O tesouro da Coroa Britânica: a fabulosa coleção de joias da rainha Elizabeth II

Por: Renato Drummond Tapioca Neto

Durante o seu longo reinado, a rainha Elizabeth II do Reino Unido acumulou uma das maiores coleções de joias de todo o mundo. Conhecidas não apenas por sua beleza e preciosidade, a maioria dessas peças possui uma história própria, o que as torna ainda mais valiosas. Algumas foram passadas ao longo de gerações e adaptadas pelas mãos de joalheiros famosos, como Garrard, que esteve ao serviço da Coroa por muitas décadas e criou joias e adereços inigualáveis. Com efeito, parte do encanto que a realeza britânica exerce entre uma variedade de pessoas consiste na maneira como tiaras, colares, broches, braceletes e anéis são usados pelos príncipes e princesas da família real, ajudando assim a compor uma imagem de riqueza e esplendor. A maioria desses itens, porém, pertence à instituição e não ao indivíduo. Enquanto viva, a rainha Elizabeth detém apenas a posse desses objetos, podendo dispor deles da forma como melhor entende. Depois dela, eles passarão para as mãos do próximo monarca, seja seu filho Charles, ou seu neto William. Mas entre as famosas peças existem algumas de uso pessoal da soberana que, diga-se de passagem, são tão belas quanto as que um dia enfeitaram a fronte da rainha Alexandra ou da rainha Mary. Quando não são requisitadas, as joias ficam expostas para a apreciação dos visitantes no palácio de Buckingham ou na Torre de Londres.

O anel de noivado da rainha Elizabeth II, contendo um diamante de três quilates e outros menores extraídos de um colar que pertenceu à princesa Alice, mãe do duque de Edimburgo.

O conjunto bastante impressionante de ametistas é composto por um broche de diamantes, brincos e colar e é conhecido como Suíte Crown Amethyst of Jewels ou The Amethyst Kent. Era originalmente de propriedade da mãe da rainha Vitória, a duquesa de Kent.

Este broche de diamante em forma de arco é outra peça da coleção de jóias da rainha Mary que a rainha herdou após sua morte em 1953. Sua Majestade o usou no casamento de Kate Middleton e o príncipe William em 2011.

Uma das joias mais caras e importantes da coleção de Elizabeth II é o diadema de Estado que foi originalmente feito para o rei George IV, na primeira metade do século XIX. Ao longo dos anos, a peça foi usada por uma sucessão de monarcas, como a rainha Vitória, que foi retratada com o diadema pelos hábeis pinceis de Franz Winterhalter. Sua estrutura de ouro e prata mede 7,5 cm de altura por 19 cm de de diâmetro. É decorada com 1.333 diamantes, com uma base de pérolas naturais e inclui um diamante amarelo incrustado na cruz pátea frontal. Elizabeth usou o diadema na sua procissão de coroação e em algumas aberturas do Parlamento. Quando não é requisitada pela monarca, a peça pode ser vista pelo público na Galeria da Rainha, no Palácio de Buckingham.

Desenhado pelo príncipe Albert para a rainha Vitória, o colar de rubis da coroa, composto com broche e brincos, foi herdado pela rainha após a morte de sua mãe, Elizabeth Bowes-Lyon, em 2002.

Conjunto colar e brincos de safiras e diamantes que Elizabeth II ganhou em 1947 de seu pai, George VI, como presente de casamento. Em 1963, Elizabeth mandou confeccionar uma tiara para o conjunto, feita a partir das pedras de um colar que pertenceu à princesa Louise da Bélgica. Essas são algumas das joias de uso pessoal da soberana.

