A morte da Imperatriz D. Leopoldina

“Quando você voltar, eu não estarei mais aqui”: a morte da Imperatriz Leopoldina

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

No dia 11 de dezembro de 1826, o Diário Fluminense aparecia com a sua primeira página tarjada de preto. No editorial, uma notícia que todos temiam: às 10 horas e um quarto daquela manhã faleceu Maria Leopoldina da Áustria. Depois de vários dias de preces públicas, destinadas à saúde da soberana, a doença finalmente venceu aquela que ficou conhecida como a Paladina da Independência, mãe do nascente Império do Brasil. Por parte de toda a polução vigorava o pesar pela perda de uma mulher que abraçou a nova pátria como se nela tivesse nascido. Era uma mulher querida por todas as classes sociais, incluindo a dos escravos, cuja condição de cativos ela sempre se horrorizou. Da boca deles, Maria Graham, amiga e confidente de Leopoldina, registrava o lamento: “quem tomará o partido dos negros? Nossa mãe se foi”. Conforme registrou o embaixador austríaco Mareschal, “uma dor muda de desespero tomava todas as fisionomias; negros, mulatos, portugueses, ingleses, italianos, alemães todos choravam em comum a morte da imperatriz”. Ela partia para a imortalidade deixando corações arrasados e cinco crianças órfãs no Paço de São Cristóvão. Para o Brasil, a herança de uma luta que se arrastaria por toda a posteridade. Continuar lendo

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D. Inês de Castro: uma trágica heroína do imaginário popular

Por: João Mendes-Pinto

Dª Inês era filha natural do nobre galego D. Pedro Fernandez de Castro e neta do rei de Castela; era prima em 2º grau do príncipe herdeiro D.Pedro, filho de D. Afonso IV e neto de D. Dinis. Após a morte prematura do pai foi educada no castelo de Albuquerque (Castela) por Afonso Sanches, filho natural do rei D.Dinis, pelo qual este tinha grande estima, perante o ódio do filho legítimo D. Afonso IV. Senhora de grande beleza, veio para Portugal em 1340 como dama de companhia de Dª Constança, primeira esposa do futuro D. Pedro I de Portugal, o qual iniciou com ela uma relação extra-matrimonial e lhe concedeu doações, ainda em vida da rainha. Após a morte de Dª Constança, em 1345, a relação tornou-se mais sólida, correndo na corte o boato de que teriam casado secretamente. Continuar lendo

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“Uma infância muito infeliz”: a primeira juventude da rainha Vitória

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Vitória do Reino Unido se tornou o maior símbolo do imperialismo britânico. É difícil imaginar o século XIX sem evocar automaticamente a sua figura: a de uma soberana eternamente em luto pelo marido, infeliz e ao mesmo tempo dominadora. Ela foi a última representante de uma poderosa dinastia de reis, os Hannover, que sucederam os Stuart no governo da Grã-Bretanha em 1714. Símbolo de uma nação, ela marcou uma fase de florescimento intelectual e artístico, cujas raízes se estabeleceram inclusive nos trópicos, no reinado de D. Pedro II do Brasil. Mas nem tudo na vida de um membro da realeza é um mar de conforto, como geralmente se pensa. A rainha demonstrou que ser uma princesa real não é tão bom quanto algumas pessoas acreditam.Vitória descreveu sua infância com as palavras “muito infeliz”, uma vez que “precisava reprimir sentimentos muito violentos”. Não tinha irmãos nem irmãs por perto, nem muito menos chegou a conhecer o pai, Edward, duque de Kent, que morreu alguns meses depois do seu nascimento. Além disso, “circunstâncias infelizes fizeram com que não me sentisse à vontade com minha mãe e não me encontrasse, com ela, em situação de intimidade e de confiança”. Continuar lendo

Mademoiselle Boullan

Lançamento do primeiro ensaio biográfico brasileiro sobre Ana Bolena!

Ana Bolena é uma das personagens mais singulares da história. Sua fama extrapolou os limites da historiografia e viajou pelo mundo da ficção: ela já marcou presença em peças de teatro, óperas, romances históricos, filmes e até mesmo em séries de televisão. Poucas rainhas foram tão interpretadas quanto ela. Da mesma forma, poucas personalidades do passado despertaram tanta compaixão e interesse por parte das pessoas nas últimas décadas. No Brasil, a quantidade de romances publicados tendo-a como personagem principal é bastante notória, a exemplo dos livros de Jean Plaidy, “Assassinato Real”, Norah Lofts, “Ana Bolena – O amor de Henrique VIII”, Evelyn Anthony, “Ana Bolena – A rainha decapitada”, e o mais popular de todos, “A irmã de Ana Bolena”, escrito por Philippa Gregory e que já foi adaptado tanto para a televisão quanto para o cinema. Entretanto, se por um lado os brasileiros estão bem fornidos de obras de ficção, quando o assunto é biografia a realidade pode ser bem desanimadora. Continuar lendo

Time is Gone

Memória coletiva e memória histórica na obra de Maurice Halbwachs

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

O texto que se segue pretende analisar alguns dos conceitos abordados por Maurice Halbwachs em seu livro A Memória Coletiva, publicado pela primeira vez em 1950. Sociólogo francês que compôs seus principais trabalhos durante a primeira metade do século XX, até que a Segunda Guerra Mundial lhe ceifou a vida em 1945, Halbwachs revolucionou o pensamento de sua época ao afirmar que o fenômeno da recordação e da localização das lembranças não pode ser percebido e analisado se não forem levados em consideração os contextos sociais que servem de base para a reconstrução da memória. Esta última pode ser interpretada como as reminiscências do passado que reaparecem no presente, no pensamento de cada indivíduo, ou como a nossa capacidade de armazenar certa quantidade de informações concernentes a fatos que foram vividos no passado. Uma vez que a lembrança necessita de uma comunidade afetiva, construída graças ao nosso convívio social com outras pessoas, para tomar consistência, podemos então basear nossa impressão nas lembranças de outros indivíduos que compõem o mesmo grupo no qual estamos inseridos para reforçar, enfraquecer, ou mesmo completar a nossa própria percepção dos acontecimentos. Continuar lendo