiadores, depois da queda da monarquia, as autoridades receberam muitas cartas da população, pedindo a morte do imperador. A única reação significativa veio do líder da Igreja Ortodoxa, o Patriarca Tikhon, que condenou abertamente o assassinato.

10. Local de peregrinação

A casa Ipatiev sendo demolida, em 1977.

A pessoa responsável pela execução, Yakov Yurovsky, afirmou ser o autor do tiro que matou o czar. Em 1920 ele pessoalmente entregou as joias que pertenciam à família imperial a Moscou. Conseguiu alguns cargos importantes no novo Estado Bolchevique, morrendo em 1938 – não devido ao grande expurgo de Stalin – mas por causa de uma úlcera no estômago.

A casa Ipatiev foi demolida em 1977, quando o governo regional era liderado pelo futuro presidente, Boris Yeltsin. Mais tarde, uma Igreja foi construída no local, que hoje é um ponto de peregrinação.

Matéria traduzida e adaptada por Renato Drummond Tapioca Neto

Fonte: Russia Beyond The Headlines – Acesso em 27 de julho de 2017.

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