Todavia, não se pode ignorar o fato de que boa parte das críticas feitas à realeza consiste justamente na posse desses objetos, muitos dos quais foram fabricados a partir de pedras preciosas extraídas da África e da Ásia durante o imperialismo, não sem muita resistência por parte dos povos desses dois continentes. Guerras foram travadas pela posse das pedras que hoje adornam não apenas a Coroa Imperial de Estado, usada por Elizabeth nas aberturas anuais do Parlamento, como também as suas tiaras e colares. No antigo Estado Absolutista, tais joias tinham uma função especial na composição da imagem do rei: seu brilho deveria refletir o suposto poder divino do soberano. Essa compreensão foi mudando aos poucos a partir da Revolução Francesa, quando quase todas as joias oficiais de Luís XVI e Maria Antonieta foram tomadas pela Assembleia Nacional. O mesmo se sucedeu na Revolução Russa, depois que os bolcheviques se apropriaram de todas as peças preciosas de czar Nicolau e da imperatriz Alexandra. Durante esses dois processos revolucionários, o paradeiro das pedras se perdeu com o tempo e pouquíssimas delas chegaram aos dias de hoje. No caso da família real britânica, suas joias foram não somente preservadas, como sua coleção recebeu vários acréscimos ao longo dos anos, através da aquisição de itens que um dia pertenceram aos seus parentes destronados na Europa.

Este broche cravejado com diamantes, rubis e safiras incrustadas em base no formato de cesta de flores, foi um presente que a rainha recebeu de seus pais, após o nascimento do príncipe Charles, em 1948.

O conjunto de esmeraldas Cambridge, feito originalmente de pedras adquiridas pela duquesa Augusta de Cambridge no século XIX. As pedras estavam em posse da família Teck, quando foram compradas pela rainha Mary das mãos de seu irmão. A esposa do rei George VI utilizou as peças para a confecção de um conjunto comporto de tiara, colar, brincos, broche e pulseira. O destaque fica para a tiara com arcos de diamantes, com esmeraldas pendentes em formato de pera.

A belíssima Queen Mary’s Girls of Great Britain and Ireland Tiara. Criada originalmente para Mary de Teck, a tiara possuía pérolas em cima dos pináculos de diamantes, que depois foram substituídas por outras pedras. Foi usada pela rainha Elizabeth II em fotos e eventos oficiais desde o início do rei reinado, sendo depois requisitada por Kate Middleton, duquesa de Cambridge.

O Cullinan III e o Cullinan IV. Essas duas pedras pesam 94,4 e 63,6 quilates, respectivamente. Mantidas juntas, elas fazem um broche. A peça era uma das favoritas da rainha Mary e costumavam ser chamados pelo apelido de ‘Granny’s Chips’.

A Coroa Imperial de Estado. Originalmente criada em 1937 para a coroação do rei George VI, a coroa possui 2.868 diamantes de lapidação brilhante, 17 safiras, 11 esmeraldas e 269 pérolas, pesando 2,2 quilos. A rainha usou a coroa pela primeira vez em 1967 e agora a usa na abertura do Parlamento. Em uma entrevista recente,, a rainha revelou que a peça foi encurtada em uma polegada para seu uso. Ela falou também que é incapaz de olhar para baixo para ler seus discursos quando a usa: “você precisa levantar o discurso porque, se o fizesse, seu pescoço quebraria e ela cairia”.

A famosa Tiara da Grã-duquesa Vladimir. Originalmente pertencente à tia de Nicolau II, o último czar da Rússia, esta tiara de diamantes e pérolas é uma relíquia da extinta autocracia russa. A Grã-duquesa foi obrigada a se separar da tiara depois de fugir de São Petersburgo durante a Revolução Russa, mas recuperou a joia quando um membro da Inteligência Britânica a resgatou. Ela deu a tiara para sua filha, a princesa Nicolau da Grécia, que a vendeu para a rainha Mary de Teck depois que sua mãe faleceu. Elizabeth II a herdou de sua avó. Como podemos ver pela foto, as pérolas pendentes em formato de gota podem ser removidas, deixando os arcos de diamantes vazios.

Com efeito, é preciso ressaltar que as joias da rainha Elizabeth II são relativamente recentes, se comparadas às de outras casas reais. A maioria delas foram fabricadas a partir do século XVIII, principalmente no reinado da rainha Vitória (1839-1901), Eduardo VII (1901-1910) e George V (1910-1936). As peças anteriores a esse período, como a coroa original de Eduardo, o Confessor, e a coroa de Henrique VIII, foram desmontadas durante da Revolução Inglesa no século XVII e as pedras vendidas separadamente. É por esse motivo que hoje em dia é raro se encontrar alguma joia que tenha pertencido à Elizabeth I ou Mary Stuart, por exemplo. As que existem ainda hoje se encontram em exposição em museus não apenas da Inglaterra, como também de outras partes do mundo. Atualmente, a rainha Elizabeth II usa tais adereços apenas em ocasiões solenes, como festas de jubileu, casamentos, ou em encontros com outros chefes de Estado. O estilo da rainha é marcado pela sobriedade, tanto de seus vestidos, quando de seus adornos. Agora, são suas netas e as esposas de seus netos quem desfilam usando as brilhantes tiaras, que carregam consigo séculos de uma história controversa e que, ao mesmo tempo, representam o brilho passado de uma monarquia que aos poucos vai se apagando.

