Imperatriz Leopoldina

O resgate da memória da Imperatriz D. Leopoldina

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Nascida em Viena, no dia 22 de Janeiro de 1797, Carolina Leopoldina de Habsburgo-Lorena descendia de uma das casas reinantes mais nobres da Europa. Quando criança recebeu uma educação primorosa. Desde cedo, a arquiduquesa demonstrou seu interesse pela botânica e mineralogia. Era uma cientista amadora. Aos 19 anos, foi enviada ao Brasil para se juntar ao seu marido, o príncipe D. Pedro. Foi neste país que a filha dos césares demonstrou a capacidade de suas faculdades mentais ao ser protagonista do processo de emancipação política do Brasil, tornando-se soberana consorte do nascente império. Infelizmente, sua vida foi curta, tendo falecido aos 29 anos, mas legou aos brasileiros o testemunho de sua alma caridosa, sua competência e poder como mulher. Contudo, poucos são aqueles que ainda hoje se lembram de D. Leopoldina e de suas qualidades intelectuais e políticas, o que se constitui num exemplo vivo de uma Nação que pouco se recorda de sua história e dos personagens que nela atuaram. Continuar lendo

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2 anos de Rainhas Trágicas – Carta aos leitores!

Rememorar as circunstâncias que me fizeram desenvolver a exatos dois anos, esse espaço para compartilhar com as pessoas os resultados de minhas pesquisas sobre a história de mulheres notáveis, é também um exercício de reconstituição do momento espaço-temporal no qual eu me situava naquele período: estava no 3° ano do curso de História da Universidade Estadual de Santa Cruz e bastante preocupado com a disciplina de Pesquisa História I. Ainda não havia definido o tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso. A única coisa que eu via em minha frente era o meu objeto de estudo: Ana Bolena. A partir de então, percebi que manter um contato mais estreito com outras pessoas interessadas na segunda esposa de Henrique VIII poderia, de certa forma, ajudar no meu propósito. Foi quando surgiu a ideia de desenvolver um blog onde eu pudesse estar interagindo com tais indivíduos. Criado o Rainhas Trágicas, me deparei com inúmeros desafios. Com o quê eu preencheria as postagens do blog? Como eu lidaria com as críticas ao meu trabalho? Sem medo de errar e disposto a aprender, resolvi dar prosseguimento ao meu projeto. Voltar dois anos atrás, perceber hoje como se desenvolveu, é a maior prova de ele que deu certo.

Com efeito, não foram poucas as ocasiões em que pensei em desistir do blog e seguir com a minha vida anônima e sem grandes novidades. Mas ao fazê-lo, estaria cometendo um verdadeiro crime: o de guardar o conhecimento adquirido só para mim e me tornar apenas mais um erudito. Apesar de todas as dificuldades e dissabores, resolvi continuar, pois não tinha só ao meu lado a força de vontade, como também o apoio de grandes amigos que colaboraram e colaboram direta ou indiretamente com este espaço. Hoje eu posso afirmar que o Rainhas Trágicas se transformou em um portal dinâmico e interativo, seja através dos comentários e sugestões de leitores nos textos aqui publicados ou nas postagens em nossa página no facebook. Sendo assim, gostaria de agradecer a cada um de meus leitores por acessar o blog e manifestar suas respectivas opiniões. A principal base da existência do Rainhas Trágicas é vocês. Muito obrigado por mais um ano de companheirismo e que venha o próximo! Abraços!

Atenciosamente,

Renato Drummond Tapioca Neto (idealizador, administrador e escritor do Rainhas Trágicas).

O modelo de mulher ideal naquele período era o da rainha do lar, preocupada com a saúde do marido e a educação dos filhos - Cena da família de Adolfo Augusto Pinho (quadro de José Ferraz de Almeida Júnior, 1891).

O consórcio de almas: o amor romântico e suas contradições em “Lucíola” de José de Alencar (1862)

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Em 1855, a cidade do Rio de Janeiro parecia o lugar mais promissor para todo recém-formado em direito, que ambicionasse uma carreira de sucesso na capital do império brasileiro. O Rio era a porta de entrada para toda espécie de modismos importados de Paris e de outros centros europeus, desde roupas, acessórios, até mesmo manuais de etiqueta e expressões de linguagem adaptadas à realidade dos trópicos. Naquele universo habitado por grandes damas, políticos, escravos, altos dignitários da Corte, entre outros grupos sociais, um jovem provinciano, ingênuo, poderia facilmente se entregar aos hábitos de vida elegante, aos grandes bailes e dilapidar suas poucas economias nos braços de alguma bela cortesã. Mas seria possível que dentro de uma sociedade bastante conservadora, o relacionamento de um homem com uma prostituta pudesse dar lugar a um consórcio de almas e finalmente ao matrimônio? Tal hipótese, que hoje pode parecer aos nossos olhos como uma coisa aceitável, não o era para nossos antepassados de 150 anos atrás. Quem nos esclarece é José de Alencar, num de seus romances de maior sucesso: Lucíola (1862). Continuar lendo

Dossiê Imperatriz Leopoldina

Download do dossiê “Leopoldina: a Imperatriz da Independência”, publicado pela edição n° 107 da RHBN

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

A Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) é hoje um dos principais periódicos de história do Brasil. Abordando assuntos que vão desde a história geral à brasileira, com matérias escritas por especialistas para cada tema, a revista já dedicou dossiês a muitas personalidades do nosso passado imperial, como José Bonifácio, D. Pedro I, D. Pedro II, Princesa Isabel, Carlota Joaquina, entre outros. Com efeito, até o corrente mês, nenhuma capa havia sido dedica àquela que foi uma das mulheres mais impressionantes da história do Brasil: a Imperatriz Leopoldina. Ultimamente tem-se observado um verdadeiro resgate da figura desta soberana, anteriormente relegada ao esquecimento na mente dos cidadãos da pátria pela qual ela tanto lutou. Autores, como Carlos H. Oberacker Jr., já gastaram diversas páginas de papel para escrever a biografia dessa mulher tão impressionante, mas que ainda permanece negligenciada por alguns pesquisadores e livros de história comercializados neste país. Felizmente, a RHBN deste mês preparou um riquíssimo dossiê sobre D. Leopoldina, ressaltando sua importância política na formação do Brasil. Continuar lendo