Time is Gone

Memória coletiva e memória histórica na obra de Maurice Halbwachs

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

O texto que se segue pretende analisar alguns dos conceitos abordados por Maurice Halbwachs em seu livro A Memória Coletiva, publicado pela primeira vez em 1950. Sociólogo francês que compôs seus principais trabalhos durante a primeira metade do século XX, até que a Segunda Guerra Mundial lhe ceifou a vida em 1945, Halbwachs revolucionou o pensamento de sua época ao afirmar que o fenômeno da recordação e da localização das lembranças não pode ser percebido e analisado se não forem levados em consideração os contextos sociais que servem de base para a reconstrução da memória. Esta última pode ser interpretada como as reminiscências do passado que reaparecem no presente, no pensamento de cada indivíduo, ou como a nossa capacidade de armazenar certa quantidade de informações concernentes a fatos que foram vividos no passado. Uma vez que a lembrança necessita de uma comunidade afetiva, construída graças ao nosso convívio social com outras pessoas, para tomar consistência, podemos então basear nossa impressão nas lembranças de outros indivíduos que compõem o mesmo grupo no qual estamos inseridos para reforçar, enfraquecer, ou mesmo completar a nossa própria percepção dos acontecimentos. Continuar lendo

Marie_Antoinette_Young2

O nascimento de Vênus: Maria Antonieta, filha de Maria Teresa

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Viena, 2 de novembro de 1755. Maria Teresa, rainha de Hungria por herança e imperatriz do Sacro Império Romano por casamento, entrava em trabalho de parto pela 15ª vez em sua vida. Aos 38 anos, ela e seu marido, o imperador Francisco I, já tinham produzido quatro arquiduques e dez arquiduquesas (das quais sete sobreviveram até aquele ano, uma taxa bastante elevada, se considerarmos os padrões de mortalidade infantil da época). Dessa forma, a experiência do parto não se constituía em novidade alguma para aquela soberana. Instalada no Palácio Hofburg, onde os Habsburgo residiam desde o final do século XIII, seus aposentos ficavam no primeiro andar da conhecida ala Leopoldina, que hoje fazem parte dos escritórios do presidente austríaco. Ali nasceu uma das personalidades mais famosas da história ocidental, destinada a viver momentos de extrema alegria e outros de profunda tristeza. Quem, naquele Dia de Finados, imaginaria que a 11ª filha do casal de imperadores seria protagonista da maior de todas as revoluções europeias, falecendo de uma forma tão sanguinária? Continuar lendo

tempo

A história e a memória: suas abordagens e problemáticas no século XXI

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

No seu clássico texto Entre Memória e História: a problemática dos lugares (1993), Pierre Nora destaca que as sociedades de hoje, vivendo sob uma espécie de presente contínuo, estão em processo de ruptura com seu passado. Passado esse que, para o historiador, estaria definitivamente morto. Aliado a esse processo de ruptura, a sensação de perda ou fim de alguma coisa desde sempre começada. Falamos hoje tanto em memória, porque ela não mais existe. Desse modo, a curiosidade pelos lugares onde ela se cristaliza está ligada a esse processo de ruptura com o passado. Existem lugares de memória porque não existem outros meios de memória. Nora observa que as chamadas sociedades-memória, grupos que asseguravam a conservação e transmissão das tradições, como a família, a Igreja, a escola ou o Estado, estão atualmente em crise devido ao fenômeno da mundialização, da democratização, da massificação, da mediatização.  As nossas sociedades, levadas pela mudança e condenadas ao esquecimento, fazem do passado, história, em contraposição a uma memória verdadeira, social, intocada, que representa um elo de identidade entre os grupos. Caso ainda habitássemos a nossa memória, não haveria motivos para lhe consagrar lugares. Continuar lendo

Imperatriz Leopoldina

O resgate da memória da Imperatriz D. Leopoldina

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Nascida em Viena, no dia 22 de Janeiro de 1797, Carolina Leopoldina de Habsburgo-Lorena descendia de uma das casas reinantes mais nobres da Europa. Quando criança recebeu uma educação primorosa. Desde cedo, a arquiduquesa demonstrou seu interesse pela botânica e mineralogia. Era uma cientista amadora. Aos 19 anos, foi enviada ao Brasil para se juntar ao seu marido, o príncipe D. Pedro. Foi neste país que a filha dos césares demonstrou a capacidade de suas faculdades mentais ao ser protagonista do processo de emancipação política do Brasil, tornando-se soberana consorte do nascente império. Infelizmente, sua vida foi curta, tendo falecido aos 29 anos, mas legou aos brasileiros o testemunho de sua alma caridosa, sua competência e poder como mulher. Contudo, poucos são aqueles que ainda hoje se lembram de D. Leopoldina e de suas qualidades intelectuais e políticas, o que se constitui num exemplo vivo de uma Nação que pouco se recorda de sua história e dos personagens que nela atuaram. Continuar lendo

banner do facebook

2 anos de Rainhas Trágicas – Carta aos leitores!

Rememorar as circunstâncias que me fizeram desenvolver a exatos dois anos, esse espaço para compartilhar com as pessoas os resultados de minhas pesquisas sobre a história de mulheres notáveis, é também um exercício de reconstituição do momento espaço-temporal no qual eu me situava naquele período: estava no 3° ano do curso de História da Universidade Estadual de Santa Cruz e bastante preocupado com a disciplina de Pesquisa História I. Ainda não havia definido o tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso. A única coisa que eu via em minha frente era o meu objeto de estudo: Ana Bolena. A partir de então, percebi que manter um contato mais estreito com outras pessoas interessadas na segunda esposa de Henrique VIII poderia, de certa forma, ajudar no meu propósito. Foi quando surgiu a ideia de desenvolver um blog onde eu pudesse estar interagindo com tais indivíduos. Criado o Rainhas Trágicas, me deparei com inúmeros desafios. Com o quê eu preencheria as postagens do blog? Como eu lidaria com as críticas ao meu trabalho? Sem medo de errar e disposto a aprender, resolvi dar prosseguimento ao meu projeto. Voltar dois anos atrás, perceber hoje como se desenvolveu, é a maior prova de ele que deu certo.

Com efeito, não foram poucas as ocasiões em que pensei em desistir do blog e seguir com a minha vida anônima e sem grandes novidades. Mas ao fazê-lo, estaria cometendo um verdadeiro crime: o de guardar o conhecimento adquirido só para mim e me tornar apenas mais um erudito. Apesar de todas as dificuldades e dissabores, resolvi continuar, pois não tinha só ao meu lado a força de vontade, como também o apoio de grandes amigos que colaboraram e colaboram direta ou indiretamente com este espaço. Hoje eu posso afirmar que o Rainhas Trágicas se transformou em um portal dinâmico e interativo, seja através dos comentários e sugestões de leitores nos textos aqui publicados ou nas postagens em nossa página no facebook. Sendo assim, gostaria de agradecer a cada um de meus leitores por acessar o blog e manifestar suas respectivas opiniões. A principal base da existência do Rainhas Trágicas é vocês. Muito obrigado por mais um ano de companheirismo e que venha o próximo! Abraços!

Atenciosamente,

Renato Drummond Tapioca Neto (idealizador, administrador e escritor do Rainhas Trágicas).