A Tiara de rubis birmanesa, criada depois que a rainha foi presenteada com as pedras pelo povo da Birmânia pelo seu casamento. Em 1973, Elizabeth encomendou à joalheria Garrard para criar a requintada tiara de rubis e diamantes. O conjunto ainda acompanha colar e brincos.

A famosa tiara Fringe da rainha Mary de Teck, que Elizabeth usou no seu casamento com o príncipe Philip, em 1947. Segundo informações emitidas pelo Palácio, a peça foi confeccionada pela joalheria Garrard no ano de 1919, a partir de um colar de diamantes que havia pertencido à rainha Vitória. Desde então, a joia só foi usada por poucas mulheres. Projetada de acordo com um modelo original russo, a tiara Fringe possui 47 pináculos de diamantes e é cedida apenas a princesas que ocupam uma posição privilegiada na hierarquia da família real, como a princesa Anne, que a usou no seu casamento com Mark Philips, em 1973. A última a usa-la foi a princesa Beatrice de York, no seu casamento com Edoardo Mapelli Rozzi em 17 de julho de 2020.

Colar de fios de pérolas com três voltas, que a rainha Elizabeth II recebeu de presente do seu pai. A joia é uma das favoritas da rainha.

A maioria das tiaras usadas pela rainha Elizabeth II do Reino Unido eram legados de rainhas e princesas do passado, mas algumas delas foram escolhidas a dedo ou encomendadas pela própria monarca. Uma delas é o famoso conjunto de águas-marinhas, ou “tiara brasileira”, que começou apenas com o colar e um par de brincos, dados de presente pelo presidente Getúlio Vargas em nome do povo brasileiro em 1953. A soberana gostou tanto das peças que logo demonstrou interesse em criar uma tiara para combinar. Ao longo dos anos, o conjunto foi crescendo, à medida que o governo brasileiro oferecia novas pedras do mesmo gênero para a soberana. Durante a primeira (e única) visita da rainha ao Brasil, em 1968, por exemplo, o governador de São Paulo lhe deu um ornamento de água-marinha e diamante, que foram aplicados na confecção do conjunto. Hoje em dia, a “tiara brasileira” está entre as joias favoritas da soberana. É usada por Elizabeth principalmente em encontros com chefes de Estado do nosso país.

Broche de safira e diamantes desenhado pelo príncipe Albert, que o deu como presente de casamento para a rainha Vitória em 1840. A joia passou de geração para geração e hoje pode ser vista adornando os vestidos monocromáticos da rainha Elizabeth II. O broche serviu inclusive de inspiração para a criação do anel de noivado que o príncipe Charles deu para Diana Spencer no início de 1981.

Encomendada em 1913 pela rainha Mary de Teck ao joalheiro Garrard, a Tiara Lover’s Knot é incrustada com diamantes e pérolas naturais pendentes, em formato de gota, todas agrupadas sobre uma armação de ouro. A tiara foi sucessivamente usada pela rainha Elizabeth II, que a deu para usufruto de Diana. Com o divórcio do príncipe Charles, a peça ficou à disposição de outros membros da família real. Agora, é a duquesa de Cambridge, Kate Midleton, quem detém o seu usufruto.

Referências Bibliográficas:

MARR, Andrew. A real Elizabeth: uma visão inteligente e intimista do papel de uma monarca em pleno século XXI. Tradução de Elisa Duarte Teixeira. São Paulo: Editora Europa, 2012.

Sites:

Bazar – Acesso em 03 de agosto de 2020

Now To Love – Acesso em 03 de agosto de 2020

Taller – Acesso em 03 de agosto de 2020

Vogue – Acesso em 03 de agosto de 2020

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