O “Sanguinário” reinado de Maria I – Conclusão

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Maria Tudor é considerada a primeira governante do gênero feminino em Inglaterra. Quando de sua ascensão ao trono era amada e popular, porém suas ações posteriores, aliadas de um casamento desastroso, bastaram para que sua estrela caísse, enquanto a de sua irmã crescia. Com toda certeza, fora uma mulher mal compreendida e até hoje, 454 anos após sua morte, parece que a humanidade ainda está parcialmente desinteressada em limpar seu nome e livrá-la do estereótipo de sanguinária. Quando da subida de Elizabeth ao trono, muitas histórias inescrupulosas sobre a crueldade de Mary passaram a circular, como, por exemplo, a de que mandara queimar o coração de Henrique VIII pelas dores que causara à mãe, o que parece redondamente improvável, dado ao imenso amor que a filha sentia pelo pai, apesar de tudo. Seu último desejo foi que os restos mortais de Catarina de Aragão fossem depositados ao lado dos seus, na abadia de Westminster. Porém, sua sucessora não julgou uma boa ideia estimular essa conjunção das rainhas católicas. “Por fim, é a própria Elizabeth, […], que jaz ao lado da rainha Maria na abadia…” (FRASER, 2010, pag. 567).

Diante do que foi exposto, fica claro que a alcunha “Bloody Mary” empregado à Maria Tudor é equivocada. Tanto em vida quanto em morte sofrera todas as dores públicas e pessoais, quando o que ela mais queria era promover a estabilidade de seu reino sob sua perspectiva dos acontecimentos (que derivam da forte criação católica que tivera). Na opinião de Jane Dunn, Mary pouco fez para recomendar o governo feminino, corroborando assim para que autores como Jonh Knox difamassem a concentração de poderes estatais nas mãos de mulheres. No entanto, complementa a biógrafa:

“Mary assumiu suas responsabilidades com adequada seriedade de propósito. A manutenção de seus princípios, embora desprovida de pragmatismo e oportunismo político, teve um elemento de heroísmo” (DUNN, 2004, pag. 146).

Sendo assim, parece-me muito mais correto dizer que fora a verdadeira filha das circunstâncias pelas quais ascendeu ao trono, e tentou se manter nele. Suas atitudes são perfeitamente explicáveis ao analisar sua trajetória: a vida de uma mulher que sofreu, amou e lutou pelo que achava certo, pagando caro por buscar a felicidade em uma sociedade volúvel e orgulhosa.

Artigo editado a partir de: “Mary, sanguinária ou Filha das Circunstâncias?”.

Referências Bibliográficas:

BUSH, Catherine. Os Riscos Da Sucessão. In: Os Grandes Líderes: Elisabete I. Tradução de Lívia Palladio – São Paulo: Nova Cultural, 1988. Pag. 15- 23.

CHASTENET, Jacques. Uma Juventude Temerosa. In: A Vida de Elizabeth I de Inglaterra. Tradução de José Saramago. 2ª edição. São Paulo: Círculo do Livro, 1976. Pag. 17-39.

DUNN, Jane. O Aprendizado De Uma Rainha. In: Elizabeth e Mary: primas, rivais, rainhas. Tradução de Alda Porto. – Rio de Janeiro: Rocco, 2004. Pag. 141 – 177.

FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos Do Nascimento E Silva. 2ª edição. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010

GREGORY, Philippa. O Bobo Da Rainha. Tradução de Ana Luiza Borges. 2ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2010.

LOADES, David. A Soberana casada: A Rainha Maria I. In: As Rainhas Tudor – o poder no feminino em Inglaterra (séculos XV-XVII). Tradução de Paulo Mendes. 1ª edição. Portugal: Caleidoscópio, 2010. Pag. 221 – 223.

INTERNET. Queen Mary I (1516-1558). 2011, Disponível em: http://www.luminarium.org/encyclopedia/queenmary.htm. Acesso em 16 de fevereiro de 2012

INTERNET. The Submission of Lady Mary to the King, her Father. 2011. Disponível em: http://www.luminarium.org/encyclopedia/marytohenry1536.htm. Acesso em 16 de fevereiro de 2012.

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