D. Leopoldina, a mãe do Império brasileiro – Conclusão

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Ainda hoje persistem muitas especulações acerca do que poderia ter causado na morte precoce da Imperatriz seis semanas antes de completar 30 anos, em onze de dezembro de 1826. Boatos dão conta de que teria sido agredida por D. Pedro, quando esta se recusou a comparecer há um evento de despedida organizado pelo imperador, que estava de partida para o sul, o qual contava com a presença de Domitila de Castro, a marquesa de Santos, reconhecida amante real. Quanto a isso, não se pode ter certeza, embora não é improvável que tal tenha se sucedido, dado que explosões de raiva eram corriqueiras em Pedro. À época estava grávida, tendo abortado um feto do sexo masculino em dois de dezembro. Na última carta que escreveu a sua irmã Maria Luísa, ela da conta de suas enfermidades, ao dizer que estava “reduzida ao mais estado deplorável de saúde e tendo chegado ao último ponto de minha vida em meio aos maiores sofrimentos”. Ao saber da notícia do falecimento da imperatriz, o outrora “adorado Pedro”, aquele a quem ela se referiu na mesma carta à irmã como “monstro sedutor”, que a havia diminuído ao “estado da maior escravidão”, retornara para o Rio de Janeiro e permanecera trancado de luto, enquanto toda a pátria chorava a perda de sua mãe.

D. Leopoldina havia conquistado seu lugar no panteão de heróis do país, como a matriarca do Império, aquela cuja intervenção seria decisiva para que uma revolução republicana não atingisse o país e fragmentasse o território nacional, assim como aconteceu às colônias espanholas na América. Todavia, ainda hoje se nota certa dose de desleixo por parte de alguns historiadores que passam por cima da figura dessa impressionante mulher quando analisam o processo de soberania do país. Leopoldina fica quase eclipsada diante dos estereótipos de D. Pedro, o primeiro imperador, e José Bonifácio, o patriarca da independência. Foram suas articulações políticas com o ministro que definiram os acontecimentos que culminaram no grito do Ipiranga. Não obstante, apesar de identificar-se pouco com os costumes do Brasil, assumiu suas responsabilidades de esposa e mãe com total competência, intercedendo por aqueles a quem considerava dignos de misericórdia. O país terá sempre uma dívida de eterna gratidão para com esta nobre arquiduquesa austríaca que triunfou na morte assim como se desiludira em vida. A ela, dedico minha total admiração e respeito!

Referências Bibliográficas:

GOMES, Laurentino. 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

KANN, Bettina; LIMA, Patrícia Souza. D. Leopoldina: cartas de uma imperatriz. – São Paulo: Estação Liberdade, 2006.

OBERACKER Jr., Carlos H. A imperatriz Leopoldina, sua vida e época: ensaio de uma biografia. – Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura, 1973.

PRIORE, Mary Del. A carne e o sangue: A imperatriz D. Leopoldina, D. Pedro I e Domitila, a marquesa de Santos. – Rio de Janeiro: Rocco, 2012.

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3 comentários sobre “D. Leopoldina, a mãe do Império brasileiro – Conclusão

  1. Não entendi bosta nenhuma ela só morreu pq o marido traiu ela?? Que coisa idiota pra mim ele a matou pq queria q ela fosse mais ela disse q iria mais levaria seu amante já q a amante real dele estaria lá também

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    • O texto diz que existem muitas especulações sobre a causa da morte de Dona Leopoldina, mas em momento algum afirma que foi por causa da traição do marido. De acordo com os laudos médicos da época, ela faleceu de uma “febre bilial”, provocada pelo abordo de seu último filho. Dom Pedro não fez qualquer mal físico para sua esposa.

      Curtido por 1 pessoa

  2. Pena eu perder tanto tempo, gostaria de ter me interessado antes da historia do Brasil, mas minha opinião é, que D.Pedro I contribuiu com a morte da Imperatriz mas não foi o principal culpado, a questão da amante também contribuiu mas também não foi a culpa, ja que se por assim fosse teria uma grande lista a ser acrescentada.
    Os hábitos e costumes da época e a compleição frágil de uma Europeia nos trópicos, na minha opinião foi mais participante na morte prematura aos 30 anos de idade.
    Abraços.

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