Do carnaval de 1919 ao #MeToo: conheça algumas dicas de livros para se entender um pouco sobre os bastidores da informação

Dando continuidade à nossa matéria sobre dicas de livros para você, que gosta de história do Brasil moderno e do mundo, selecionamos nesse post sugestões de leituras de três obras recém-publicadas pela Companhia das Letras. Os títulos abordam temas como a história cultural do Rio de Janeiro, ditadura militar do Brasil e os bastidores de uma das maiores reportagens publicadas nos últimos tempos, que alavancou a campanha do #MeToo. Confira então as sinopses que preparamos para cada um dos livros.

Metrópole à beira-mar: o Rio de Janeiro dos anos 20 – Ruy Castro

A década de 1920 foi um momento de efervescência cultural, não só na história do Brasil, como também no mundo. Saíamos de uma guerra em escala global e de uma epidemia que ceifou a vida de milhares de pessoas, a chamada Gripe Espanhola. Passado esse momento de crise, a capital do país se tornava o palco de um dos maiores carnavais vistos até então. O cenário de festa e comemoração deu oportunidade para o nascimento de movimentos nacionais, que revolucionaram nosso panorama cultural e contribuíram para minar as bases da velha política do café-com-leite. Esse é o tema do livro de Ruy Castro, intitulado Metrópole à beira-mar: o Rio de Janeiro moderno dos anos 20, publicado em 2019 pela Companhia das Letras. Tomando como fonte vários jornais e revistas do período, bem como romances e discos lançados na época, Castro introduz o leitor na atmosfera fervilhante da capital através de uma narrativa bastante fluida e gostosa de se ler. O recorte temporal do autor vai de 1919, ano da assinatura do Tratado de Versalhes, por meio do qual a Alemanha oficialmente se rendia aos seus vencedores, até a Revolução de 1930 no Brasil. Por meio das vidas de personagens célebres, tais como Bertha Lutz, Carmen Miranda, Cecília Meireles, Lima Barreto, Manuel Bandeira, Vila-Lobos, entre outros, o autor constrói um painel vivo e colorido da sociedade brasileira de 100 anos atrás. A edição, por sua vez, também conta com um rico caderno de ilustrações, que possibilitam ao leitor um olhar diferenciado acerca do tema discutido.

Castello: a marcha para a Ditadura – Lira Neto

No ano de 1964, o Brasil ingressou numa das fases mais repressivas de sua história política, da qual sairia apenas 21 anos depois. O período que ficou conhecido como “ditadura militar” foi marcado por perseguições a opositores, cassação de direitos e censura da mídia, algo que se intensificou após 1968, quando foi implantado o Ato Institucional de número 5, que dava ao poder executivo soberania perante os poderes legislativo e judiciário. De 1985, quando a ditadura chegou ao fim, até aqui, muitos livros, teses e estudos foram publicados, denunciando as atrocidades que aconteceram na época e dando voz àqueles que foram perseguidos pela opressão. Em Castello: a marcha para a ditadura, o jornalista e doutorando em História pela Universidade do Porto, Lira Neto, narra os acontecimentos que levaram à implantação do regime militar por meio da biografia do general Castello Branco, que em 1964 foi eleito indiretamente pelo Congresso Nacional para assumir o cargo de presidente. Muito além de uma mera biografia de Castello, o livro explora as relações entre os militares e a política no Brasil republicano. A edição, que saiu em 2019 pela Companhia das Letras, possui 460 páginas e é acompanhada por um rico acervo de fotografias, anexadas no corpo da obra, que, por sua vez, prestam um valoroso testemunho acerca do tema abordado pelo autor.

Ela disse: os bastidores da reportagem que impulsionou o #MeToo – Jodi Kantor e Megan Twohey.

Ela Disse

Em 5 de outubro de 2017, um escândalo envolvendo Harvey Weinstein foi divulgado em toda a impressa. O fundador da Miramax, responsável por construir e impulsionar a carreira de atrizes do calibre de Gwyneth Paltrow e Jennifer Lawrence, vencedoras do Oscar, foi denunciado pelas jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohey em matéria publicada no The New York Times, por diversos crimes de assédio. O processo de investigação, por sua vez, foi publicado por Jodi e Megan em Ela disse: os bastidores da reportagem que impulsionou o #MeToo, laçado no Brasil em 2019 pela Companhia das Letras. Na obra, as autoras contam como descobriram, por meio de entrevistas com atrizes e ex-funcionárias das empresas de Weinstein, como ele contava com uma eficiente rede de advogados que trabalhavam para abafar seus crimes, através do suborno das vítimas. A revelação destes casos, por sua vez, foi o estopim para que uma campanha na internet, que alcançou a adesão de diversos setores da vida pública, tomasse corpo. Por meio da hashtag #MeToo, várias mulheres, vítimas de abuso, criaram coragem para denunciar suas traumáticas experiências de violência sexual e psicológica. Através de sua narrativa direta, as autoras de Ela disse nos contam com riqueza de detalhes os bastidores da reportagem que alavancou a campanha, expondo o testemunho daquelas que por muito tempo foram silenciadas.

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