The Women of Game of Thrones series by Leann Hill - Cópia

As rainhas na obra de George R. R. Martin: o poder das mulheres (Conclusão)

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Sucesso mundial, a série de livros “As Crônicas de Gelo e Fogo”, escrita por George R. R. Martin, povoou as mentes dos leitores com personagens inesquecíveis e criaturas fantásticas, habitando um continente dividido por sete reinos. Westeros tem de quase tudo um pouco do nosso mundo, desde sua paisagem, religião e até mesmo a hierarquia social. A corte de Porto Real é um verdadeiro palco para conspirações e intrigas protagonizadas por reis e rainhas, lordes e ladys. É o cenário ideal para mulheres como Margaery Tyrell, a rainha consorte, e Cersei Lannister, a rainha regente, disputando pela posse do rei-menino, Tommen Baratheon. Enquanto isso, do outro lado do mar estreito, Daenerys Targaryen, a rainha reinante, se prepara para retornar com fogo e sangue, e acabar de uma vez por todas com o jogo dos tronos. Westeros é também o lar de outras mulheres empoderadas, como Asha Greyjoy e Arianne Martell; de guerreiras como Brienne de Tarth, Arya Stark e Ygritte, ou donzelas sonhadoras como Sansa; de sacerdotisas como Melisandre e amantes como Shae e Ellaria Sand. Mas principalmente é o lugar de mães, como Catelyn Stark, cuja maior preocupação é ver a segurança e a felicidade dos filhos. São várias mulheres no meio de uma única luta. Várias faces de um mesmo rosto feminino que clama por igualdade e respeito dentro da sociedade. Voltemos então a nossa atenção para o poder das rainhas em Game of Thrones. Continuar lendo

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As rainhas na obra de George R. R. Martin: Daenerys Targaryen, a rainha reinante.

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Em 129 d.C. (depois da Conquista) o continente de Westeros era palco de uma das guerras mais sangrentas que sua história já registrou: a disputa entre os irmãos Rhaenyra e Aegon Targaryen pelo Trono de Ferro. Os cantores batizaram esse conflito de “A Dança dos Dragões”, embora “Morte dos Dragões” fosse um título muito mais adequado. Todos os sete reinos permaneceram divididos, com cada lado apoiando um dos pretendentes. As consequências foram catastróficas para as duas facções, especialmente para a casa Targaryen: seus dragões, o orgulho da dinastia, pereceram no conflito. A própria Rhaenyra foi devorada diante dos olhos de seu filho por Sunfyre, a criatura que pertencia ao seu irmão. Consequentemente, criou-se entre os conselheiros do rei o receio de que outra mulher viesse a ocupar o trono. Por quase 150 anos, as tentativas empreendidas para tentar fazer chocar os ovos de dragão restantes se mostraram inúteis, até que uma garota de 16 anos, a última da sua linhagem, descobriu como. Ele entrou numa grande pira funerária com três ovos petrificados. Para espanto de todos, quando o fogo cessou, observou-se que a jovem não só tinha permanecido intocada pelas chamas como também carregava no seu colo três bebês dragões. Seu nome era Daenerys Targaryen! Continuar lendo

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As rainhas na obra de George R. R. Martin: Cersei Lannister, a rainha regente.

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

No ano de 267 d.C. (depois da Conquista), Lorde Tytos Lannister morreu. Seu herdeiro de 25 anos, Tywin, assumiu então o posto do pai como Senhor de Rochedo Casterly, Escudo de Lannisporto e Protetor do Oeste. Em toda a história de Westeros, nenhum homem foi tão implacável quanto Lorde Tywin, Mão de três reis. Tendo perdido a mulher durante o parto de seu último filho, Tywin pelo menos podia encontrar algum conforto no fato de ter um sucessor varão de seu próprio sangue e uma filha, a quem muitos chamariam de a mulher mais linda dos sete reinos. Loura, de pele alva, bochechas rosadas e intensos olhos verdes, Cersei Lannister foi moldada desde cedo pelo pai para se tornar a consorte do príncipe Rhaegar Targaryen, embora nunca tenha sido desposada pelo mesmo. Em vez disso, se tornou a mulher do rei Robert I Baratheon. Após a morte dele, governou como rainha regente durante a minoridade de seus filhos, em meio a um cenário de conspirações e assassinatos que fizeram o reino sangrar. A personagem de Cersei Lannister, criada por George R. R. Martin para sua série de livros “As Crônicas de Gelo e Gogo”, se parece em muitos aspectos com outras soberanas da antiguidade clássica e do renascimento europeu que (em alguns casos) ficaram famosas pela sua beleza luxuriante e índole cruel. Voltemos agora a nossa atenção para esse assunto.  Continuar lendo

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As rainhas na obra de George R. R. Martin: Margaery Tyrell, a rainha consorte.

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Linda, gentil, inteligente e bem-nascida. A natureza não podia ter sido mais generosa com Margaery Tyrell, filha de um dos grandes lordes de Westeros. Seu destino, contudo, já havia sido traçado ainda quando era um bebê: casar-se com outro grande lorde e com isso firmar uma aliança política entre a sua família e a do seu marido. O que nenhum dos membros do clã de Jardim de Cima esperava é que aquela menina de cabelos castanhos e olhos de corça se tornaria esposa não de um, mas de três reis. Aos 16 anos, não havia mulher mais bonita em todos os sete reinos. Sua beleza, inclusive, despertou a inveja da rainha regente, Cersei Lannister, que desde então não parou de trabalhar em prol da queda de sua nora. Porém, o que a mãe dos reis Joffrey e Tommen Baratheon não sabia é que, por trás do rostinho meigo da filha de Lorde Mace Tyrell, se esconde uma mulher tão determinada e astuta quanto a própria regente. A personagem criada por George R. R. Martin exemplifica de forma bastante peculiar os meios pelos quais uma mulher nobre deveria agir para alcançar determinado fim, dentro do regime das monarquias europeias de séculos atrás. Os desafios vividos por Margaery Tyrell no universo de “As Crônicas de Gelo e Fogo” também foram compartilhados por outras soberanas do mundo real. Voltemos então a nossa atenção para essa questão. Continuar lendo

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As rainhas na obra de George R. R. Martin: a história por trás da ficção (Introdução)

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Ficção e história são dois domínios que tanto se aproximam, quanto se afastam. Sempre há ficção na história, assim como há história na ficção. Enquanto o discurso histórico procura se ater à veracidade do relato, o discurso ficcional percorre os caminhos da verossimilhança, ou seja, não aquilo que de fato aconteceu, mas que poderia ter acontecido. Essas duas formas narrativas se aproximam justamente pela representação da realidade contida em ambas. Não é pelo fato de um romance abordar em suas páginas uma trama inventada que ele deixa de comtemplar assuntos verídicos. Em contrapartida, um historiador, apesar de trabalhar em cima de fontes (sejam elas textuais ou de qualquer outra natureza), procura preencher as lacunas históricas no seu trabalho com um pouco de sua própria imaginação especulativa. Dessa forma, até que ponto o real e o imaginário se misturam para criar uma narrativa inteligível aos olhos do leitor? Se o escritor de ficção usa de recursos historiográficos para compor suas obras, e o historiador se vale de estratégias ficcionais para uma finalidade semelhante, então não seria equivocado afirmar que essas duas áreas do conhecimento então mais próximas do que muitos supõem. Continuar lendo